Não, não estou a bradar aos ditos (uma das minhas interjeições mais frequentes, admito), mas a pintá-los. É muito divertido desenhar nuvens (como tentei AQUI) e também pintar nuvens sobre o mar, com o sol a espreitar por detrás e a lançar reverberações na superfície ondulada das águas (como também tentei AQUI). Voltei a estes estudos e voltei a divertir-me. Aqui deixo, pois, alguns céus -- e alguns mares -- só com mancha, sem linha:
29 de dezembro de 2025
RETRATO DE UM AMIGO
Quando nos convidam para uma festa de aniversário, nem sempre é fácil escolher um presente. No caso do Tó, em vez de livros, discos, vouchers, ou outra macaquice qualquer, resolvi fazer-lhe um retrato a preto-e-branco. Estava ciente de que o hatching (ou "hachura") lhe poderia pôr uns anos em cima, ao acentuar ângulos, vincos e rugas. Felizmente acabei por gostar do resultado -- e acho que ele também. Objetivo cumprido 😅!
28 de dezembro de 2025
UMA RUA NO INVERNO
A Rua do Godinho fica no centro da zona antiga de Matosinhos. É uma rua onde ainda subsistem várias casas que eu descreveria como típicas do Porto: revestidas a azulejo, de dois pisos (mais semicave), com janelas altas e estreitas, grades de ferro forjado nas sacadas, telhados de telha cerâmica de duas águas, por vezes uma mansarda, e sempre uma porta de entrada característica, de batente duplo, que dá acesso a alguns degraus e estes ao centro distribuidor da casa. Do que consegui saber, o painel de vidro forrado também a ferro forjado, que se situa acima da porta, tem o nome de bandeira, sendo um elemento recorrente destas habitações burguesas que se vão vendo cada vez menos. Eis a aguarela a contraluz que fiz de algumas delas:
O dia estava frio, mas não choveu. Ali aguentei na minha cadeira de lona até concluir o desenho. As cores só vieram em casa:
26 de dezembro de 2025
A SUPLICANTE, DE CAMILLE CLAUDEL
Voltei ao desenho de esculturas, cujo desafio -- e prazer -- é captar a figura humana de múltiplos ângulos. Como AQUI olhei para "O Beijo" de Rodin, quis agora visitar a sua eterna discípula, tantos anos menosprezada (primeiro por ele, depois pela família e depois pelo mundo), Camille Claudel. "L'Implorante" é uma das suas obras mais celebradas, talvez pelos tons autobiográficos que assume. Uma mulher, de joelhos, ergue os braços para um homem que se afasta dela. A escultura tem um notável dinamismo e uma expressividade tocante. Aqui deixo alguns registos:
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