14 de novembro de 2018

TRÊS RAPARIGAS


Uma loura, outra negra, outra oriental. Todas belas -- pelo menos nas fotografias onde as vi, no catálogo online da Zara. Apeteceu-me desenhá-las. Os esboços saíram rapidamente e tentei dar um tratamento igualmente rápido à cor. A loura ficou menos mal; a morena, enfim, bem numas coisas (olhos), mal noutras (sorriso). Já a oriental ficou bem aquém da beleza original. Mas é sempre divertido tentar captar a diversidade de cores e formas do rosto humano. :)



6 de novembro de 2018

ANTES DA TEMPESTADE


Lembram-se do Furacão Leslie? Aquele que supostamente iria destruir quase toda a costa de Portugal do centro para cima? Pois bem, no sábado fatídico, em Leça, o céu apresentava-se com algumas nuvens, sim, mas pouco ameaçadoras, pelo que resolvi dar um passeio até à marina e levar o meu bloco de desenho. É verdade que estava uma pressão um pouco estranha no ar e os passadiços flutuantes onde os barcos estavam presos rangiam de forma um bocadinho assustadora. Sentei-me e fiz um rápido esboço, a que depois dei cor em casa, não fosse o Leslie de repente abater-se sobre a minha cabeça:


Aqui pode ver-se a cena ao vivo, as nuvens e o azul pálido do céu a espreitar:

31 de outubro de 2018

UM CACHO DE UVAS


Outono é também vindimas e uvas, ainda que, estando Novembro à porta, tanto as primeiras como as segundas já estejam a acabar... Hoje trago aqui o meu encontro imediato -- de que grau, não sei -- com um belo cacho de uvas brancas, doces e suculentas. Foi rápido e soube-me bem nos dois momentos: o de desenhar e o de comer, pois o esboço saiu-me com facilidade e o resto... bem, é fácil adivinhar!


E deixo também o momento pré-aguarela:


Só não deixo as grainhas nem os caules, porque esses entretanto desapareceram. :)

28 de outubro de 2018

INTRAMUROS


O meu segundo desenho da visita a Valença com os USkPN em Setembro foi feito dentro de muros, a partir de uma ruela adjacente à Praça da República. Com as sombras dos prédios próximos em primeiro plano, vislumbra-se a Câmara Municipal ao fundo, com o seu original conjunto de sinos a erguer-se na fachada:


Ficou torta a Câmara, coitada, mas mostro-a na mesma, para passar a vez. E aqui fica o registo do esboço, no qual figura um elegante transeunte como bónus, a olhar-nos desconfiadamente:


4 de outubro de 2018

MURALHAS DE VALENÇA


Foi no dia 22 de Setembro, um sábado cheio de sol, que os UskPN se reuniram em Valença. E eu, bem posicionada numa das guaritas da muralha, fiz o meu primeiro desenho: as portas da cidade, para a qual afluíam turistas e mais turistas (espanhóis, sobretudo):


A cor foi, como sempre, adicionada em casa, mas o esboço foi completado no local. Felizmente a guarita providenciava-me uma sombra muito útil, pois o sol, embora quase outonal, queimava!


Fiz ainda um segundo desenho urbano, que aqui mostrarei em breve. Entretanto, deixo a fotografia do grupo, muito animado, no centro da qual apareço eu (créditos: "Tofu & Tofu"):



Aproveitem este fim de Verão maravilhoso, que parece querer continuar!

23 de setembro de 2018

RETRATOS EM VALENÇA


Ontem fui a Valença a mais um Encontro UskPN  “Sketching com História”, organizado em parceria com o CIM (Comunidade Intermunicipal do Alto Minho). Além de dois desenhos urbanos que aqui mostrarei, diverti-me a desenhar pessoas. A primeira, enquanto esperávamos pelo almoço, cá fora à sombra, foi a Cláudia, encostada a uma árvore em plena concentração:


Depois de uma tentativa frustrada de apanhar o Paulo, desenhei um Tuba mefistofélico e emagrecido, que naturalmente não colheu grande aprovação, e um Marcelo com uma difícil linha craniana, a cujo desenho o próprio também torceu o nariz:


Depois do almoço, foi a vez de a Isabel Braga servir de vítima. Tentei retratá-la, toda de branco como estava, contra uma mancha vibrante de cor, sem esquecer a madeixa cor-de-rosa, os brincos de filigrana e a bolsinha laranja vivo. Claro que não lhe fiz justiça, mas lá colorida ficou!



Gosto muito de desenhar pessoas, apesar da dificuldade óbvia de elas se mexerem constantemente. Quando estão elas próprias a desenhar, apesar de tudo, sempre ficam menos mexericas :).

E, finalmente, aqui apareço eu, também retratada, ainda que fotograficamente, enquanto retratava os outros:



17 de setembro de 2018

MAR SERENO NO ZAVIAL


O meu último desenho destas férias de mar e praia foi no Zavial, mais um paraíso no belíssimo oeste algarvio:

Eis o desenho no local, feito depressa sob um sol escaldante:











13 de agosto de 2018

AINDA NO EXTREMO SUDOESTE


Fiz um segundo desenho na Praia do Castelejo, desta vez voltada para sul, onde surgem falésias magníficas, de uma altura impressionante. O caminho de acesso provoca vertigens, é certo, mas felizmente não por se tratar de um estradão. É uma estrada muito estreita e sem rails, mas asfaltada, o que sossega um pouco naquelas curvas cegas em que apenas passa um carro de cada vez. Lá em baixo, a praia estende-se num areal extenso e imaculado. E, a abraçá-lo, aquelas paredes de pedra, altíssimas, imponentes…


A aguarela, como se vê, saiu-me pontilhista. Aqui deixo os registos do desenho e da desenhadora no local:


9 de agosto de 2018

PRAIA DO CASTELEJO


Outra descoberta junto a Sagres: uma praia deslumbrante, rodeada de altas falésias e de um imenso areal quase branco. O mar estava encrespado, óptimo para o windsurf (que eu, medrosa que sou, não me vejo a praticar em encarnação alguma, eheh). Fica já na costa oeste, um pouco acima do Cabo de S. Vicente. No meio das ondas erguem-se rochas enormes, mesmo boas para desenhar: 

O desenho no local foi rápido e saiu-me assim, com muitos risquinhos a marcar as sombras dos rochedos:
E eu que achava que já não gostava de praia!... Foi uma manhã plena e perfeita.

7 de agosto de 2018

PRAIA DO MARTINHAL


No Norte, onde vivo, as praias não têm as falésias tão características do Sul. Lá em cima, há dunas. Dunas de areia fina, mas escarpas, não. Daí, talvez, o meu encantamento pelos areais recortados e emoldurados por estas paredes abruptas. A Praia do Martinhal, junto a Sagres, é assim. E foi assim que a registei:

Apaixonei-me por esta areia clara, pelos tons queimados da arriba, pelas baías que se adivinham avançando de barco -- como aquele barquinho a remos que passa, ao longe -- e pela escassez de pessoas, mesmo em Agosto, mesmo em dias tão soalheiros e calmos como o de ontem. Uma família chega, entretanto, monta o guarda-sol, estende toalhas, descalça-se e avança logo para a água límpida e fresca. E eu acabo o meu esboço, pensando em como é bom estar aqui:

 

25 de julho de 2018

MIRA DOURO


No alto do Morro de Gaia, este miradouro faz jus ao nome e dá-nos uma vista belíssima sobre o Douro. Estive lá este Domingo, com um bom grupo de amadores do desenho de rua, no encontro posterior ao Simpósio dos USK International — o chamado "POSK Vadio", aberto e gratuito. Eu cheguei já de tarde, mas ainda a tempo de conviver, conhecer gente nova e rabiscar. Eis o meu primeiro desenho, com a Ponte da Arrábida ao fundo e eu com óculos zoom


O dia estava luminoso e sereno, não fosse o barulho da música que se ouvia no jardim:


Mas fizemos ouvidos surdos ao chinfrim e, em boa companhia, o tempo voou! Aqui estou eu, em alguns alegres momentos desta tarde:



[Créditos fotográficos: Paulo Brilhante e Elisabeth Mata. Obrigada a ambos!]

23 de julho de 2018

ENTARDECER NA AVENIDA


Ontem, depois das despedidas do POSK VADIO, desci desde a Praça da Batalha até à Avenida dos Aliados para esperar boleia. Com o sol já baixo, pus-me a rabiscar uma das esquinas da Praça da Liberdade: a do BBVA. Terminado o desenho, ficou assim:


O skyline inicial saiu-me fora de sítio, mas que interessa? Para a frente, que atrás vem gente! E que serena aquela luz fugidia, no final só visível no pináculo da torre!...


27 de junho de 2018

TEMPO DE CEREJAS


Rubras, lustrosas, frescas e suculentas — haverá coisa melhor? Se pudesse, comia-as às mãos cheias, mais e mais, de tão gulosa que sou!... Estas desenhei-as à noite, sob a luz vertical do candeeiro da sala de jantar:


Aquela que falta ali no canto inferior esquerdo foi subtraída pelo meu filho pequeno, que não se ensaiou para a comer segundos antes de eu tirar a fotografia.

25 de junho de 2018

PUNTA DELLA DOGANA


Fiz este último desenho de Veneza a partir do embarcadouro do "vaporetto", ao lado da Praça de S. Marcos, onde cheguei depois de percorrer toda a extensão do Gran Canale. É na "Punta della Dogana" — ou, em tradução literal, "Ponto Alfandegário" — que desemboca o Gran Canale, fundindo-se com o Canale della Giudecca. Em primeiro plano, mesmo no vértice, está o edifício que em tempos foi da alfândega e é hoje um museu de arte contemporânea. A enorme abóbada que se vê mais à direita, e a que eu aqui dei uns tons um pouco caprichosos, é a da "Basilica di Santa Maria della Salute". Trata-se de uma das igrejas mais emblemáticas de Veneza, que celebra a libertação da cidade da peste de 1630 pela Virgem Maria:



Com o seu formato triangular, dir-se-ia que a "Punta della Dogana" é a proa de um navio que sulca os mares...


... E, ao leme, está uma figura feminina — Fortuna — em forma de catavento, assente sobre uma esfera de bronze. Aqui deixo uma imagem da escultura, de Bernardo Falconi, ao lado da minha versão miniaturizada:


19 de junho de 2018

REFLEXOS DE VENEZA


“[Venice]… is still left for our beholding in the final
 period of her decline. (...) We might well doubt, as we watched
her faint reflection in the mirage of the lagoon,
which was the City, and which the Shadow."
John Ruskin (1851), 
The Stones of Venice,
Vol. I, ch. I, § 1


Chamam-lhe a Cidade das Pontes, mas é na água e seus inúmeros reflexos que a identidade de Veneza parece construir-se. Com tantos cursos de água, e com uma luz tão meridional, Veneza duplica-se a cada passo, em cada esquina, sobre cada pedra, ao ponto de quase hesitarmos sobre qual das duas preferirmos, como diz Ruskin: se a verdadeira, ou se a reflectida — se a realidade, ou se a sua sombra... Deixo-vos com este dilema platónico 😊, sob forma de cor e sol, no penúltimo dia da minha visita de Maio a Veneza:


E aqui fica também o sketch, feito no local com meia dúzia de linhas, como eu gosto mas poucas vezes consigo: