20 de abril de 2015

7º ENCONTRO URBAN SKETCHERS PORTUGAL NORTE


Foi ontem, no Parque da Cidade, no Porto. Depois de umas nuvens matinais ameaçadoras, pôs-se um dia lindo, com o céu totalmente azul. Cheguei pela hora do almoço, a tempo justamente do piquenique em grupo, junto ao lago. Comida a quiche (obrigada, Elsa!), pus-me a desenhar o lago e todo o mosaico verdejante de árvores como cenário. Não foi fácil! Junto à margem, um casal de namorados... namorava.  E a água resplandecia ao sol. Aguarelei o sketch mesmo ali:


Depois, fomos para o Pavilhão da Água. Sentada num banco de jardim "a sério" (as pedras irregulares junto ao lago não tinham sido a melhor opção, eheh), registei o edifício - que esteve em tempos na Expo 98. É uma caixa semi-suspensa sobre um declive, com barras horizontais e uma estrutura em ferro ligeiramente inclinada para trás. Tenho de lá voltar para o visitar por dentro:


Os desenhos ficaram fracos, mas foi uma bela tarde, com boa conversa, óptima companhia e muitas gargalhadas. E aqui fica a fotografia do grupo da tarde:


16 de abril de 2015

ÁGUAS DE ABRIL


Tom Jobim falava das "águas de Março", mas o Desafio nº 53 dos USkP era sobre as chuvas de Abril. Receei inicialmente que o tempo soalheiro e primaveril de princípios do mês não me fornecesse material adequado... Mas bastou esperar uns dias e lá vieram umas boas chuvadas, a refrescar as temperaturas já cálidas. Este esboço foi feito nos Aliados, no Porto, a partir do que foi outrora o belíssimo Café Imperial (e hoje, tristemente, mais um McDonald's). Ao fundo, vê-se o edifício "A Nacional":


As árvores já estão verdejantes neste Abril generoso, com folhas tenras por vezes plenamente desabrochadas. E a "menina nua" (estátua de Henrique Moreira, 1929), lá continua, sentada no seu pedestal, olhando absorta quem passa:


Um turista estacionou, de guia na mão, com mochila e calções a preceito. E uma senhora de botas passou apressada... 


No passeio molhado, finalmente, muitos reflexos:


São chuvas rápidas, estas, entremeadas de primavera... Dão-nos vontade de mudar a letra de Jobim:

        São as águas de Abril abrindo o Verão
        É a promessa de vida no teu coração

12 de abril de 2015

SERENAMENTE, JUNTO AO RIO


Ainda a Primavera não tinha chegado (devíamos estar no fim de Fevereiro) quando fiz este esboço de Fão:


No céu o azul, nas casas o branco, no rio os barcos e, por todo o lado, o vento... Só agora lhe peguei de novo, ao meu esboço, para lhe devolver as cores. Por sinal, a escolha de uma caneta Pilot G-Tec-C4 foi muito infeliz: ao contrário das Staedtler que costumo usar, esta borratou aos primeiros toques do pincel:


Mas perseverei. E lá percorri os castanhos dos telhados, do chão e da única árvore que mantive:


Passei às sombras: do edifício octogonal em primeiro plano, do quartel dos bombeiros, ao fundo, e dos barcos junto ao pilar da ponte de ferro: 


E ficou assim:




5 de abril de 2015

OUTRA VEZ A RIBEIRA


Quem se cansa destas cores, deste sobe-e-desce da linha dos telhados, dos caprichos que estas janelas e sacadas desenham junto ao rio? Eu não. Voltei ali noutro dia de sol, mas desta vez o meu registo foi sintético - ou pelo menos foi-o mais do que na minha anterior abordagem. Abstive-me dos detalhes e fiquei-me pelos traços soltos. Depois, as cores - os rosas, os ocres e os azuis:


Logo os tons de pedra e o mobiliário garrido da esplanada:


Os negros e os cinzas, com os quais dei forma às janelas e marquei as sombras:


 Por fim, o cubo, dois peões e o chão de granito:


E tive de me conter para não estragar tudo com um céu azul...


Mais uma experiência, mais uma possibilidade. Esta, rápida e espontânea, como um breve apontamento...

