1 de abril de 2019

AMÁLIA


Rainha do Fado. A minha quarta resposta (metafórica) à deixa "rainha" do #portraitchallenge_2019 é Amália Rodrigues (1920-1999), uma voz absolutamente régia e um símbolo de Portugal. Como se não bastasse, tinha também uns traços perfeitos, ao mesmo tempo fortes e delicados. Foi um verdadeiro prazer desenhá-la.

30 de março de 2019

PAULA REGO


Mais uma personalidade feminina portuguesa na minha galeria de retratos para o desafio #portraitchallenge_2019. A deixa, desta vez, era "artista". Paula Rego é única, complexa, visceral. Polémica para os que se chocam com facilidade, genial para todos os que se deixam atrair pelas "histórias" que os quadros contam. Histórias estranhas e crípticas, talvez por isso magnéticas. Histórias de um mundo que é só dela, e que dela transportam a marca inconfundível. É, talvez, a mais internacional de entre os artistas plásticos portugueses de todos os tempos.

29 de março de 2019

CATARINA EUFÉMIA


Do nome tinha apenas uma vaga ideia. Sabia que era uma lutadora alentejana, mas desconhecia os contornos da história. Sei agora que esta jovem mulher é bem merecedora desta pequena homenagem, ela que foi celebrada por Sophia e que continua viva na memória de tantos. 


Assassinada aos 26 anos, Catarina Eufémia (1928-1954) foi uma camponesa analfabeta, mãe de 3 filhos, que liderou um grupo de 14 mulheres trabalhadoras a reclamar melhores salários. Morreu no local com o filho mais novo nos braços, de três tiros disparados por um GNR que nunca foi a julgamento. Mantém-se símbolo da resistência ao regime fascista português e é a minha segunda resposta ao desafio de desenho #portraitchallenge_2019, deixa "Líder" -- no feminino, pois claro. Que rosto tão delicado, mas tão determinado, ela tinha!

24 de março de 2019

A "MINHA" FLORBELA ESPANCA


Sim, digo "minha", porque nem a maturidade refreou este encantamento da minha juventude. Gosto do ímpeto, gosto do excesso e gosto da teatralidade desta escrita toda feita de emoção! Gosto do estilo grandiloquente e retórico, um pouco 'démodé' se visto à luz dos dias de hoje, em que a arte, julgando soltar-se, se prende ao quotidiano... E gosto até do egocentrismo exacerbado, tão romântico, tão trágico... A grande Florbela foi a minha primeira retratada feminina no desafio do Instagram chamado #portratit_challenge_2019, deixa "Autor". De tantas personalidades possíveis que admiro, preferi homenagear as mulheres e, porque não, figuras portuguesas. Pois aqui está quem amava "perdidamente" e era, porque poeta, "maior do que os homens"...


Em honra desta sensibilidade superlativa e inspiradora, celebrada por Pessoa, deixo aqui um dos meus exercícios de poesia (não é para rir!), também ele feito do ritmo que, pendularmente, evoca um passado perdido. É verdade: ainda hoje, por vezes, escrevo sonetos "à maneira de Florbela" (salvas, é claro, as devidas distâncias, de que estou muito humildemente ciente)! 

MUITO TEMPO

Já faz tempo, muito tempo, que não vejo,
Pelas ruas da cidade adormecida,
O teu rasto, sempre dúbio, que o desejo
Transfigura face à dor em mim tecida.

Já há anos, tantos anos, que te sinto
Alheio e longe, num lugar desconhecido,
Tão estranho, transformado, bem distinto
Do que eras, ou a mim tinhas parecido.

Tua imagem nunca mais será igual,
Tua voz, teu gesto, já sem esperança,
De mim se afastam, para sempre, sem que o sinta.

Já são outros estes tempos, afinal,
Sem augúrio de afago ou de bonança,
E eu sou vento, sou memória quase extinta.

