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26 de março de 2016

MICHAEL CUNNINGHAM


Foi esta terça-feira, na FCSH da Nova, que vi ao vivo o autor de As Horas, tríptico belíssimo que lhe valeu o Pulitzer e a fama hollywoodesca. Anfiteatro cheio: muitos académicos, muitos alunos, alguns curiosos, uma ou outra cara pública. E uma palestra luminosa, emotiva, a prender tudo e todos de início ao fim, com um humor descontraído e uma atitude totalmente despretensiosa. Tão diferente de tantas primas-donas que pululam por aí! E a simpatia... Uma simpatia espontânea, fácil, contagiante. Aqui deixo o meu registo:


Nesta tarde recém-primaveril em Lisboa, alguém lhe perguntou da plateia sobre o acto criativo da escrita. Da resposta dele retive três ideias cristalinas. Foram mais ou menos isto (desculpem se a minha memória empobrece as palavras que ouvi):
- "Nine out of ten of my Creative Writing students say they write for themselves. Right. So I make an elaborate cake to eat it all by myself? No, everybody writes for the readers."
- "Some days I write only three sentences. And they are trash. Some other days, I write seven pages. And they seem to be pretty good! It's a mystery."
- "Bad writing differs from good writing just as dead writing differs from writing that is living. Writing that is living makes you feel: love, sorrow, fear, passion."

22 de fevereiro de 2016

PEOPLE GOING BY


The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
Louis Armstrong ("What a wonderful world")

É muito giro observar pessoas a passar na rua, embrenhadas nos seus assuntos e com o fito dos seus destinos. Algumas vão absortas; outras falam sem parar. Há as que vão relaxadas; outras passam esbaforidas. Estas que aqui tentei desenhar, em escala reduzida (2cm por figura), foram captadas em Paris, em frente à Opera, quando eu, sentada na escadaria, fazia horas para apanhar o comboio que me levaria ao aeroporto. Daí a diversidade étnica e de indumentária dos transeuntes, entre os quais até se via uma japonesa de kimono:


Não há como a figura humana para dar vida e alma a um desenho! Claro que o problema é apanhar as pessoas sem parecerem zombies ou bonecos articulados. Tenho um triste cadastro de mostrengos nos meus cadernos... Mas toca a praticar, e talvez a coisa vá!

28 de julho de 2015

À ESPERA DO ALMOÇO


Depois de uma manhã ensolarada de Domingo a desenhar pela colina da Sé do Porto, descemos até à Ribeira e parámos numa esplanada mesmo junto ao Cubo. Estava calor. E tínhamos fome. E os pratos demoravam. Mas resolvi pegar no bloco para matar tempo. À minha frente sentavam-se a Elsa, o Armando e o Jorge. Entre um nariz e uma orelha o tempo voou e, quando menos dei conta, lá chegaram as vitualhas. Não, não comemos bem, mas estivemos em óptima companhia!


As cores vieram em casa. Quanto aos desenhos da urbe, esses mostrarei depois. Ah, e deixo aqui uma fotografia tirada pelo Jorge, em que estamos também em compasso de espera, mas ainda a tentar decidir onde ir... A base do Cubo vê-se mesmo atrás de nós. O estômago a dar horas é que, felizmente, não. 


17 de julho de 2015

UM DÓI-DÓI NA TESTA


Ter uma criança de 4 anos, ainda por cima rapaz, dá-nos água pela barba. Hoje é um joelho esfolado, amanhã um nariz ferido, no dia seguinte arranhões, pisaduras, contusões várias. Desta vez foi uma queda de trotinete, em cheio nos paralelos da rampa de pedra... Aiiiiiii, só de escrever até dói!  Depois de um curativo rocambolesco, com direito a gritaria e três adultos em pânico (a irmã mais velha também estava), o convalescente lá acalmou, deitado na cama dos pais. Uns minutos depois, adormeceu. E eu, ainda com os olhos molhados (sim, é embaraçoso admiti-lo mas eu também chorei), velava-o. Quando vi que o sono estava plácido e os sinais de desconforto superados, achei-o irresistível de tão querido, ali adormecido com a gaze na testa. E quis captá-lo num desenho...


7 de julho de 2015

CORPOS AO SOL


Fora dos registos arquitectónicos e paisagísticos, trago hoje um desenho de pessoas. Só de pessoas — distraídas, alheadas, a gozar a tranquilidade de uma piscina ao fim da manhã. É engraçado observá-las a tomar banhos de sol, cada qual com o seu traje de banho, o seu corpo exposto, a sua intimidade a descoberto. Há-as altas e baixas, gordas e magras, velhas e novas. Mas todas se entregam ao culto do deus Sol, neste dolce far niente tão típico da estação.


E no mexe-que-mexe também são todas parecidas: é um tormento desenhá-las! Em 3 segundos já a mão está noutro lado, já o joelho subiu e o ombro desceu, já a cabeça se voltou escondendo as feições... As pernas desta senhora loura em primeiro plano, por exemplo, foram completamente inventadas. Estava eu a rabiscar a parte de baixo do biquini encarnado quando ela se afastou. Não tive outro remédio senão fazer-lhe este par de cilindros, que ainda por cima chocaram com a tumbona (isto foi em Baiona, na Galiza) da outra banhista a ler... Enfim, desditas de uma sketcher lenta demais para organismos móveis!