2 de abril de 2015

NÃO EXACTAMENTE UM "TRINTA E UM"...


Pois não: em rigor, não foi um "trinta e um" ou, segundo o dicionário, "um problema, uma coisa difícil de resolver". Foi apenas um... "vinte e quatro" aquilo que o meu filho de 4 anos armou, ou melhor, escreveu sobre o meu desenho. E eu resolvi o assunto com facilidade, ignorando-o! Mas comecemos pelo princípio. Foi ainda em Janeiro que, recém-chegados de Madrid, quis fazer o meu primeiro desenho de Braga. Fui por isso ao Bom Jesus, onde estacionei o carro junto à Casa de Chá. Estava a anoitecer apesar de serem cinco da tarde (os dias são curtos em Janeiro), pelo que tive de me apressar com o esboço:


Já em casa, deixei-o por ali, um pouco esquecido. Uns dias depois, apeteceu-me aguarelá-lo, mas eis o que encontrei: um 2 e um 4 bem visíveis sobre o fundo branco, escritos com a minha caneta de tinta permanente. Logo adivinhei quem tinha sido o "artista"! Mas não me zanguei nem desafinei e lá avancei com as cores:


Céu, cedros, rua...


Telhado e portão...


E assim ficou:


Vá lá, concedamos, aquele "24" até que não fica ali nada mal. Trata-se do meu primeiro "urban sketch" a duas mãos!

23 de março de 2015

CRIANÇAS FELIZES


Uma amiga minha pediu-me que lhe pintasse umas aguarelas com crianças felizes. Pensei logo em praia, em sol e em brincadeiras junto ao mar. Recordei-lhe, no entanto, a minha absoluta falta de "expertise" na matéria: mais uma vez, e em aguarelas sem linha ainda mais, tudo o que faço é "a olho", com muitas dúvidas e poucas certezas. A inspiração fui buscá-la aos óleos e acrílicos lindíssimos da Lucelle Raad. Bom, é quase um sacrilégio recriar aqueles quadros, tão fluidos, tão naturais e com aquele toque de Sorolla tão luminoso e solto! Mas enfim, lá avancei. O primeiro ensaio, de três rapazinhos, ficou assim:


Depois, passei para as três meninas (a separação de género foi meramente acidental!). Desta feita, dispus-me a registar as fases do processo. Primeiro, os cabelos:


Depois, os baldes de praia:


De seguida, os trajes de banho e a pele, sempre o desafio maior:


Fui continuando...


E, por fim, pintei a areia, as sombras e o mar:


E ficou assim:


Ah, e já agora mostro também as aguarelas já emolduradas:


Espero que a minha amiga me desculpe por estragar a surpresa desta maneira e mostrar o presente acabado...

15 de março de 2015

UM CASTELO QUE ESPREITA


Fica no coração de Braga, por trás da Arcada, poupado ao bulício do trânsito. Este ângulo é o que se vê da Brasileira, no enfiamento de uma quelha que, noto-o agora, fica no lugar do que outrora foi a continuação do edifício. Fiz o esboço enquanto tomava um "café de saco", numa das mesas de tampo de vidro redondo, tão giras, do café mais emblemático da cidade (hei-de desenhá-lo). Em casa, depois, colori-o. Aqui deixo os passos da aguarela:


E o aspecto final:

10 de março de 2015

UMA LISBOA TROPICAL


Sob este sol meridional Lisboa é toda ela luz... Na vista que aqui trago, colhida do lado de Almada, vê-se o casario de Alfama, o Panteão, a Sé e, rente ao rio, a Praça do Comércio. Uma vista mil vezes esboçada, pintada e interpretada, eu sei, mas aqui está ela, revisitada desta vez por mim, em tons tropicais. Comecei pelo ocre dos ministérios e pelo castanho queimado dos telhados:


Passei depois aos azuis, do céu e do rio, e aos mil tons dos edifícios, em cascata, espreguiçando-se à brisa morna...


Por fim, os reflexos - num Tejo límpido, jovial - e, por trás da ponte Vasco da Gama, indícios da outra margem...


E aqui a deixo, sorrindo, de cara ao sul: 



9 de março de 2015

QUANDO NO INVERNO PARECE VERÃO


Foram três dias de sol e calor em pleno inverno, com bikini, piscina e praia (quente e deserta!) à discrição e muitos passeios, a pé e de bicicleta, em redor da marina. Belo fim-de-semana, portanto, neste início arrojado de Março, numa Vilamoura transfigurada de placidez e quietude. E eu, munida do meu bloco de desenho, lá registei um bocadinho deste parêntesis inesperado, sentada na margem oeste da marina com a bicicleta estacionada ao lado:


O desenho, coitado, saiu todo torto e desproporcionado, mas dei-lhe direito à vidinha. E depois, no hotel, transformei-o nesta aguarelazita inglória mas a cheirar a maresia:


Por muita chuva que ainda aí venha (Abril, águas mil, etc e tal), este reservatório extemporâneo de vitamina D já ninguém me tira. :) 

3 de março de 2015

A PONTE É UMA PASSAGEM...


... já cantavam os Jafumega (lembram-se?). Pois esta ponte é a de D. Luiz (com Z, segundo a ortografia da placa original, ainda patente) e é uma "passagem para a outra margem"... de Gaia. Voltei à Ribeira, portanto, mas desta vez para a minha primeira aguarela de rio, com reflexos e suaves ondulações da brisa à superfície da água. E, de bónus, um barco rabelo: genuíno, com os seus pipos e o seu altivo mastro!



Primeiras pinceladas: o céu de inverno, que estava limpo e luminoso, e a encosta da serra do Pilar. Optei por sintetizar, "pontilhando", aqui e ali, algumas sugestões de cor. Depois, a marginal do lado da Ribeira e os reflexos do barco:



Fui tentando dar mais densidade à aguarela, escurecendo as sombras e a linha da água lá ao fundo. Passei finalmente à complexa estrutura de ferro da ponte, bastante aldrabada, que é afinal de um belo tom de azul, e não cinzenta (como eu sempre pensara):



Por fim, adicionei uns tons verdáceos ali à esquerda, sobre as pedras junto à agua, com musgos e limos, e dei a aguarela por terminada:


É verdade o prazer que dizem advir de pintar a água... Vou tentar mais vezes.

2 de março de 2015

O MEU CADEIRÃO


É um Corbusier que veio com um "brinde" da loja, onde era o último da colecção: uns riscos fundos no couro, pelos quais não obtive desconto algum, pffff! Mas lá me mentalizei que lhe davam patine e passei adiante... Olho para ele sempre que me sento no sofá do escritório, vendo-o ali junto à varanda e aos livros da estante, com a yucca a verdejar lá fora, e continuo a gostar das suas linhas geométricas e limpas:


A aguarela começou pela dita yucca e suas folhas pontiagudas, passando às cores variadas do kilim:


Depois vieram os livros, multicores e trabalhosos, seguidos do primeiro problema: a cor do soalho. Não sei por que carga de água o castanho me saiu esverdeado... Mas está a andar que se faz tarde!


O cadeirão veio de seguida e, para terminar, toques de sombra aqui a ali:


Ah, e a correcção da cor do soalho, com uma capa de siena queimada:


Aqui fica a "obra" terminada, para registo futuro, com tons bem mais vivos do que costumo usar. É o meu segundo desenho de interiores, e descobri que também gosto de rabiscar estes espaços domésticos, mais pessoais. Que vos parece?

25 de fevereiro de 2015

E O MAR LÁ AO FUNDO...


Quem conhece a Foz, no Porto, conhece também a Rua de Diu, que desce perpendicularmente à linha da costa até à Rua da Srª da Luz, no início da Av. do Brasil. Neste desenho, feito num dia cinzento de Janeiro a ameaçar chuva, vê-se um aglomerado de prédios - antigos e modernos - à esquerda e, lá ao fundo, o mar. Fi-lo de dentro do carro, onde, abrigada do vento, me pude deter com mais conforto a captar o momento:


Desta vez voltei às linhas a lápis, aguareladas mais tarde em casa. Mas não registei os passos do processo, pelo que deixo aqui apenas o produto final:


Até breve!