24 de setembro de 2015

ENCONTRO NA PICARIA


O 12º Encontro dos "Urban Sketchers Portugal Norte" foi na Rua da Picaria, em plena baixa do Porto. Adiado uma semana por causa do mau tempo, foi abençoado este domingo com uma tarde linda de Setembro, de uma luz gloriosa e um ar morno e sereno. Éramos poucos, mas divertidos e relaxados. O Encontro começou da melhor maneira: com o almoço. Ficámos logo no cimo da rua, no BaixaBurguer, e foi aí, confortavelmente sentada junto ao passeio, que fiz o meu primeiro esboço:


A vista que captei foi o Largo de Mompilher, com a Capela do Pinheiro no alto do seu muro e o casario circundante. Mais tarde, sentada num banco do largo, de frente para a Champanheria da Baixa, registei parte do conjunto de fachadas. Mas deixei-me ultrapassar pelo tempo, e o desenho ficou a meio:


Já eram horas da partilha de desenhos. E, para a posteridade, ficou a fotografia de grupo: com o Tiago, a Joana, o Reis, a Elsa, a Ilda e eu:


Mais tempo houvesse, mais desenhos teria havido de certeza. O sítio prestava-se e a companhia ajudava. Terão de ficar para a próxima!

21 de setembro de 2015

CONVERSA NA CATEDRAL


Se no romance de Vargas Llosa a conversa tem lugar num bar de Lima chamado "La Catedral", no meu caso a conversa decorreu ao lado de uma catedral a sério, a de Valladolid, e foi com uma senhora que estava sentada no banco onde me instalei, à sombra de uma árvore alta. Sem nunca se referir ao meu desenho (deve tê-lo achado pouco merecedor de menção), a senhora, aposentada, contou-me praticamente toda a sua vida. E eu fui escutando e rabiscando, enquanto compunha o segundo esboço que fiz na minha viagem à cidade este Julho:



Trata-se de um desenho um pouco complexo, com várias linhas de fuga e planos diversos. Com um ou outro gato, lá o dei por concluído, num registo convenientemente "incompleto". As cores, como quase sempre, foram aplicadas em casa e ficaram assim:





Ainda houve um terceiro desenho deste passeio ao centro de Espanha. Mostro-o depois.

15 de setembro de 2015

UMA SURPRESA NA MESETA


Fui em Julho a Valladolid em trabalho e fiquei surpreendida com a cidade. Julgava que ia encontrar um local perdido no meio da meseta ibérica, sem rasgo nem carácter. Mas, como acontece tanto na vizinha Espanha, a cidade tem não só um "casco histórico" digno de visita, como é enorme e muito bem conservada. O edifício da universidade, para começar, é uma beleza, mas as igrejas, praças e edifícios públicos, já para não falar nos numerosos quarteirões de habitação mais antigos, são imponentes e harmoniosos. Ali, no coração de Espanha, o calor não dá tréguas: 37º no primeiro dia; 42 no segundo. As ruas só ficam inundadas de gente ao cair da tarde, quando o sol vai mais baixo. Foi a essa hora, pelas 7 da tarde, que me atrevi a sair do hotel com o bloco de desenho na mão. Sentei-me na Plaza Mayor, de viés para a "Casa Consistorial" (a câmara municipal), e fiz este esboço:


Trata-se de um edifício de inspiração renascentista, construído no final do séc. XIX. Eram tantos os detalhes e tão abafado o ambiente na praça que me fiquei pela metade - ou, noutra leitura, por um "menos é mais"... Só agora, dois meses volvidos, lhe acrescentei a cor:



14 de setembro de 2015

UM PARLAMENTO JUNTO À ÁGUA


Da minha visita à Holanda, em 2005, deixo aqui um segundo desenho: uma vista de Haia, onde o Parlamento - o Binnenhof - é um belo edifico gótico implantando junto ao lago Hofvijver:


E deixo também a minha pessoa, "plantada" e desfocada, no mesmo local, mas a cores mais - hum... - sóbrias:


Haia tem uma zona balnear (a praia de Scheveningen), com um mar acinzentado e areal extenso, onde mesmo em Julho as temperaturas são pouco convidativas, e uma espécie de Portugal dos Pequenitos em versão holandesa, mas em escala mais reduzida - o Madurodam. Para mim, no entanto, o mais interessante da cidade é o Museu Mauritshuis, que fica à esquerda da imagem acima e onde se pode ver ao vivo pérolas como... "Rapariga com Brinco de Pérola", de Vermeer.