3 de julho de 2015

NO CABEÇALHO DOS USkP


Pois é, parece que o meu desenho para o Desafio 55 convenceu — ou, pelo menos, convenceu aqueles que se deram ao trabalho de votar, eheh! (Nada de vaidades, pois os votos são em percentagem muito modesta face ao contingente geral.) Mas foi um grande prazer ver que gostaram da minha brincadeira.

Aqui deixo, para registo futuro, e porque os cabeçalhos só ficam expostos durante o mês de Julho de 2015, a captura de ecrã do blogue:


(Confesso que aquela cara ali à direita, com o sorriso pateta e o nariz torto, me deixa um pouco embaraçada. E olhar para ela de cada vez que abro o blogue... enfim, causa-me uma pontinha de vergonha! Acho que vai espantar os visitantes todos por aqueles lados, mas paciência.)

E agora a página do Facebook:


Dizer que ainda há seis meses e pico nem sonhava que poderia vir a fazer parte da Comunidade dos Urban Sketchers... E agora estou ali a poluir-lhes o header! :) Trabalhei bem desde Dezembro, não acham?

20 de junho de 2015

AUTOPICTOGRAFIA


Um auto-retrato? O Desafio nº 55 dos Urban Sketchers para o mês de Junho pôs-me a pensar: qual dos meus rostos, de todos os que sem querer assumo ao longo do dia, haveria eu de registar? Em vez de tentar escolher, preferi desenhar, de uma só assentada, alguns dos "eus" que a minha cara revela: o eu triste, o eu divertido, o eu zangado, o eu aflito, o eu espantado, o eu pensativo... Saiu-me um mosaico de Miús, cada qual a dar o seu bitaite para o retrato conjunto:


Como bónus, e porque falamos não só de auto-retratos mas também de auto-análise, deixo aqui a minha versão da "Autopsicografia" de Pessoa - adaptada, com uns quantos pontapés, à realidade "pictórica" de quem, como eu agora, anda por aí de caderno de desenho e aguarelas na mão:


23 de março de 2015

CRIANÇAS FELIZES


Uma amiga minha pediu-me que lhe pintasse umas aguarelas com crianças felizes. Pensei logo em praia, em sol e em brincadeiras junto ao mar. Recordei-lhe, no entanto, a minha absoluta falta de "expertise" na matéria: mais uma vez, e em aguarelas sem linha ainda mais, tudo o que faço é "a olho", com muitas dúvidas e poucas certezas. A inspiração fui buscá-la aos óleos e acrílicos lindíssimos da Lucelle Raad. Bom, é quase um sacrilégio recriar aqueles quadros, tão fluidos, tão naturais e com aquele toque de Sorolla tão luminoso e solto! Mas enfim, lá avancei. O primeiro ensaio, de três rapazinhos, ficou assim:


Depois, passei para as três meninas (a separação de género foi meramente acidental!). Desta feita, dispus-me a registar as fases do processo. Primeiro, os cabelos:


Depois, os baldes de praia:


De seguida, os trajes de banho e a pele, sempre o desafio maior:


Fui continuando...


E, por fim, pintei a areia, as sombras e o mar:


E ficou assim:


Ah, e já agora mostro também as aguarelas já emolduradas:


Espero que a minha amiga me desculpe por estragar a surpresa desta maneira e mostrar o presente acabado...

19 de fevereiro de 2015

MISSÃO IMPOSSÍVEL: AUTO-RETRATO A AGUARELA


Missão "impossível", entenda-se, para mim, pobre aprendiz que vou avançando, sem aconselhamento, por tentativa e erro - e, no caso vertente, mais erro do que acerto... Bom, mas já que o meu anterior auto-retrato (que aparecia no meu perfil do blogue e do Facebook) era consensualmente irreconhecível, lá lancei mãos à obra para tentar criar um que tivesse um pouco mais de parecença com a minha fronha, perdão, com o meu belo rosto. O desenho a grafite não saiu mal de todo...


Depois é que foi o busílis: as cores. Comecei pelo menos difícil, o cabelo, passando em camadas sucessivas do estádio "loira espampanante" para o de "vulgar de Lineu meridional":


E só depois me lancei à pele. Como é sabido, a pele humana é difícil de representar pictoricamente. Tem muitas tonalidades, é translúcida e presta-se a sombras pesadas e tons pastosos. No caso do óleo, existem cores pré-feitas ("skin tint") que facilitam muito o trabalho, mas no caso da aguarela, tanto quanto sei, não há cores de pele "prontas-a-usar". Usei carmim e amarelo-ocre, com alguns vestígios de "sienna" (mas devia ter sido "umber", talvez, sei lá!) e a coisa foi tropeçando assim:


Conseguido este aspecto de quem sofre de icterícia, avancei alegremente para as cores secundárias. E, como se tivesse sido atingida por uma febre carnavalesca qualquer, eis que usei cores garridas que só visto. Para o cenário, escolhi azul cerúleo em estado puro; para a camisola (que na realidade é cinza antracite) deu-me para usar um laranja festivo:


Achando-me ainda demasiado clara de cabelo, tentei alguns escurecimentos finais e, receosa de estafar ainda mais uma pintura já claramente "overworked", parei por aqui:


Mas vou tentar outros retratos, meus e alheios. Isto há-de ir melhorando! Para já, apesar de tudo, vou usar esta nova imagem no meu perfil. Afinal, submeti-a a uma prova de fogo: perguntei ao meu filho de 4 anos quem era aquela no papel e, bem, ele deu de imediato a resposta correcta! Vitória!