Este foi o segundo dos dois desenhos que consegui fazer no zoo de Stº Inácio, de cuja visita no início de Agosto já aqui falei. Depois da arara, outra ave, e doméstica por sinal. Cheia de calor meti-me na estufa, onde havia sombras frescas e água a correr - e um banco com musgo onde me sentei confortavelmente. À minha frente um pato-real em pé coxinho meditava numa pedra junto ao lago. Mais uma pose ideal, a não desperdiçar. Desta vez, depois de feito o esboço aventurei-me a pegar nas minhas aguarelas. Mancha para aqui, sombra para acolá... e o desenho lá se foi preenchendo. Mas estava a levar demasiado tempo. Depois de três quartos de hora bem medidos, e com o meu cônjuge e o meu rebento a exasperarem enquanto entravam e saíam a saber de mim, resolvi interromper a empreitada:
23 de agosto de 2015
21 de agosto de 2015
UMA LÍNGUA DE TERRA
Água por todos os lados excepto por um - a definição de península. Foi a minha primeira estadia na de Tróia (só a conhecia de visita rápida), e gostei tanto que espero voltar. Depois de muito ócio abençoado, ao oitavo dia desenhei:

A aguarela mostra o panorama da minha varanda, uma extensão serena e tranquila, plena de azuis e verdes a convidar à pintura...

A aguarela mostra o panorama da minha varanda, uma extensão serena e tranquila, plena de azuis e verdes a convidar à pintura...
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Tróia
15 de agosto de 2015
A ARARA ENSONADA
Também eu fui ao zoo desenhar. Não ao de Sete Rios, mas ao de Stº Inácio, no Porto. O tempo foi pouco para observar tantos espécimes com a atenção merecida. Comecei pelos pássaros. Esta arara vermelha, ou Ara Chloropterus (ah pois, que julgam?, têm aqui uma perita), estava ensonada, em pleno calor do princípio da tarde, e eu fiquei-lhe agradecida. Deu-me tempo para fazer um esboço decente, de corpo inteiro e com parte do canavial incluído, embora com traços muito soltos, pouco detalhados:
As cores pu-las em casa. Oh, que maravilha poder usar os tons quase puros naquela plumagem inacreditável!
Sei que a composição deixa um pouco a desejar: que a figura deveria estar voltada para dentro e não para fora do desenho; que o tronco da árvore não deveria surgir no centro exacto da moldura; que as canas na retaguarda também não deveriam produzir simetrias... Mas com o calor que estava já me dou por satisfeita!
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Animais
8 de agosto de 2015
À SOMBRA DE UMA VIDEIRA
O segundo desenho que fiz de Marialva foi o ângulo quase oposto ao anterior. Junto à piscina, sob o caramanchão coberto de parras, pus-me a olhar para cima, para o pequeno morro murado. O esboço, incaracteristicamente pintado no local, saiu-me fracote, mas aqui o deixo a título de registo documental:
Mas se a aguarela não ficou famosa, a fotografia tirada mal a acabei consegue raiar a dor de olhos:
Não me perguntem que abertura ou exposição são estas; só sei que pedi emprestado o tijol-, perdão, o telemóvel ao meu cônjuge, que não acredita nada em actualização tecnológica, e foi isto que me saiu. É caso para dizer: muita parra... pouca uva!
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Marialva
6 de agosto de 2015
VISITA A MARIALVA
Não sei se conhecem Marialva. É uma aldeia histórica na Beira Alta profunda, entre Trancoso e Foz Côa. Para lá se chegar, há que ter alguma persistência - mas vale bem a pena! O casario, todo em granito, sobe até ao castelo por ruelas irregulares, também empedradas, numa harmonia rara noutras paragens. Mas, pergunta-se o viajante, onde ficar?... Dir-se-ia que todas aquelas casas, aparentemente modestas, são habitadas por pessoas locais, e não se divisa edifício algum que pareça destinado à hotelaria. Doce engano! As Casas do Côro, projecto de vida de um casal lisboeta com cinco filhos, são um tesouro escondido de conforto e bom gosto. E, à noite, a sala de jantar abre-se para refeições requintadas, confeccionadas sob a orientação da sábia proprietária. Do morro contíguo à piscina, avista-se o castelo e parte das casas. E eu, sentada num deck com camas ao ar livre e cortinas de dossel (isto é só para fazer inveja, eheh), quis registar o quadro:
Foi a terceira vez que aqui estivemos - a primeira, quando as casas adaptadas eram muito poucas, há já bastante tempo, no início dos anos 2000. Agora, o projecto cresceu, mas manteve a filosofia de preservação cuidadosa da arquitectura rústica e de fusão com a aldeia. Quer-me parecer que havemos de cá voltar...
Foi a terceira vez que aqui estivemos - a primeira, quando as casas adaptadas eram muito poucas, há já bastante tempo, no início dos anos 2000. Agora, o projecto cresceu, mas manteve a filosofia de preservação cuidadosa da arquitectura rústica e de fusão com a aldeia. Quer-me parecer que havemos de cá voltar...
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Marialva
4 de agosto de 2015
UMA ESPÉCIE DE DÍPTICO
Aparentemente uno e coeso, este desenho é na realidade composto de dois desenhos independentes. Trata-se ainda do 10º Encontro USkPN de 26 de Julho. A descida a partir da Sé teve, uns escassos metros mais abaixo, um primeiro ponto consensual de paragem: o terraço da Igreja dos Grilos, de onde se avista um panorama tão complexo como encantador, desdobrando-se em cascata até ao rio:
Na minha habitual inépcia, não fui capaz de encaixar toda a informação numa só página do caderno. Tive pois de recorrer a duas páginas autónomas, nas quais ficaram gravados dois momentos de observação e dois níveis de composição urbana, num puzzle que só a posteriori consegui articular. Primeiro, desenhei a parte da esquerda, mais baixa e numa escala ligeiramente maior; depois, aventurei-me para a vista à direita, com um skyline mais rico, ornado de torreões, cúpulas e campanários e rematado pelo casario em primeiro plano, mesmo junto ao muro do terraço:
Faltam agora as cores... Será que virão?
Ah, por falar em cores lembro-me agora: sim, fiquei com um valente escaldão nas costas, ainda por cima na horizontal, com o feitio da blusa gravado na pele para a posteridade estival. Podemos ver nesta fotografia a peça em causa, bem como os raios do meio-dia em plena acção:
(Armando, Jorge, Elsa, eu, Hugo, António, Ana Isabel e Cláudia)
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Porto
29 de julho de 2015
OS CLÉRIGOS VISTOS DA SÉ
Encontrámo-nos no Terreiro da Sé, na manhã de um domingo sereno, já quase a fechar Julho. Embora o plano fosse começar logo a descida, preferimos ficar por ali um pouco mais, tão desenhável é o local. E, claro, a vista da Torre dos Clérigos lá ao fundo, erguendo-se altiva por trás do casario, foi o motivo escolhido por vários de nós, ou não fosse o ângulo que a apanhava um dos poucos à sombra...
Este foi o meu primeiro esboço aproveitável do dia, bastante rápido para mim (menos de 15 minutos). Antes tinha perdido demasiado tempo numa tentativa abortada do pelourinho, que ficou com céu a mais e terreiro a menos, transparecendo ingloriamente nas costas do desenho:
E, aqui, uma fotografia de parte do grupo antes de zarpar, já a sermos chamados para dar corda aos sapatos:
O Pedro, eu, o Armando (com cara de seca pela demora) e a Elsa. O Jorge estava por trás da objectiva; a Ana Isabel e a Cláudia, ali por perto; o Tiago, o Hugo, a Margarida e o resto do grupo já no Terraço dos Grilos... Ui, toca a andar que se faz tarde!
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Encontros de desenho,
Porto
28 de julho de 2015
À ESPERA DO ALMOÇO
Depois de uma manhã ensolarada de Domingo a desenhar pela colina da Sé do Porto, descemos até à Ribeira e parámos numa esplanada mesmo junto ao Cubo. Estava calor. E tínhamos fome. E os pratos demoravam. Mas resolvi pegar no bloco para matar tempo. À minha frente sentavam-se a Elsa, o Armando e o Jorge. Entre um nariz e uma orelha o tempo voou e, quando menos dei conta, lá chegaram as vitualhas. Não, não comemos bem, mas estivemos em óptima companhia!
As cores vieram em casa. Quanto aos desenhos da urbe, esses mostrarei depois. Ah, e deixo aqui uma fotografia tirada pelo Jorge, em que estamos também em compasso de espera, mas ainda a tentar decidir onde ir... A base do Cubo vê-se mesmo atrás de nós. O estômago a dar horas é que, felizmente, não.
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Pessoas
23 de julho de 2015
O PARADOR
Ainda não tinha mostrado o segundo desenho que fiz em Baiona. Trata-se de uma vista contígua à anterior, mas mais à esquerda, captando o Parador — nome muito adequado neste caso, por sinal, pois trata-se de um sítio onde apetece realmente parar. Fica dentro das muralhas do castelo, o qual por seu turno se situa na península que, ventosa e dramática, se projecta sobre o azul do mar.
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Baiona
17 de julho de 2015
UM DÓI-DÓI NA TESTA
Ter uma criança de 4 anos, ainda por cima rapaz, dá-nos água pela barba. Hoje é um joelho esfolado, amanhã um nariz ferido, no dia seguinte arranhões, pisaduras, contusões várias. Desta vez foi uma queda de trotinete, em cheio nos paralelos da rampa de pedra... Aiiiiiii, só de escrever até dói! Depois de um curativo rocambolesco, com direito a gritaria e três adultos em pânico (a irmã mais velha também estava), o convalescente lá acalmou, deitado na cama dos pais. Uns minutos depois, adormeceu. E eu, ainda com os olhos molhados (sim, é embaraçoso admiti-lo mas eu também chorei), velava-o. Quando vi que o sono estava plácido e os sinais de desconforto superados, achei-o irresistível de tão querido, ali adormecido com a gaze na testa. E quis captá-lo num desenho...
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Pessoas
13 de julho de 2015
O MAR DE BAIONA
O mar de Baiona, na Galiza, tem ilhas a enfeitar o horizonte e, nos dois dias que lá passei, estava de um azul resplandecente:
Bem, talvez o azul não fosse exactamente este, mas foi o que me saiu! O esboço, fi-lo sob um calor pouco habitual nestas terras do norte, pelo que foi bastante rápido. Do lado esquerdo vê-se a península em que está o castelo e, dentro dele, o Parador. À direita estão as ilhas Cíes:
E, no meu caderno, ficou a vontade de lá voltar.
Bem, talvez o azul não fosse exactamente este, mas foi o que me saiu! O esboço, fi-lo sob um calor pouco habitual nestas terras do norte, pelo que foi bastante rápido. Do lado esquerdo vê-se a península em que está o castelo e, dentro dele, o Parador. À direita estão as ilhas Cíes:
7 de julho de 2015
CORPOS AO SOL
Fora dos registos arquitectónicos e paisagísticos, trago hoje um desenho de pessoas. Só de pessoas — distraídas, alheadas, a gozar a tranquilidade de uma piscina ao fim da manhã. É engraçado observá-las a tomar banhos de sol, cada qual com o seu traje de banho, o seu corpo exposto, a sua intimidade a descoberto. Há-as altas e baixas, gordas e magras, velhas e novas. Mas todas se entregam ao culto do deus Sol, neste dolce far niente tão típico da estação.
E no mexe-que-mexe também são todas parecidas: é um tormento desenhá-las! Em 3 segundos já a mão está noutro lado, já o joelho subiu e o ombro desceu, já a cabeça se voltou escondendo as feições... As pernas desta senhora loura em primeiro plano, por exemplo, foram completamente inventadas. Estava eu a rabiscar a parte de baixo do biquini encarnado quando ela se afastou. Não tive outro remédio senão fazer-lhe este par de cilindros, que ainda por cima chocaram com a tumbona (isto foi em Baiona, na Galiza) da outra banhista a ler... Enfim, desditas de uma sketcher lenta demais para organismos móveis!
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Pessoas
4 de julho de 2015
UM MOINHO NA PRAIA
Eu sei que concorrer de novo aos desafios USkP quando tenho lá no cabeçalho, dia após dia, várias caretas e esgares meus a espantar os visitantes é esticar a corda. Estou a melgar toda a gente! Mas não resisti ao desafio do "Calor" — nativa de Agosto e do hemisfério Sul que sou. E acho, claro, que me podem sempre dar o "ghosting treatment". Sabem o que é, o mais recente neologismo da língua de Her Majesty? É o que, segundo o New York Times, a Charlize Theron fez ao Sean Penn para acabar o namoro: ignorar e não responder. É o mínimo que eu mereço, eheheh! E depois posso sempre ir pedir consolo ao Penn.
Mas aqui vai. Um moinho na praia. Calor e banhistas. Toldos e guarda-sóis. Mirones. E o mar a perder de vista... Ah, um pormenor circunstancial: a praia, olhando-se para o lado esquerdo, é rústica, de pescadores e de faina, com peixe fresco vendido na hora. Hei-de lá voltar para desenhar os barcos e as redes. É a Apúlia, onde desta vez fixei apenas o ócio de Verão.
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Apúlia,
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Mar
3 de julho de 2015
NO CABEÇALHO DOS USkP
Pois é, parece que o meu desenho para o Desafio 55 convenceu — ou, pelo menos, convenceu aqueles que se deram ao trabalho de votar, eheh! (Nada de vaidades, pois os votos são em percentagem muito modesta face ao contingente geral.) Mas foi um grande prazer ver que gostaram da minha brincadeira.
Aqui deixo, para registo futuro, e porque os cabeçalhos só ficam expostos durante o mês de Julho de 2015, a captura de ecrã do blogue:
(Confesso que aquela cara ali à direita, com o sorriso pateta e o nariz torto, me deixa um pouco embaraçada. E olhar para ela de cada vez que abro o blogue... enfim, causa-me uma pontinha de vergonha! Acho que vai espantar os visitantes todos por aqueles lados, mas paciência.)
E agora a página do Facebook:
Dizer que ainda há seis meses e pico nem sonhava que poderia vir a fazer parte da Comunidade dos Urban Sketchers... E agora estou ali a poluir-lhes o header! :) Trabalhei bem desde Dezembro, não acham?
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Desafios de desenho,
Pessoas
30 de junho de 2015
REIS E ESPIÕES
Foi no Estoril que, devido à neutralidade portuguesa, uma parte da realeza europeia se refugiou durante a Segunda Guerra Mundial. E o Hotel Palácio orgulha-se ainda hoje não só de ter servido de segunda casa a reis e rainhas mas também de ter albergado espiões britânicos e alemães, dando o mote a escritores e cineastas de mistério e suspense (não é por acaso que um dos filmes de James Bond, "Ao Serviço de Sua Majestade", foi filmado ali).
O desenho que aqui trago hoje não tem tiaras nem revólveres. Mas tem todo o encanto do edifício histórico de 1930, conservado na sua elegante simetria, intocado na sua tranquilidade luminosa. Voltar a um congresso num local destes é mais do que unir o útil ao agradável; é roubar um bocadinho de paz aos tempos conturbados que vivemos, saboreando um pequeno oásis de conforto e sossego. Esqueçamos por três dias a crise do euro!
O desenho que aqui trago hoje não tem tiaras nem revólveres. Mas tem todo o encanto do edifício histórico de 1930, conservado na sua elegante simetria, intocado na sua tranquilidade luminosa. Voltar a um congresso num local destes é mais do que unir o útil ao agradável; é roubar um bocadinho de paz aos tempos conturbados que vivemos, saboreando um pequeno oásis de conforto e sossego. Esqueçamos por três dias a crise do euro!
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Estoril
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