14 de janeiro de 2015

EDIFÍCIO METRÓPOLIS


A abrir a Gran Via, na esquina com a Calle Alcalá, está um dos edifícios mais marcantes de Madrid, o Metrópolis. Inaugurado em 1911, exibe estatuária variada e uma cúpula majestosa encimada por um Ícaro contemplativo. As colunas coríntias inscrevem-no num estilo assumidamente neoclássico. Sentei-me num banco junto à Igreja de S. José, do outro lado da avenida, e lá me pus a desenhar. Foi um esboço difícil, com muitos detalhes, pelo que só me atrevi a passá-lo a tinta já em casa, corrigindo aqui e ali. E a aguarela, como é hábito, também só veio depois: 


O trânsito na Gran Via é reconhecidamente caótico, e nesta tarde não foi excepção. Era tanto o movimento e tão frenético que volta e meia os carros me impediam de ver o objecto do meu desenho. Tive de optar por despir a avenida de quase todos. Mas ficou um comercial ligeiro, um táxi e outro automóvel semi-oculto, para não dar à cena um ar desolado, de "day after"...


A árvore gigante que ali existe - uma faia? - foi um desafio de verdes...


Pintei também o Edifício Grassy, que surge logo a seguir no alinhamento da Gran Via. E, por fim, o céu. Alto, solto, a perder de vista - e a mostrar que, por comparação, até os edifícios mais imponentes se tornam pequenos:


Até breve!
Miú

10 de janeiro de 2015

UMA CHAMINÉ INSÓLITA


Sentada num banco de jardim enquanto espero, avisto a chaminé de uma fábrica desactivada. Fica junto a Conde Duque, sobre os telhados irregulares dos prédios de habitação da zona oeste de Malasaña. E lá saco do meu sketchbook, onde me ponho a rabiscar o skyline e também uma parte da fachada do Convento das Comendadoras. O sol já vai baixo, projectando uma sombra diagonal sobre as paredes:


E passo às cores: o rosa velho, o terra de siena queimada...


...Um jogo de castanhos sobrepostos, para dar a ideia de telhas, o bege esverdeado junto aos beirais...


E as sombras: umas alongadas e descendentes, sobre as janelas gradeadas; outra perfilada, sozinha, contra uma fachada cega:


Deixa-se secar e serve-se antes de o sol desaparecer, nestes dias tão curtos junto ao solstício de Inverno...



Até breve!
Miú

6 de janeiro de 2015

O PEZ BAKER


O terceiro e último dos desenhos que fiz da Calle Pez é a vista da janela do café-lounge "Pez Baker". Fica mesmo em frente ao Lope, o restaurante onde, a seguir à sobremesa, me pus a rabiscar. O esboço foi mais fácil que os dois anteriores porque optei por um enquadramento mais contido e menos informativo:


O esboço foi feito em Dezembro, in situ como disse, mas só ontem o aguarelei. Aqui deixo o processo, cujo registo continua a divertir-me. Primeiro os amarelos... depois os alaranjados...


De seguida os cinzas - a cor do granito da base do prédio - e o vermelho vivo do "sentido proibido":


O verde-fumo do candeeiro e mais cinzas do outro lado da rua...


Finalmente, os castanhos das persianas, os ocres dos vãos das portas, mais algumas pinceladas de verde e de azulado...


E a aguarela acabada:


A "Rua do Peixe" já me vendeu o dito e já puxou a brasa à sua sardinha. Descobri-me encantada e seduzida. Agora, há mais Madrid para desenhar...

Até breve!
Miú

5 de janeiro de 2015

O MESMO SÍTIO, DE OUTRO ÂNGULO


O segundo esboço que fiz da Calle Pez, sentada no mesmo café (o LaLa), teve uma orientação mais à direita (mais a poente, portanto), focando o final da rua, ou seja, o entroncamento com a Calle San Bernardo. Ao fundo, vê-se o torreão direito de um edifício público e, atrás dele, o edifício moderno que se ergue na Praça de Espanha:


A aguarelagem não ficou famosa, eu sei. As cores saíram-me demasiado vivas, pelo que a combinação final tem, para meu gosto, "salero" a mais... Mas enfim, lá fui pincelando, primeiro o prédio à esquerda, depois o torreão com o telhado de ardósia...


A seguir, uma árvore de folhas outonalmente vermelhas (um ácer?) e o lampião (por sinal hipercéfalo) que domina o enquadramento ...


Uns farolins - de um veículo comercial e de uma lambreta, das que abundam em Madrid - e o verde das cadeiras de ferro da esplanada:


Mais árvores do lado direito (estas de folhagem persistente) e, finalmente, o cabelo e o casacão da rapariga solitária que tomava um café ao sol frio de Dezembro:


Feitas as contas, coube ali a paleta quase inteira, céus, comandada por aqueles ocres berrantes dos dois lados:


Para a próxima vou tentar fazer uma coisa menos mexicana, que afinal isto é do lado de cá do "pond".

Até breve!
Miú

30 de dezembro de 2014

A CALLE PEZ


Este é o primeiro de três desenhos que fiz no mesmo local, mas de perspectivas distintas. Trata-se de um pequeno largo - ou melhor, um alargamento - na Calle Pez, em pleno Bairro de Malasaña, antes de se chegar à Calle San Bernardo. Ali se juntam vários cafés-restaurante: o Lope, o Pez Baker e o LaLa. Foi neste último que me sentei, em mais um dia frio mas ensolarado, a olhar através do vidro para um dos lados do pequeno largo:


E depois, já em casa, adicionei, para além das duas amigas sentadas na esplanada, duas figuras humanas a caminhar no passeio, e fui colorindo:


E o resultado, bastante naif, foi este:


Até breve!
Miú

27 de dezembro de 2014

ART DÉCO NA PRAÇA CALLAO


Este foi o meu primeiro esboço a caneta em Madrid, com o intuito de conseguir um efeito tipo "diário gráfico" como o que os meus companheiros urban sketchers praticam. Usei uma Staedtler novinha em folha, de bico 0,2 mm, com tinta indelével ou waterproof (pensando já na aguarela posterior). Sentei-me numa esplanada em plena Gran Via, mesmo em frente à Praça Callao - uma espécie de Times Square madrilena, com ecrãs e neons gigantes - a olhar para o edifício "art déco" dos cinemas. Com os vidros da esplanada a fazer de para-vento, lá fui aguentando o frio. Quando comecei, estava a entardecer; ao terminar, aí uns 30 minutos depois, já o crepúsculo se instalara:


As linhas rectas dos Cines Callao (inaugurados em 1926) fluíram com facilidade, sobrepondo-se em camadas planas. Abstive-me de hierarquizar, dando primazia idêntica aos vários elementos gráficos:


É certo que cortei a cabeça da torre principal. É certo também que as linhas de fuga na fachada à esquerda deviam afunilar mais. E não vou sequer falar de vários outros "gatos" que estão por ali a espreitar.... Mas o resultado divertiu-me, pois pareceu-me um quadradinho de banda desenhada:


Acabei foi por não aguarelar, deixando ficar mesmo assim. 

Até breve!
Miú

22 de dezembro de 2014

IGREJA DAS COMENDADORAS DE SANTIAGO


Este esboço levou-me cerca de 20 minutos a fazer, num dia de sol radioso. Ou melhor, levou-me apenas 20 minutos, mas isso foi porque tive de o interromper, tão geladas estavam as minhas mãos e o meu nariz. É que sol é uma coisa, temperatura outra. E isto de estar sentada, parada, com o queixo no ar, enquanto um friozinho gélido nos roça as orelhas não é muito confortável. Apesar disso, gostei do desenho que me saiu, e nem quis completá-lo depois, como era minha intenção inicial:



Estava num banco do parque infantil do largo das Comendadoras de Santiago, em Madrid, mas enquadrei apenas a cúpula e uma das torres da igreja do convento com o mesmo nome.

A parte das cores também correu bem: foi rápida e os tons não me desagradaram. Aqui ficam as fases do processo:


E depois, o resultado final:


Miú

18 de dezembro de 2014

IGREJA DE NOSSA SENHORA DE MONTSERRAT


Pois já aguarelei uma das minhas três torres. E saiu-me um bom mostrengo, credo. Eu já pressentia que o desenho estava fora de escala, mas a cores, digamos, nota-se mais! Bem, há que rir destes erros todos de quem está a aprender sozinha... E aqui está o desenho inicial com as primeiras pinceladas:


Mais algumas... (aqui ainda me divertia):


E mais uns detalhes finais (aqui já estava a franzir o sobrolho de preocupação):


E assim ficou o mamarracho:


Pobre Senhora de Montserrat! É uma igreja barroca lindíssima, localizada no alto da Calle San Bernardo em Madrid, com uma única torre, à esquerda, de uma elegância ímpar. Paciência! Outros saberão fazer-lhe justiça. Quanto a mim, ao menos serviu para praticar.

14 de dezembro de 2014

TRÊS DIAS, TRÊS TORRES


Cá continuo eu a caçar desenhos. Desta vez trago o produto - inacabado - de três saídas por Madrid em três dias distintos. Em cada um deles sentei-me ao frio de Dezembro durante meia hora (cada tolo com a sua mania) e, armada de bloco de desenhar e lápis, registei com o nariz no ar as torres de três igrejas: à esquerda, a Igreja das Comendadoras de Santiago; no centro, a Igreja de Nossa Senhora de Montserrat e à direita uma das torres e a cúpula da Catedral de Almudena:


A que, a meu ver, saiu melhor - apesar do pescoço cortado - foi logo a primeira (bah, e nós que gostamos é da sensação de que melhoramos um bocadinho de dia para dia...). A segunda, com todos aqueles detalhes barrocos, foi um osso duro de roer, tendo tido que ser corrigida depois em casa, apesar de o eixo ter continuado inclinado. A terceira, feita em 20 minutos, pareceu-me ter saído razoavelmente, mas noto agora alguns erros de perspectiva, ali na parede do Palácio Real, à direita e na vertical do desenho.

Vou tentar agora aguarelá-las, para lhes dar um pouco de cor, senão parecem... três tristes torres! :) Depois vou mostrando o resultado. Até breve!
Miú


8 de dezembro de 2014

ESQUINA DA CALLE SERRANO JOVER COM PRINCESA


No último sábado de Novembro, fui tomar um "café cortado" ao Starbucks da Calle Princesa. Sentei-me cá fora, na esplanada, a ver o bulício dos madrilenos em modo fim-de-semana. E, claro, pus-me a escolher um ângulo para rabiscar. Saiu-me isto:


Já em casa (ainda não tenho destreza para me aventurar a pintar com aguarelas na rua), fui pincelando e colorindo:


Tentei criar tons matizados, evitando cores estridentes. Às tantas, depois de começar a borratar as persianas todas, achei melhor não estragar mais. Ficou mesmo assim:


Miú

4 de dezembro de 2014

RUA DO POSTIGO DE SAN MARTIN

Sentada na esplanada de um restaurante, saquei do meu sketchbook recém-comprado e rabisquei a perspectiva da Calle do Postigo de San Martin, com a Igreja de San Ginés de Arlés ao fundo. 


Foi o meu segundo desenho em Madrid (poupo-vos o primeiro). Depois, já em casa, aguarelei-o, passo a passo:


E estraguei-o todo. Aquele verde dos cedros já não teve marcha atrás. Mas qualquer sketcher wannabe sabe que o ofício implica estragos, pelo que aqui deixo o envergonhado resultado:


Miú

1 de dezembro de 2014

A POSTOS!


Já me muni dos apetrechos indispensáveis a uma sketcher principiante e devidamente ambulante. O estojo de aguarelas todo XPTO que tenho há uns anos, da Winsor & Newton, de madeira por fora e veludo por dentro, já com uma ou duas bisnagas secas, é obviamente grande demais para estas aventuras na rua. Por isso, aqui vão as minhas compras de ontem:

1. O bloco de desenho. Escolhi um tamanho de bolso da Van Gogh, com papel de aguarela, preso na parte mais larga do rectângulo, e não um caderno de bolso tipo Moleskine. Porquê? Porque os cadernos que tenho encontrado têm papel demasiado fino para aguarela e deixam transparecer a caneta, além de cortarem irritantemente os desenhos a meio. Sei que ficaria com muito mais pinta de Moleskine na mão :), e sei também que isto vai contra a filosofia dos diários gráficos, que praticam o desenho espontâneo, folheável e descartável, mas para já ainda me sinto muito paternalista e protectora face às minhas pobres "vítimas de papel"...


2. Os lápis Staedtler (em três tamanhos, a ver do que gosto mais - as canetas de tinta permanente virão depois...):


3. O estojo de aguarela, também da Van Gogh, com 12 cores e um pincel de desmontar (aqui já aberto e usado pela primeira vez, numa experiência que não revelarei nem sob tortura):


4. E nada de borracha!

Vá, não se riam, eu sei que não vou longe com isto, mas assim pelo menos a pressão é menor. Se ficar tudo uma bodega, vão os materiais para o lixo e não se perde grande coisa. Caso encerrado.

Miú