22 de março de 2019

CAMÉLIAS


Foi um repto lançado aos PoSk (Porto Sketchers) através dos ASk (Aveiro Sketchers) no final de Fevereiro: desenhar camélias para uma exposição sobre as ditas, a ter ligar na Estação de S. Bento. Desenhar flores nem sempre é fácil, pois muito depressa se cai nos tons garridos e nas composições "pimba"... Numa primeira abordagem -- que, por pudor, não mostro aqui -- foi justamente esses erros que cometi. Mas à segunda lá me saiu uma coisita mais aceitável:




E aqui está a minha contribuição, devidamente emoldurada, na exposição:



10 de março de 2019

SERRA DA ESTRELA II


O meu segundo desenho no passeio à neve-sem-neve não levou cor, coitado. Mas até teria merecido, não tivesse eu sido acometida de um ataque de preguicite de férias:


Aqui apareço eu, equilibrada junto ao precipício, com vento gélido a zumbir-me aos ouvidos, mas um sol lindo a iluminar tudo:




8 de março de 2019

NA SERRA DA ESTRELA


No fim-de-semana do Carnaval, um passeio à serra. Depois de quinze dias com temperaturas de quase 25º em pleno Fevereiro, parecia impossível encontrar algo de semelhante a neve. Mas, surpresa das surpresas, na Torre havia-a! No chão, é um facto, e não a cair, mas mesmo assim vimo-la, mexemos-lhe e brincámos nela. E eu, com o meu caderno de desenhos e bons agasalhos, pude fazer uns sarrabiscos. Este calhau gigantesco perto do cume estava mesmo a pedir um desenho:


Ao vivo, notam-se dois míseros pedaços de neve, para salvar a honra do convento:



É divertido desenhar montanhas, pois é pouco rigoroso e bastante intuitivo. Hei-de voltar a fazê-lo!

2 de março de 2019

REI, REININHO, REINAR...


Embarquei em mais um desafio de desenho, o #portraitchallenge_2019, no Instagram. Retratos? Pois sim, adoro. E, como não gosto nada da onda "selfie" dos dias que correm, com toda a gente a olhar apenas para o seu umbigo, quero praticar o retrato alheio. E começo em grande. Viva RR!


Começo em grande e começo pelos músicos, se bem que o Rui Reininho, letrista maior, encaixe também na categoria de poeta, ou "autor". É preciso explicar que as categorias do desafio são oito:


E é preciso explicar também que o RR e eu já nos sentámos a uma mesma mesa, para uma, cof-cof, entrevista! Não acreditam? Ora vejam:


E é isto. Não estou mesmo nada, nada vaidosa.

25 de fevereiro de 2019

OUTRO AUTO-RETRATO


Juntei-me (ou melhor, juntaram-me) a um grupo do Facebook que apenas publica auto-retratos. E com uma particularidade: só aos Domingos. Por isso se chama "Selfportrait Sunday". Há-os de todas as formas e feitios, materiais e cores, tamanhos e fôlegos. É um espaço muito interessante e divertido. Como ontem foi Domingo, eis que me pus ao espelho de lápis e caderno na mão. Atenção: o caderno era um bloco "chunga" do meu rapazinho, que encontrei por ali. E saiu isto:


Não sei dizer se estou parecida, ou se apenas o estou em alguns aspectos... A minha irmã disse sem cerimónias que estou com "nariz à Michael Jackson"! Bah! O que importa é que deu para desenferrujar a mão. Outros auto-retratos virão. por certo melhores.

21 de fevereiro de 2019

CERVEIRA INTRAMUROS (II)


O terceiro e último desenho do Encontro USkPN do dia 9 de Fevereiro foi feito também dentro das muralhas e com vista para... as ditas. Pedras e mais pedras, granito e mais granito! E muito musgo e líquenes a insinuar-se pelas frestas e ângulos da construção medieval. Foi D. Dinis quem mandou erguer a fortificação, no início do séc. XIV, portanto. Mais um caso de engenharia sólida e portões baixos, à medida, supõe-se, dos homens medievais:


O desenho foi muito rápido e insatisfatório: começou a chover e eu, a desenhar a partir do jardim em frente (sim, com os pés na terra, no meio dos tufos de plantas, a fazer uma triste figura), tive de desistir a meio, pois as pingas faziam borratar a minha Staedtler, que apesar de ser "à prova de água", não o é antes de secar. Assim, do desenho no local só consegui trazer as linhas gerais da composição e os traços da estrutura...


... e, mesmo estes, borratados q.b.!

19 de fevereiro de 2019

CERVEIRA INTRAMUROS (I)


Os meus segundo e terceiro desenhos no Encontro USkPN em Vila Nova de Cerveira foram feitos de pé, algo raro em mim, e dentro das muralhas. Dantes, funcionava ali uma adorável Pousada de Portugal, com os quartos nas casinhas recuperadas, cada qual independente ou quase, com porta a dar para as ruas da citadela, e as zonas comuns na casa grande -- a Casa dos Governadores. Foi esta que eu apanhei neste desenho, com a muralha à esquerda, a Igreja da Misericórdia no enfiamento da rua e a montanha ao fundo:

Em 2008 a Pousada fechou, estando agora todas as instalações devolutas, mas felizmente em bom estado de conservação:


Não deixa, no entanto, de pairar sobre toda a zona do castelo uma atmosfera nostálgica. E o tempo, cinzento e sempre a ameaçar chuva, não ajudou nada naquele dia...

15 de fevereiro de 2019

ENCONTRO EM CERVEIRA


Este sábado, dia 9, fomos a uma das localidades mais a norte do nosso rectângulo, na fronteira do Rio Minho: Vila Nova de Cerveira. O dia estava péssimo e eu, vinda de Braga, meti-me por caminhos tortuosos de montanha que, debaixo de chuva intensa e ventania a condizer, me fizeram atrasar um bom bocado. Mas lá acabei por me juntar ao grupo USkPN: 34 ao todo, tolhidos de frio mas dedicados à causa "Sketching com História". Era o último encontro da série de dez, que percorreu as principais localidades do Alto Minho, pelo que não quis faltar. A tiritar e com as mãos geladas, comecei por desenhar -- como quase todos -- a entrada para as muralhas medievais:


Aqui está o desenho no local, que tive de interromper (e mais tarde retomar), para escapar à conversa impertinente de um sujeito embriagado, eufemismo para "mega-chato", que resolveu colar-se ao meu lado no banco da praça e discorrer sobre o quanto gostava de ver "dibujar":
-- "Lo haces muy bien, chica!" -- repetia quase junto aos meus ouvidos sem cessar...


A fotografia do fim da jornada foi tirada na mesma rampa de acesso ao castelo (pelo Tofu), com os desenhadores já desconcentrados e ansiosos por regressar ao autocarro quentinho:


E aqui estou eu, a fazer jus ao mote "Ao mau tempo, boa cara"!


13 de fevereiro de 2019

LELLO & COMPANHIA


O segundo registo da minha incursão pela Baixa em finais de Janeiro foi um desenho todo certinho e bem-comportado do conjunto de fachadas em torno da Livraria Lello, hoje célebre e incontornável ponto de encontro de centenas de turistas diários. As cores também me saíram pálidas e sem rasgo, mas foi o que se conseguiu arranjar. Há que mencionar que fiz o desenho à sombra, sentada num paralelepípedo de pedra, que me gelou uma certa parte da anatomia e a inspiração:



Aqui fica também o desenho terminado no local, com mota incluída:

3 de fevereiro de 2019

IGREJA DOS CLÉRIGOS AO SOM TECHNO


Na semana passada fui desenhar para a Baixa. Dia de sol, bonito mas muito frio. Junto aos Clérigos, encostei-me à porta de uma loja em obras, da qual saía um chinfrim de música enlatada. A cada dez minutos aparecia um trolha diferente a assobiar e a palitar os dentes. Faziam-se de desentendidos enquanto davam uma espreitadela à rua, às raparigas que passavam, ou ao meu desenho. A igreja, vista daquele ângulo, é imponente, quase esmagadora. Ao tentar desenhá-la saiu-me uma perspectiva em pirâmide bastante, digamos, discotequeira. Mas o Nasoni perdoou-me, eu sei, pois vi-o por ali também a bater o pé.


No local, foi um desafio não me perder pelos caprichos da belíssima fachada barroca -- que, com deslizes e patinagens mais ou menos artísticas, lá saiu em meia hora:


Gosto da liberdade destes traços gatafunhados, embora os tente pouco (lembro-me desta outra igreja, também desenhada assim, ou desta também...). Tenho de gatafunhar mais vezes. :)

28 de janeiro de 2019

PENAS E CORES...


Nada como as aves para darem "asas" ao pincel! São um regalo para a caixa de aguarelas e, se nos forem familiares, são relativamente fáceis de desenhar. Tive vontade de juntar um bom bando de aves de capoeira, mas das que andam em liberdade, ou quase, a esgravatar e penicar por aqui e por ali. Por isso, galinhas e pintainhos, mais o chefe do harém, ora pois, e um peru, que costuma coabitar pacificamente com o grupo: