1 de maio de 2015

PONTO DE FUGA


Sentada à sombra numa das muitas esplanadas do centro histórico de Braga, tive tempo de sobra para captar a perspectiva afunilada dos prédios antigos que se situam no enfiamento do Arco da Porta Nova. Trata-se de uma rua pedonal, a D. Diogo de Sousa, muito bem conservada, com algum comércio tradicional e muitos cafés. O desenho tinha muita informação, mas optei por só a detalhar um pouco mais no primeiro plano. Depois de alguns avanços e recuos (leia-se, vários erros e rasuras), acabei por gostar do meu esboço, com linhas rectas e limpas:


A cor veio depois em casa. Do lado esquerdo, muitas varandas - algumas floridas! Do lado direito, sacadas com grades de ferro trabalhado:


Ao fundo, as portas da cidade, e em primeiro plano um lojista, de mãos atrás das costas (ficou um pouco marreco, mas paciência):


Manchas de sombra no chão e de azul no céu e...


Pronta! Eis a minha aguarela de uma tarde de sol em plena Primavera:


28 de abril de 2015

UMA FACHADA BARROCA


Braga é conhecida como "Cidade Barroca", e os Paços do Concelho, onde funciona a Câmara Municipal, fazem-nos perceber porquê. Trata-se de um exemplar lindíssimo, do séc. XVIII, a juntar a numerosos outros. Numa tarde de Março fui até à Praça do Município e, sentada num dos bancos de pedra, rabisquei parte da fachada - da autoria de André Soares. As cores, acrescentei-as apenas hoje:


Desta vez optei por um estilo mais livre - leia-se, borratado. E mantive o traço a lápis, sem reforço de tinta:


À hora a que captei o desenho, as sombras já se alongavam...



Mas o céu estava limpo, de um azul pálido, ainda com sabor invernal:


24 de abril de 2015

NANÁ NOS BRAÇOS DE MORFEU


Foi apanhada na rua mas teve direito a nome de heroína de Balzac. Um nome, diga-se de passagem, que lhe assenta como uma luva, criatura bela e sedutora que ela é. A Naná é também uma óptima companhia. Terna e silenciosa, costuma aninhar-se ao pé de mim, no sofá, enquanto escrevo no computador. Quando a vi nesta posição adorável, de braços postos ao peito em pleno sono, não resisti a fazer-lhe o retrato. Aqui deixo os passos da aguarela:


E, secas as tintas, a Naná ficou assim plasmada para a posteridade:


Confesso que esta foi a primeira aguarela, desde que comecei esta aventura de sketching, que vai ter direito a ir para uma parede cá de casa, com moldura e tudo. A minha filha mais velha reclamou-a para o quarto dela, apesar daquela mancha teimosa que ficou a li a enodoar o fundo branco...

20 de abril de 2015

7º ENCONTRO URBAN SKETCHERS PORTUGAL NORTE


Foi ontem, no Parque da Cidade, no Porto. Depois de umas nuvens matinais ameaçadoras, pôs-se um dia lindo, com o céu totalmente azul. Cheguei pela hora do almoço, a tempo justamente do piquenique em grupo, junto ao lago. Comida a quiche (obrigada, Elsa!), pus-me a desenhar o lago e todo o mosaico verdejante de árvores como cenário. Não foi fácil! Junto à margem, um casal de namorados... namorava.  E a água resplandecia ao sol. Aguarelei o sketch mesmo ali:


Depois, fomos para o Pavilhão da Água. Sentada num banco de jardim "a sério" (as pedras irregulares junto ao lago não tinham sido a melhor opção, eheh), registei o edifício - que esteve em tempos na Expo 98. É uma caixa semi-suspensa sobre um declive, com barras horizontais e uma estrutura em ferro ligeiramente inclinada para trás. Tenho de lá voltar para o visitar por dentro:


Os desenhos ficaram fracos, mas foi uma bela tarde, com boa conversa, óptima companhia e muitas gargalhadas. E aqui fica a fotografia do grupo da tarde:


16 de abril de 2015

ÁGUAS DE ABRIL


Tom Jobim falava das "águas de Março", mas o Desafio nº 53 dos USkP era sobre as chuvas de Abril. Receei inicialmente que o tempo soalheiro e primaveril de princípios do mês não me fornecesse material adequado... Mas bastou esperar uns dias e lá vieram umas boas chuvadas, a refrescar as temperaturas já cálidas. Este esboço foi feito nos Aliados, no Porto, a partir do que foi outrora o belíssimo Café Imperial (e hoje, tristemente, mais um McDonald's). Ao fundo, vê-se o edifício "A Nacional":


As árvores já estão verdejantes neste Abril generoso, com folhas tenras por vezes plenamente desabrochadas. E a "menina nua" (estátua de Henrique Moreira, 1929), lá continua, sentada no seu pedestal, olhando absorta quem passa:


Um turista estacionou, de guia na mão, com mochila e calções a preceito. E uma senhora de botas passou apressada... 


