Não, não fui a um casamento a Nova Iorque. Com o meu título culinário de hoje, meramente metafórico, regresso ao coração de Manhattan, ao ano de 2001. Sim, isso mesmo: fui ali, com grande pontaria, no ano do ataque às Torres Gémeas, embora cinco meses antes, em Abril portanto. Mas do que venho aqui falar é de outro ícone da cidade, o Guggenheim, felizmente incólume até hoje. Com os seus vários andares cilíndricos, brancos, a alargar para o topo, o museu sempre me pareceu um bolo de noiva ao contrário. Aqui o evoco, como tributo a Frank Lloyd Right, que o projectou como um "templo da mente". De resto, fica o bulício típico da 5ª Avenida, os yellow cabs e, ali mesmo ao lado, o verde do Central Park:
1 de março de 2016
BOLO DE NOIVA NA GRANDE MAÇÃ
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Memórias,
Nova Iorque
24 de fevereiro de 2016
PEDRA FRIA EM DIA CÁLIDO
De volta ao desenho in situ, aqui na urbe. Uma rua sem carros, casas coloridas, a torre de uma igreja (what else?, Braga will be Braga), as traseiras da Arcada, arcada também. 18ºC em Fevereiro! Mas o meu rabo gelado, porque sentado no degrau de pedra. E um desenho certinho, teimosamente certinho:
Depois, em casa, as cores, numa paleta variegada e vibrante, em honra deste calorzinho fora de estação (e também porque não consegui escurecê-las decentemente, pffff):
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Braga
22 de fevereiro de 2016
PEOPLE GOING BY
The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
Louis Armstrong ("What a wonderful world")
É muito giro observar pessoas a passar na rua, embrenhadas nos seus assuntos e com o fito dos seus destinos. Algumas vão absortas; outras falam sem parar. Há as que vão relaxadas; outras passam esbaforidas. Estas que aqui tentei desenhar, em escala reduzida (2cm por figura), foram captadas em Paris, em frente à Opera, quando eu, sentada na escadaria, fazia horas para apanhar o comboio que me levaria ao aeroporto. Daí a diversidade étnica e de indumentária dos transeuntes, entre os quais até se via uma japonesa de kimono:
Não há como a figura humana para dar vida e alma a um desenho! Claro que o problema é apanhar as pessoas sem parecerem zombies ou bonecos articulados. Tenho um triste cadastro de mostrengos nos meus cadernos... Mas toca a praticar, e talvez a coisa vá!
16 de fevereiro de 2016
UM CAFÉ EM CRACÓVIA
Dá para a Praça do Mercado, tem um certo toque Art Deco, floreado e orgânico, e com a sua esplanada primaveril é uma pequena pérola no coração da cidade. "Europejska", diz no letreiro verde forte:
Eu entrei, claro, para me proteger do vento e para tomar uma bebida quente. O interior, forrado a madeiras e veludos, com aquele ar de casa da avó, acolheu-me como o abraço de um velho amigo.
13 de fevereiro de 2016
DE CALECHE PELA PRAÇA
Estive na Polónia há dez anos, num intercâmbio docente Erasmus que me levou a Cracóvia e a Krosno. Sabia que Cracóvia era considerada a cidade mais bonita do país - monumental e histórica, mas também pitoresca e romântica. E não fiquei desiludida! A enorme Praça do Mercado, com a Basílica de Stª Maria num dos lados, é encantadora. Várias caleches percorrem o perímetro, mas eu, que prefiro como turista não fazer figuras mais tristes do que as estritamente necessárias, abstive-me, claro. Pude no entanto contemplá-las, no seu charme retro, com o recorte renascentista do mercado e a torre gótica da basílica ao fundo:
Estávamos em Maio, mas enquanto que em Portugal já faziam 25ºC, fui encontrar lá uns 13º-14º. Alguns afoitos (como o do kilt, abaixo) já se atreviam com manga curta, mas o wind chill pedia casacos - dos quentes, de preferência, que faltaram na minha mala! Aqui, vê-se a fachada oposta do mercado, com a torre da Câmara a surgir por trás, e eu a disfarçar os arrepios:
12 de fevereiro de 2016
A PRIMEIRA CIDADE DO ALFABETO
Se não o é, perfila-se como boa candidata, já que começa não só com um "a" mas com dois. Aarhus - que se pronuncia "Orruss" - é a segunda maior cidade da Dinamarca, e no entanto é uma localidade sossegada e clean, com um rio domesticado e uma agradável zona de cafés e restaurantes nas suas margens. É justamente essa zona, por onde deambulei numa escapadela do congresso, que este desenho evoca:
Se no último "post" saímos da cidade e fomos ao castelo, desta vez mostro Aarhus downtown. Não se pode dizer que seja uma paisagem urbana marcante ou que cause muito entusiasmo. A paleta é incaracterística, os prédios muitas vezes banais e, no final de Agosto, as esplanadas já têm os aquecedores ligados. Mas não se vê pobreza nem degradação e tudo funciona sem problemas. É a cara e a coroa dos países nórdicos.
3 de fevereiro de 2016
O CAVALEIRO DA DINAMARCA
O cavaleiro não o vi, mas o castelo dele – ou que poderia ser dele, a Sophia que confirme – sim. Foi em 2008, nas imediações de Aarhus (mais concretamente em Auning, uns quilómetros a nordeste), que visitei este castelo encantador: Gammel Estrup. A construção mais antiga é do séc. XIV, mas li que foi com as sucessivas gerações da família Skeel, uma das mais importantes da aristocracia dinamarquesa, que ao longo dos séculos seguintes o castelo conheceu o apogeu. Em 1930 foi transformado num museu. Visitei-o com os colegas de uma conferência internacional, numa excursão de uma tarde de Agosto. Aqui está a minha versão do que vi:
E aqui estou eu, de crachá ao peito e saco da conferência na mão, recém apeada do autocarro:
E aqui estou eu, de crachá ao peito e saco da conferência na mão, recém apeada do autocarro:
29 de janeiro de 2016
O QUADRO DA GIRAFA PESTANUDA
Depois de uma longa paragem, volto finalmente a este blogue, que tantas alegrias me foi dando mas que abandonei sem saber bem porquê. Estive na verdade afastada dos desenhos, alheada e desatenta, sem vontade de notar ou me fazer notar. Mas 2015 acabou e, com ele, os meus três meses de inércia. Li algures que Janeiro é a segunda-feira dos meses, e para mim costuma ser uma época de neura, realmente. Mas este mês surpreendeu-me com uma energia nova. Tanto melhor! Aproveitemos.
Este é um desenho que fiz para o quarto do meu rapazinho de cinco anos. Aqui o deixo, como uma espécie de mote de recomeço.
Espero que, desse lado, continuem bem, despertos e criativos! :) Vou pôr em dia as visitas atrasadas. Um abraço a todos!
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Animais
14 de outubro de 2015
UM CARRO QUALQUER
Num dos meus passeios a pé até ao centro (em Braga não se diz "baixa"), parei num dos bancos da Avenida Central. À minha frente estavam carros estacionados em espinha e, por trás deles, as fachadas dos palacetes que por ali abundam. Nunca tinha desenhado um carro, ou melhor, nunca em primeiro plano, com honras de protagonismo, embora já os tivesse usado várias vezes como adereços nos meus desenhos urbanos. Mas andava com o bichinho da curiosidade a roer-me desde que um colega "sketcher" me disse que só se vê se as pessoas sabem de facto desenhar quando lhes pedimos um desenho de um automóvel. Pois bem, pensei, vamos a isto! Com o meu bloco na mão e uma caneta nova - uma Pigma Micron 0.1, que adorei - tratei de registar o primeiro carro a jeito, que estava mesmo à minha frente. E ficou assim:
Em casa tentei as cores, e foi então que fiz uma descoberta: muito mais difícil do que desenhar carros é pintá-los. A razão é simples: eles reflectem não só a luz mas as cores em seu redor. As sombras e os tons de base saem por isso diferentes, não sendo os normais de um objecto mate. Por outro lado, como têm linhas sinuosas e arredondadas, os carros distorcem os reflexos que adquirem. Enfim, só dificuldades! Mas aqui deixo o resultado...
Em casa tentei as cores, e foi então que fiz uma descoberta: muito mais difícil do que desenhar carros é pintá-los. A razão é simples: eles reflectem não só a luz mas as cores em seu redor. As sombras e os tons de base saem por isso diferentes, não sendo os normais de um objecto mate. Por outro lado, como têm linhas sinuosas e arredondadas, os carros distorcem os reflexos que adquirem. Enfim, só dificuldades! Mas aqui deixo o resultado...
1 de outubro de 2015
TELHADOS DE VALLADOLID
Este é o terceiro e último desenho da minha deslocação a Valladolid em Julho, que aqui ficou prometido há um par de semanas:
Foi à hora do almoço que o fiz, sentada no restaurante do Corte Inglês (eu prometi o desenho, não um guia gastronómico decente, ok?). Como em todos os "bunkers" da marca que conheço, o dito fica no último andar, e tem umas vistas muito bonitas sobre o coração histórico da cidade. Aqui estão elas, em colheita local:
Tantos ocres e laranjas, batidos pelo sol! Em clima de "rentrée" outonal, já dá saudades...
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Valladolid
28 de setembro de 2015
CHAMPANHE E TELEFONEMAS
Talvez o título seja algo imaginativo, com o seu quê de romance policial. Em boa verdade, eu não bebi, muito menos champanhe, nem fiz nenhum telefonema. Mas desenhei, sim, a Champanheria da Baixa, que dá para a Praça de Mompilher (uma corruptela de "Montpellier"), em cujo centro pontua uma bela cabine telefónica escarlate:
Trata-se do esboço que comecei no 12º Encontro USkPN no domingo passado. Já em casa, terminei-o e colori-o, aldrabando bastante tanto nas cores como nas sombras, que nisto há que ser democrático. Desta vez usei lápis de aguarela, que dão um efeito mais texturado e também, glup!, mais pastoso...
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Encontros de desenho,
Porto
24 de setembro de 2015
ENCONTRO NA PICARIA
O 12º Encontro dos "Urban Sketchers Portugal Norte" foi na Rua da Picaria, em plena baixa do Porto. Adiado uma semana por causa do mau tempo, foi abençoado este domingo com uma tarde linda de Setembro, de uma luz gloriosa e um ar morno e sereno. Éramos poucos, mas divertidos e relaxados. O Encontro começou da melhor maneira: com o almoço. Ficámos logo no cimo da rua, no BaixaBurguer, e foi aí, confortavelmente sentada junto ao passeio, que fiz o meu primeiro esboço:
A vista que captei foi o Largo de Mompilher, com a Capela do Pinheiro no alto do seu muro e o casario circundante. Mais tarde, sentada num banco do largo, de frente para a Champanheria da Baixa, registei parte do conjunto de fachadas. Mas deixei-me ultrapassar pelo tempo, e o desenho ficou a meio:
Já eram horas da partilha de desenhos. E, para a posteridade, ficou a fotografia de grupo: com o Tiago, a Joana, o Reis, a Elsa, a Ilda e eu:
Mais tempo houvesse, mais desenhos teria havido de certeza. O sítio prestava-se e a companhia ajudava. Terão de ficar para a próxima!
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Encontros de desenho,
Porto
21 de setembro de 2015
CONVERSA NA CATEDRAL
Se no romance de Vargas Llosa a conversa tem lugar num bar de Lima chamado "La Catedral", no meu caso a conversa decorreu ao lado de uma catedral a sério, a de Valladolid, e foi com uma senhora que estava sentada no banco onde me instalei, à sombra de uma árvore alta. Sem nunca se referir ao meu desenho (deve tê-lo achado pouco merecedor de menção), a senhora, aposentada, contou-me praticamente toda a sua vida. E eu fui escutando e rabiscando, enquanto compunha o segundo esboço que fiz na minha viagem à cidade este Julho:

Trata-se de um desenho um pouco complexo, com várias linhas de fuga e planos diversos. Com um ou outro gato, lá o dei por concluído, num registo convenientemente "incompleto". As cores, como quase sempre, foram aplicadas em casa e ficaram assim:
Ainda houve um terceiro desenho deste passeio ao centro de Espanha. Mostro-o depois.
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Valladolid
15 de setembro de 2015
UMA SURPRESA NA MESETA
Fui em Julho a Valladolid em trabalho e fiquei surpreendida com a cidade. Julgava que ia encontrar um local perdido no meio da meseta ibérica, sem rasgo nem carácter. Mas, como acontece tanto na vizinha Espanha, a cidade tem não só um "casco histórico" digno de visita, como é enorme e muito bem conservada. O edifício da universidade, para começar, é uma beleza, mas as igrejas, praças e edifícios públicos, já para não falar nos numerosos quarteirões de habitação mais antigos, são imponentes e harmoniosos. Ali, no coração de Espanha, o calor não dá tréguas: 37º no primeiro dia; 42 no segundo. As ruas só ficam inundadas de gente ao cair da tarde, quando o sol vai mais baixo. Foi a essa hora, pelas 7 da tarde, que me atrevi a sair do hotel com o bloco de desenho na mão. Sentei-me na Plaza Mayor, de viés para a "Casa Consistorial" (a câmara municipal), e fiz este esboço:
Trata-se de um edifício de inspiração renascentista, construído no final do séc. XIX. Eram tantos os detalhes e tão abafado o ambiente na praça que me fiquei pela metade - ou, noutra leitura, por um "menos é mais"... Só agora, dois meses volvidos, lhe acrescentei a cor:
Trata-se de um edifício de inspiração renascentista, construído no final do séc. XIX. Eram tantos os detalhes e tão abafado o ambiente na praça que me fiquei pela metade - ou, noutra leitura, por um "menos é mais"... Só agora, dois meses volvidos, lhe acrescentei a cor:
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Valladolid
14 de setembro de 2015
UM PARLAMENTO JUNTO À ÁGUA
Da minha visita à Holanda, em 2005, deixo aqui um segundo desenho: uma vista de Haia, onde o Parlamento - o Binnenhof - é um belo edifico gótico implantando junto ao lago Hofvijver:
E deixo também a minha pessoa, "plantada" e desfocada, no mesmo local, mas a cores mais - hum... - sóbrias:
Haia tem uma zona balnear (a praia de Scheveningen), com um mar acinzentado e areal extenso, onde mesmo em Julho as temperaturas são pouco convidativas, e uma espécie de Portugal dos Pequenitos em versão holandesa, mas em escala mais reduzida - o Madurodam. Para mim, no entanto, o mais interessante da cidade é o Museu Mauritshuis, que fica à esquerda da imagem acima e onde se pode ver ao vivo pérolas como... "Rapariga com Brinco de Pérola", de Vermeer.
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