27 de maio de 2015

REGRESSO A ITÁLIA


Uma viagem de trabalho à Toscana sabe sempre um bocadinho a lazer. Que sorte! Depois de sete anos sem lá voltar, eis que um intercâmbio docente Erasmus me faz regressar a Florença em pleno Maio - um mês em que já há muitos turistas, mas não tantos como no Verão. Primeiro parei em Bolonha, onde fiz dois esboços que, agora, pude aguarelar. O primeiro mostra as "Duas Torres" no coração da cidade, inclinadas uma para a outra como que a cumprimentar-se. Sim, não é só em Pisa que os italianos erraram nos cálculos do fio de prumo! Comecei pela da direita, a Torre Asinelli, e depois passei à Garisenda, mais baixa e discreta:


Cá em baixo, trabalhos na estrada, com sinais, vedações, focos coloridos e muita confusão, que optei obviamente por não representar em detalhe. Gente também, muita! Mas fiquei-me por algumas figuras no canto inferior direito: 


O céu, luminoso, e o pináculo da Asinelli quase a perfurá-lo:



E aqui deixo a aguarela terminada, com os fios dos eléctricos suspensos no ar. Li que a Torre Asinelli, construída em 1109, tem quase 100 metros (97, para ser exacta) e uma inclinação de 2,2 m. A Torre Garisenda só tem 47 metros mas uma inclinação mais acentuada (3,2 m). Que vos parece? Gostam das "Due Torri"? 


Finalmente, como prova, a "yours truly" in situ:


15 de maio de 2015

ÀS PORTAS DA CIDADE


Mais um desenho de Braga, e mais um do Arco da Porta Nova. Desta vez, no entanto, o ângulo é o oposto do que representei na anterior aguarela, olhando-se agora de fora para dentro. O esboço era exigente, com prédios altos em primeiro plano e, mais uma vez, muitas janelas. O Arco, esse, precisou de várias camadas de tinta, para dar voz a tantas marcas do tempo:


As janelas eram de todos os tipos: das de guilhotina às de abertura longitudinal, altas e baixas, com e sem sacada:


Passei às sombras, carregando nos cantos e nos beirais, como os do Museu da Imagem, o prédio vermelho do lado esquerdo, que me saiu de um rosa desmaiado...


De seguida defini três transeuntes - um, distante, caminhando devagar, e duas jovens em primeiro plano, todas despachadas - terminando, por fim, com o céu claro lá em cima:


Acabado!



5 de maio de 2015

MIL E UMA JANELAS


É um dos conjuntos de fachadas mais bonitos de Braga, cheio de cor e pormenor, em plena Rua do Souto. Fica em frente a um edifício que me é particularmente querido: a Reitoria da Universidade, outrora Paço Episcopal, onde defendi a minha tese de doutoramento e fiz as provas de agregação. Deitei mãos à obra, não sem antes ser assaltada por alguns pensamentos derrotistas: "onde me vou eu meter, com tantas janelas, e sacadas, e telhados?" Mas lá continuei, com paciência e determinação. Mais tarde vieram as cores, que desta vez tiveram uma função meramente decorativa, já que a informação estava toda no desenho:


Alguns dos prédios estão revestidos a azulejo (glup, mais pormenores) e no meu desenho passavam peões, uma das quais com um cão que me saiu um pouco como uma raposa (ou um qualquer mamífero de quatro patas, em todo o caso):


Aleluia, missão cumprida!


Trata-se de um desenho que, realmente, leva toda a primazia à aguarela, deixando pouco à imaginação. Foi um bom exercício, mas quero treinar mais a síntese nos próximos trabalhos. A ver vamos.

1 de maio de 2015

PONTO DE FUGA


Sentada à sombra numa das muitas esplanadas do centro histórico de Braga, tive tempo de sobra para captar a perspectiva afunilada dos prédios antigos que se situam no enfiamento do Arco da Porta Nova. Trata-se de uma rua pedonal, a D. Diogo de Sousa, muito bem conservada, com algum comércio tradicional e muitos cafés. O desenho tinha muita informação, mas optei por só a detalhar um pouco mais no primeiro plano. Depois de alguns avanços e recuos (leia-se, vários erros e rasuras), acabei por gostar do meu esboço, com linhas rectas e limpas:


A cor veio depois em casa. Do lado esquerdo, muitas varandas - algumas floridas! Do lado direito, sacadas com grades de ferro trabalhado:


Ao fundo, as portas da cidade, e em primeiro plano um lojista, de mãos atrás das costas (ficou um pouco marreco, mas paciência):


Manchas de sombra no chão e de azul no céu e...


Pronta! Eis a minha aguarela de uma tarde de sol em plena Primavera:


28 de abril de 2015

UMA FACHADA BARROCA


Braga é conhecida como "Cidade Barroca", e os Paços do Concelho, onde funciona a Câmara Municipal, fazem-nos perceber porquê. Trata-se de um exemplar lindíssimo, do séc. XVIII, a juntar a numerosos outros. Numa tarde de Março fui até à Praça do Município e, sentada num dos bancos de pedra, rabisquei parte da fachada - da autoria de André Soares. As cores, acrescentei-as apenas hoje:


Desta vez optei por um estilo mais livre - leia-se, borratado. E mantive o traço a lápis, sem reforço de tinta:


À hora a que captei o desenho, as sombras já se alongavam...



Mas o céu estava limpo, de um azul pálido, ainda com sabor invernal:


24 de abril de 2015

NANÁ NOS BRAÇOS DE MORFEU


Foi apanhada na rua mas teve direito a nome de heroína de Balzac. Um nome, diga-se de passagem, que lhe assenta como uma luva, criatura bela e sedutora que ela é. A Naná é também uma óptima companhia. Terna e silenciosa, costuma aninhar-se ao pé de mim, no sofá, enquanto escrevo no computador. Quando a vi nesta posição adorável, de braços postos ao peito em pleno sono, não resisti a fazer-lhe o retrato. Aqui deixo os passos da aguarela:


E, secas as tintas, a Naná ficou assim plasmada para a posteridade:


Confesso que esta foi a primeira aguarela, desde que comecei esta aventura de sketching, que vai ter direito a ir para uma parede cá de casa, com moldura e tudo. A minha filha mais velha reclamou-a para o quarto dela, apesar daquela mancha teimosa que ficou a li a enodoar o fundo branco...

20 de abril de 2015

7º ENCONTRO URBAN SKETCHERS PORTUGAL NORTE


Foi ontem, no Parque da Cidade, no Porto. Depois de umas nuvens matinais ameaçadoras, pôs-se um dia lindo, com o céu totalmente azul. Cheguei pela hora do almoço, a tempo justamente do piquenique em grupo, junto ao lago. Comida a quiche (obrigada, Elsa!), pus-me a desenhar o lago e todo o mosaico verdejante de árvores como cenário. Não foi fácil! Junto à margem, um casal de namorados... namorava.  E a água resplandecia ao sol. Aguarelei o sketch mesmo ali:


Depois, fomos para o Pavilhão da Água. Sentada num banco de jardim "a sério" (as pedras irregulares junto ao lago não tinham sido a melhor opção, eheh), registei o edifício - que esteve em tempos na Expo 98. É uma caixa semi-suspensa sobre um declive, com barras horizontais e uma estrutura em ferro ligeiramente inclinada para trás. Tenho de lá voltar para o visitar por dentro:


Os desenhos ficaram fracos, mas foi uma bela tarde, com boa conversa, óptima companhia e muitas gargalhadas. E aqui fica a fotografia do grupo da tarde:


16 de abril de 2015

ÁGUAS DE ABRIL


Tom Jobim falava das "águas de Março", mas o Desafio nº 53 dos USkP era sobre as chuvas de Abril. Receei inicialmente que o tempo soalheiro e primaveril de princípios do mês não me fornecesse material adequado... Mas bastou esperar uns dias e lá vieram umas boas chuvadas, a refrescar as temperaturas já cálidas. Este esboço foi feito nos Aliados, no Porto, a partir do que foi outrora o belíssimo Café Imperial (e hoje, tristemente, mais um McDonald's). Ao fundo, vê-se o edifício "A Nacional":


As árvores já estão verdejantes neste Abril generoso, com folhas tenras por vezes plenamente desabrochadas. E a "menina nua" (estátua de Henrique Moreira, 1929), lá continua, sentada no seu pedestal, olhando absorta quem passa:


Um turista estacionou, de guia na mão, com mochila e calções a preceito. E uma senhora de botas passou apressada... 


No passeio molhado, finalmente, muitos reflexos:


São chuvas rápidas, estas, entremeadas de primavera... Dão-nos vontade de mudar a letra de Jobim:

        São as águas de Abril abrindo o Verão
        É a promessa de vida no teu coração

12 de abril de 2015

SERENAMENTE, JUNTO AO RIO


Ainda a Primavera não tinha chegado (devíamos estar no fim de Fevereiro) quando fiz este esboço de Fão:


No céu o azul, nas casas o branco, no rio os barcos e, por todo o lado, o vento... Só agora lhe peguei de novo, ao meu esboço, para lhe devolver as cores. Por sinal, a escolha de uma caneta Pilot G-Tec-C4 foi muito infeliz: ao contrário das Staedtler que costumo usar, esta borratou aos primeiros toques do pincel:


Mas perseverei. E lá percorri os castanhos dos telhados, do chão e da única árvore que mantive:


Passei às sombras: do edifício octogonal em primeiro plano, do quartel dos bombeiros, ao fundo, e dos barcos junto ao pilar da ponte de ferro: 


E ficou assim:




5 de abril de 2015

OUTRA VEZ A RIBEIRA


Quem se cansa destas cores, deste sobe-e-desce da linha dos telhados, dos caprichos que estas janelas e sacadas desenham junto ao rio? Eu não. Voltei ali noutro dia de sol, mas desta vez o meu registo foi sintético - ou pelo menos foi-o mais do que na minha anterior abordagem. Abstive-me dos detalhes e fiquei-me pelos traços soltos. Depois, as cores - os rosas, os ocres e os azuis:


Logo os tons de pedra e o mobiliário garrido da esplanada:


Os negros e os cinzas, com os quais dei forma às janelas e marquei as sombras:


 Por fim, o cubo, dois peões e o chão de granito:


E tive de me conter para não estragar tudo com um céu azul...


Mais uma experiência, mais uma possibilidade. Esta, rápida e espontânea, como um breve apontamento...

2 de abril de 2015

NÃO EXACTAMENTE UM "TRINTA E UM"...


Pois não: em rigor, não foi um "trinta e um" ou, segundo o dicionário, "um problema, uma coisa difícil de resolver". Foi apenas um... "vinte e quatro" aquilo que o meu filho de 4 anos armou, ou melhor, escreveu sobre o meu desenho. E eu resolvi o assunto com facilidade, ignorando-o! Mas comecemos pelo princípio. Foi ainda em Janeiro que, recém-chegados de Madrid, quis fazer o meu primeiro desenho de Braga. Fui por isso ao Bom Jesus, onde estacionei o carro junto à Casa de Chá. Estava a anoitecer apesar de serem cinco da tarde (os dias são curtos em Janeiro), pelo que tive de me apressar com o esboço:


Já em casa, deixei-o por ali, um pouco esquecido. Uns dias depois, apeteceu-me aguarelá-lo, mas eis o que encontrei: um 2 e um 4 bem visíveis sobre o fundo branco, escritos com a minha caneta de tinta permanente. Logo adivinhei quem tinha sido o "artista"! Mas não me zanguei nem desafinei e lá avancei com as cores:


Céu, cedros, rua...


Telhado e portão...


E assim ficou:


Vá lá, concedamos, aquele "24" até que não fica ali nada mal. Trata-se do meu primeiro "urban sketch" a duas mãos!