9 de setembro de 2015

BICICLETAS E CANAIS


Começo hoje neste espaço uma rubrica de "memórias". Trata-se de locais onde estive mas a que só agora dedico um desenho. Pretendo com isto guardar uma cronologia, embora aleatória, das minhas andanças por tantos sítios deste mundo e, assim, recordar melhor o que deles guardo e que me marcou.

Data de 2005 a minha visita a Amesterdão. Dez anos é muito tempo, mas a paisagem urbana da cidade é uma daquelas que se mantêm quase inalteráveis, um pouco cristalizadas até, ao longo dos tempos. Este desenho podia por isso, julgo, ter sido feito hoje. É uma vista banal, de um dos múltiplos conjuntos de fachadas ao longo dos canais. O hotel onde ficámos é o prédio branco mesmo ali no centro - o Ambassade.


Nesta fotografia, tirada numa ponte próxima daquela onde se capta a imagem acima, vêem-se os três símbolos da cidade: os canais, as bicicletas e... as sex shops. Eu apareço já preparada com o meu "outfit" pretensamente profissional para ir dar a minha comunicação à Vrije Universiteit. E estou constipada. Em Julho! O Verão holandês não é exactamente como o nosso...


Mas muito mais importante do que a comunicação académica, para mim, foi a visita ao Museu Anne Frank. Durante algumas horas, entra-se no espaço real onde ela, menina tão sensível e criativa, se escondeu – e quase escapou. Quase. Recomendo vivamente a todos os que estão a pensar visitar Amesterdão. Em mais de 20 anos de viagens, poucas coisas me tocaram tanto.

23 de agosto de 2015

ONDE ESTÁ O PATO?


Este foi o segundo dos dois desenhos que consegui fazer no zoo de Stº Inácio, de cuja visita no início de Agosto já aqui falei. Depois da arara, outra ave, e doméstica por sinal. Cheia de calor meti-me na estufa, onde havia sombras frescas e água a correr - e um banco com musgo onde me sentei confortavelmente. À minha frente um pato-real em pé coxinho meditava numa pedra junto ao lago. Mais uma pose ideal, a não desperdiçar. Desta vez, depois de feito o esboço aventurei-me a pegar nas minhas aguarelas. Mancha para aqui, sombra para acolá... e o desenho lá se foi preenchendo. Mas estava a levar demasiado tempo. Depois de três quartos de hora bem medidos, e com o meu cônjuge e o meu rebento a exasperarem enquanto entravam e saíam a saber de mim, resolvi interromper a empreitada:


Só hoje a terminei. A água foi muito difícil, com o repuxo a criar reflexos complicados, e o pato, bem...


...tantas foram as cores e tantas as formas que o dito se perdeu ali pelo meio, qual Wally a desafiar a nossa atenção.

21 de agosto de 2015

UMA LÍNGUA DE TERRA


Água por todos os lados excepto por um - a definição de península. Foi a minha primeira estadia na de Tróia (só a conhecia de visita rápida), e gostei tanto que espero voltar. Depois de muito ócio abençoado, ao oitavo dia desenhei:



A aguarela mostra o panorama da minha varanda, uma extensão serena e tranquila, plena de azuis e verdes a convidar à pintura...

15 de agosto de 2015

A ARARA ENSONADA


Também eu fui ao zoo desenhar. Não ao de Sete Rios, mas ao de Stº Inácio, no Porto. O tempo foi pouco para observar tantos espécimes com a atenção merecida. Comecei pelos pássaros. Esta arara vermelha, ou Ara Chloropterus (ah pois, que julgam?, têm aqui uma perita), estava ensonada, em pleno calor do princípio da tarde, e eu fiquei-lhe agradecida. Deu-me tempo para fazer um esboço decente, de corpo inteiro e com parte do canavial incluído, embora com traços muito soltos, pouco detalhados:


As cores pu-las em casa. Oh, que maravilha poder usar os tons quase puros naquela plumagem inacreditável!


Sei que a composição deixa um pouco a desejar: que a figura deveria estar voltada para dentro e não para fora do desenho; que o tronco da árvore não deveria surgir no centro exacto da moldura; que as canas na retaguarda também não deveriam produzir simetrias... Mas com o calor que estava já me dou por satisfeita!

8 de agosto de 2015

À SOMBRA DE UMA VIDEIRA


O segundo desenho que fiz de Marialva foi o ângulo quase oposto ao anterior. Junto à piscina, sob o caramanchão coberto de parras, pus-me a olhar para cima, para o pequeno morro murado. O esboço, incaracteristicamente pintado no local, saiu-me fracote, mas aqui o deixo a título de registo  documental:


Mas se a aguarela não ficou famosa, a fotografia tirada mal a acabei consegue raiar a dor de olhos:


Não me perguntem que abertura ou exposição são estas; só sei que pedi emprestado o tijol-, perdão, o telemóvel ao meu cônjuge, que não acredita nada em actualização tecnológica, e foi isto que me saiu. É caso para dizer: muita parra... pouca uva!

6 de agosto de 2015

VISITA A MARIALVA


Não sei se conhecem Marialva. É uma aldeia histórica na Beira Alta profunda, entre Trancoso e Foz Côa. Para lá se chegar, há que ter alguma persistência - mas vale bem a pena! O casario, todo em granito, sobe até ao castelo por ruelas irregulares, também empedradas, numa harmonia rara noutras paragens. Mas, pergunta-se o viajante, onde ficar?... Dir-se-ia que todas aquelas casas, aparentemente modestas, são habitadas por pessoas locais, e não se divisa edifício algum que pareça destinado à hotelaria. Doce engano! As Casas do Côro, projecto de vida de um casal lisboeta com cinco filhos, são um tesouro escondido de conforto e bom gosto. E, à noite, a sala de jantar abre-se para refeições requintadas, confeccionadas sob a orientação da sábia proprietária. Do morro contíguo à piscina, avista-se o castelo e parte das casas. E eu, sentada num deck com camas ao ar livre e cortinas de dossel (isto é só para fazer inveja, eheh), quis registar o quadro:


Foi a terceira vez que aqui estivemos - a primeira, quando as casas adaptadas eram muito poucas, há já bastante tempo, no início dos anos 2000. Agora, o projecto cresceu, mas manteve a filosofia de preservação cuidadosa da arquitectura rústica e de fusão com a aldeia. Quer-me parecer que havemos de cá voltar...

4 de agosto de 2015

UMA ESPÉCIE DE DÍPTICO


Aparentemente uno e coeso, este desenho é na realidade composto de dois desenhos independentes. Trata-se ainda do 10º Encontro USkPN de 26 de Julho. A descida a partir da Sé teve, uns escassos metros mais abaixo, um primeiro ponto consensual de paragem: o terraço da Igreja dos Grilos, de onde se avista um panorama tão complexo como encantador, desdobrando-se em cascata até ao rio:
Na minha habitual inépcia, não fui capaz de encaixar toda a informação numa só página do caderno. Tive pois de recorrer a duas páginas autónomas, nas quais ficaram gravados dois momentos de observação e dois níveis de composição urbana, num puzzle que só a posteriori consegui articular. Primeiro, desenhei a parte da esquerda, mais baixa e numa escala ligeiramente maior; depois, aventurei-me para a vista à direita, com um skyline mais rico, ornado de torreões, cúpulas e campanários e rematado pelo casario em primeiro plano, mesmo junto ao muro do terraço:


Faltam agora as cores... Será que virão? 

Ah, por falar em cores lembro-me agora: sim, fiquei com um valente escaldão nas costas, ainda por cima na horizontal, com o feitio da blusa gravado na pele para a posteridade estival. Podemos ver nesta fotografia a peça em causa, bem como os raios do meio-dia em plena acção:

(Armando, Jorge, Elsa, eu, Hugo, António, Ana Isabel e Cláudia)

29 de julho de 2015

OS CLÉRIGOS VISTOS DA SÉ


Encontrámo-nos no Terreiro da Sé, na manhã de um domingo sereno, já quase a fechar Julho. Embora o plano fosse começar logo a descida, preferimos ficar por ali um pouco mais, tão desenhável é o local. E, claro, a vista da Torre dos Clérigos lá ao fundo, erguendo-se altiva por trás do casario, foi o motivo escolhido por vários de nós, ou não fosse o ângulo que a apanhava um dos poucos à sombra...


Este foi o meu primeiro esboço aproveitável do dia, bastante rápido para mim (menos de 15 minutos). Antes tinha perdido demasiado tempo numa tentativa abortada do pelourinho, que ficou com céu a mais e terreiro a menos, transparecendo ingloriamente nas costas do desenho:


E, aqui, uma fotografia de parte do grupo antes de zarpar, já a sermos chamados para dar corda aos sapatos:


O Pedro, eu, o Armando (com cara de seca pela demora) e a Elsa. O Jorge estava por trás da objectiva; a Ana Isabel e a Cláudia, ali por perto; o Tiago, o Hugo, a Margarida e o resto do grupo já no Terraço dos Grilos... Ui, toca a andar que se faz tarde!

28 de julho de 2015

À ESPERA DO ALMOÇO


Depois de uma manhã ensolarada de Domingo a desenhar pela colina da Sé do Porto, descemos até à Ribeira e parámos numa esplanada mesmo junto ao Cubo. Estava calor. E tínhamos fome. E os pratos demoravam. Mas resolvi pegar no bloco para matar tempo. À minha frente sentavam-se a Elsa, o Armando e o Jorge. Entre um nariz e uma orelha o tempo voou e, quando menos dei conta, lá chegaram as vitualhas. Não, não comemos bem, mas estivemos em óptima companhia!


As cores vieram em casa. Quanto aos desenhos da urbe, esses mostrarei depois. Ah, e deixo aqui uma fotografia tirada pelo Jorge, em que estamos também em compasso de espera, mas ainda a tentar decidir onde ir... A base do Cubo vê-se mesmo atrás de nós. O estômago a dar horas é que, felizmente, não. 


23 de julho de 2015

O PARADOR


Ainda não tinha mostrado o segundo desenho que fiz em Baiona. Trata-se de uma vista contígua à anterior, mas mais à esquerda, captando o Parador — nome muito adequado neste caso, por sinal, pois trata-se de um sítio onde apetece realmente parar. Fica dentro das muralhas do castelo, o qual por seu turno se situa na península que, ventosa e dramática, se projecta sobre o azul do mar. 


E aqui, como de costume, deixo a prova do crime, ao lado da impenitente culpada:


17 de julho de 2015

UM DÓI-DÓI NA TESTA


Ter uma criança de 4 anos, ainda por cima rapaz, dá-nos água pela barba. Hoje é um joelho esfolado, amanhã um nariz ferido, no dia seguinte arranhões, pisaduras, contusões várias. Desta vez foi uma queda de trotinete, em cheio nos paralelos da rampa de pedra... Aiiiiiii, só de escrever até dói!  Depois de um curativo rocambolesco, com direito a gritaria e três adultos em pânico (a irmã mais velha também estava), o convalescente lá acalmou, deitado na cama dos pais. Uns minutos depois, adormeceu. E eu, ainda com os olhos molhados (sim, é embaraçoso admiti-lo mas eu também chorei), velava-o. Quando vi que o sono estava plácido e os sinais de desconforto superados, achei-o irresistível de tão querido, ali adormecido com a gaze na testa. E quis captá-lo num desenho...