No passeio molhado, finalmente, muitos reflexos:


São chuvas rápidas, estas, entremeadas de primavera... Dão-nos vontade de mudar a letra de Jobim:

        São as águas de Abril abrindo o Verão
        É a promessa de vida no teu coração

12 de abril de 2015

SERENAMENTE, JUNTO AO RIO


Ainda a Primavera não tinha chegado (devíamos estar no fim de Fevereiro) quando fiz este esboço de Fão:


No céu o azul, nas casas o branco, no rio os barcos e, por todo o lado, o vento... Só agora lhe peguei de novo, ao meu esboço, para lhe devolver as cores. Por sinal, a escolha de uma caneta Pilot G-Tec-C4 foi muito infeliz: ao contrário das Staedtler que costumo usar, esta borratou aos primeiros toques do pincel:


Mas perseverei. E lá percorri os castanhos dos telhados, do chão e da única árvore que mantive:


Passei às sombras: do edifício octogonal em primeiro plano, do quartel dos bombeiros, ao fundo, e dos barcos junto ao pilar da ponte de ferro: 


E ficou assim:




5 de abril de 2015

OUTRA VEZ A RIBEIRA


Quem se cansa destas cores, deste sobe-e-desce da linha dos telhados, dos caprichos que estas janelas e sacadas desenham junto ao rio? Eu não. Voltei ali noutro dia de sol, mas desta vez o meu registo foi sintético - ou pelo menos foi-o mais do que na minha anterior abordagem. Abstive-me dos detalhes e fiquei-me pelos traços soltos. Depois, as cores - os rosas, os ocres e os azuis:


Logo os tons de pedra e o mobiliário garrido da esplanada:


Os negros e os cinzas, com os quais dei forma às janelas e marquei as sombras:


 Por fim, o cubo, dois peões e o chão de granito:


E tive de me conter para não estragar tudo com um céu azul...


Mais uma experiência, mais uma possibilidade. Esta, rápida e espontânea, como um breve apontamento...

2 de abril de 2015

NÃO EXACTAMENTE UM "TRINTA E UM"...


Pois não: em rigor, não foi um "trinta e um" ou, segundo o dicionário, "um problema, uma coisa difícil de resolver". Foi apenas um... "vinte e quatro" aquilo que o meu filho de 4 anos armou, ou melhor, escreveu sobre o meu desenho. E eu resolvi o assunto com facilidade, ignorando-o! Mas comecemos pelo princípio. Foi ainda em Janeiro que, recém-chegados de Madrid, quis fazer o meu primeiro desenho de Braga. Fui por isso ao Bom Jesus, onde estacionei o carro junto à Casa de Chá. Estava a anoitecer apesar de serem cinco da tarde (os dias são curtos em Janeiro), pelo que tive de me apressar com o esboço:


Já em casa, deixei-o por ali, um pouco esquecido. Uns dias depois, apeteceu-me aguarelá-lo, mas eis o que encontrei: um 2 e um 4 bem visíveis sobre o fundo branco, escritos com a minha caneta de tinta permanente. Logo adivinhei quem tinha sido o "artista"! Mas não me zanguei nem desafinei e lá avancei com as cores:


Céu, cedros, rua...


Telhado e portão...


E assim ficou:


Vá lá, concedamos, aquele "24" até que não fica ali nada mal. Trata-se do meu primeiro "urban sketch" a duas mãos!

23 de março de 2015

CRIANÇAS FELIZES


Uma amiga minha pediu-me que lhe pintasse umas aguarelas com crianças felizes. Pensei logo em praia, em sol e em brincadeiras junto ao mar. Recordei-lhe, no entanto, a minha absoluta falta de "expertise" na matéria: mais uma vez, e em aguarelas sem linha ainda mais, tudo o que faço é "a olho", com muitas dúvidas e poucas certezas. A inspiração fui buscá-la aos óleos e acrílicos lindíssimos da Lucelle Raad. Bom, é quase um sacrilégio recriar aqueles quadros, tão fluidos, tão naturais e com aquele toque de Sorolla tão luminoso e solto! Mas enfim, lá avancei. O primeiro ensaio, de três rapazinhos, ficou assim:


Depois, passei para as três meninas (a separação de género foi meramente acidental!). Desta feita, dispus-me a registar as fases do processo. Primeiro, os cabelos:


Depois, os baldes de praia:


De seguida, os trajes de banho e a pele, sempre o desafio maior:


Fui continuando...


E, por fim, pintei a areia, as sombras e o mar:


E ficou assim:


Ah, e já agora mostro também as aguarelas já emolduradas:


Espero que a minha amiga me desculpe por estragar a surpresa desta maneira e mostrar o presente acabado...

15 de março de 2015

UM CASTELO QUE ESPREITA


Fica no coração de Braga, por trás da Arcada, poupado ao bulício do trânsito. Este ângulo é o que se vê da Brasileira, no enfiamento de uma quelha que, noto-o agora, fica no lugar do que outrora foi a continuação do edifício. Fiz o esboço enquanto tomava um "café de saco", numa das mesas de tampo de vidro redondo, tão giras, do café mais emblemático da cidade (hei-de desenhá-lo). Em casa, depois, colori-o. Aqui deixo os passos da aguarela:


E o aspecto final:

10 de março de 2015

UMA LISBOA TROPICAL


Sob este sol meridional Lisboa é toda ela luz... Na vista que aqui trago, colhida do lado de Almada, vê-se o casario de Alfama, o Panteão, a Sé e, rente ao rio, a Praça do Comércio. Uma vista mil vezes esboçada, pintada e interpretada, eu sei, mas aqui está ela, revisitada desta vez por mim, em tons tropicais. Comecei pelo ocre dos ministérios e pelo castanho queimado dos telhados:


Passei depois aos azuis, do céu e do rio, e aos mil tons dos edifícios, em cascata, espreguiçando-se à brisa morna...


Por fim, os reflexos - num Tejo límpido, jovial - e, por trás da ponte Vasco da Gama, indícios da outra margem...


E aqui a deixo, sorrindo, de cara ao sul: