30 de dezembro de 2025

CÉUS!

Não, não estou a bradar aos ditos (uma das minhas interjeições mais frequentes, admito), mas a pintá-los. É muito divertido desenhar nuvens (como tentei AQUI) e também pintar nuvens sobre o mar, com o sol a espreitar por detrás e a lançar reverberações na superfície ondulada das águas (como também tentei AQUI). Voltei a estes estudos e voltei a divertir-me. Aqui deixo, pois, alguns céus -- e alguns mares -- só com mancha, sem linha:

  

29 de dezembro de 2025

RETRATO DE UM AMIGO

 Quando nos convidam para uma festa de aniversário, nem sempre é fácil escolher um presente. No caso do Tó, em vez de livros, discos, vouchers, ou outra macaquice qualquer, resolvi fazer-lhe um retrato a preto-e-branco. Estava ciente de que o hatching (ou "hachura") lhe poderia pôr uns anos em cima, ao acentuar ângulos, vincos e rugas. Felizmente acabei por gostar do resultado -- e acho que ele também. Objetivo cumprido 😅!


Eis o presente, pronto a ser embrulhado:

28 de dezembro de 2025

UMA RUA NO INVERNO

 A Rua do Godinho fica no centro da zona antiga de Matosinhos. É uma rua onde ainda subsistem várias casas que eu descreveria como típicas do Porto: revestidas a azulejo, de dois pisos (mais semicave), com janelas altas e estreitas, grades de ferro forjado nas sacadas, telhados de telha cerâmica de duas águas, por vezes uma mansarda, e sempre uma porta de entrada característica, de batente duplo, que dá acesso a alguns degraus e estes ao centro distribuidor da casa. Do que consegui saber, o painel de vidro forrado também a ferro forjado, que se situa acima da porta, tem o nome de bandeira, sendo um elemento recorrente destas habitações burguesas que se vão vendo cada vez menos. Eis a aguarela a contraluz que fiz de algumas delas:

O dia estava frio, mas não choveu. Ali aguentei na minha cadeira de lona até concluir o desenho. As cores só vieram em casa:

26 de dezembro de 2025

A SUPLICANTE, DE CAMILLE CLAUDEL

Voltei ao desenho de esculturas, cujo desafio -- e prazer -- é captar a figura humana de múltiplos ângulos. Como AQUI olhei para "O Beijo" de Rodin, quis agora visitar a sua eterna discípula, tantos anos menosprezada (primeiro por ele, depois pela família e depois pelo mundo), Camille Claudel. "L'Implorante" é uma das suas obras mais celebradas, talvez pelos tons autobiográficos que assume. Uma mulher, de joelhos, ergue os braços para um homem que se afasta dela. A escultura tem um notável dinamismo e uma expressividade tocante. Aqui deixo alguns registos:


Assim ficaram as duas páginas, com todas as perspetivas e todos os erros 😅:

30 de setembro de 2025

A VER COMBOIOS

Os PoSk foram este sábado a Lousado, no distrito do Porto, visitar o Museu Ferroviário. Foi um encontro de que gostei particularmente, pois gosto de desenhar carros e máquinas de diversos tipos de automobilidade 😊. Sentei-me bem de frente para um conjunto imponente de três locomotivas, que pareciam avançar sobre mim com as suas longas chaminés e enormes faróis. E ali fiquei pouco mais de uma hora, não a praticar "train spotting" mas "train watching". Como eram três os históricos comboios, fiz três desenhos num só:

O comboio à minha esquerda:

O do meio:

E o da direita (com um Poskiano de brinde):


Couberam todos nas duas páginas do meu caderno, ficando assim:

No local, o desenho a linha:

... um momento do ofício de concentração (fotografia: cortesia de Abnose):

E o grupo de amigos na fotografia final:

8 de setembro de 2025

AMOURE

Não é um erro ortográfico; é mesmo assim que se chama o novo hotel de Braga, o segundo na cidade com cinco estrelitas. Bem, na cidade mesmo, não, mas numa localidade próxima. O nome "Amoure" deve~se justamente ao facto de o hotel ficar em Moure, perto de Braga: ou seja, em francês, "à Moure". Pertence à cadeia Maison Albar, de que também há um belo hotel nos Aliados, no Porto. Pois fui jantar a Moure e passar no hotel, quase a cheirar ainda a novo, uma noite regalada. Na manhã seguinte, tive algum tempo para um desenho, sentada à sombra, na parte de trás do casarão: 

Saiu quase tudo mal no desenho apressado. A caneta, desadequada para o papel poroso da aguarela, engrossou as linhas e quase borratou. A perspetiva, cheia de pontapés. E os meus verdes foram um fracasso absoluto -- sobretudo o da casa, a léguas do tom acinzentado do original...  Paciência! Fica a memória de uma celebração feliz.

7 de setembro de 2025

FAZER ONDAS

Fazê-las, não no sentido figurado, mas com tintas e pincel. Bem, e marcador! Neste desenho tentei registar uma onda que embate violentamente num rochedo, espirrando gotículas em todas as direções. Pela primeira vez usei uma Poska, tentando dar conta dos salpicos... 


E já que falamos de ondas, confesso que não é muito a minha "onda" tentar novos materiais. Às tantas, sou pouco flexível, ou pouco audaciosa! Mas reconheço que uma tinta opaca (oposta à aguarela, portanto) dá bastante jeito em casos como este. 😅

4 de setembro de 2025

FRÉSIAS NUM FRASCO

Frésias amarelas, lindas na sua fragilidade, de pétalas quase transparentes, trémulas à menor brisa. Encontrei dois raminhos num frasco n'A Brasileira. Sempre me atraiu pintar o vidro e a água, ambos translúcidos e potenciadores de luz:

31 de agosto de 2025

O «MEU» ARMANDA PASSOS

Saio aqui do meu registo habitual, para prestar homenagem a uma das minhas pintoras favoritas: Armanda Passos (1944-2021), artista do Porto com linguagem universal. Usei acrílico e aguarela sobre papel, de dimensões bem maiores (50x65cm) que o A5 em que costumo desenhar. 

Nesta composição, tentei recriar os estranhos répteis, peixes e pássaros da pintora, que pairam em torno das suas mulheres ambíguas, entre o sagrado e o profano, o sublime e o terreno. São tantos e tantas que vou mostrá-los mais isoladamente:

A matrona-mor
Uma ninfeta, entre duas madres superioras
Outra matrona, esta com vocação de polícia sinaleira

Anfíbios vários
Parte da trupe voadora

De todos os bicharocos, o meu filho, de 14 anos, disse preferir o passaroco no centro do desenho, com penas de pavão e ar de poucos amigos, apoiado na anca da matrona-mor: 😄



29 de agosto de 2025

ERVA-DOS-CACHOS-DA-ÍNDIA

Colhi este raminho numa valeta em pleno Gerês Também conhecida por "tintureira", é uma espécie dita invasora, com origem na América do Norte (nome científico: Phytolacca Americana), vendo-se bastante no norte de Portugal. Aqui ainda em flor, a tintureira adquire bagos gordos, de um preto azulado, formando um cacho vistoso sobre um caule roxo. Como muitas coisas vistosas, é enganadora -- e perigosa: todas as partes da planta são tóxicas:


Tenho pena de não ter trazido um cacho maduro. O segundo que tentei desenhar estava ligeiramente mais carnudo, mas longe da maturação total:

28 de agosto de 2025

MAR, GAIVOTAS E FLORES SILVESTRES

Nunca me canso do mar de Leça. Desta vez, acrescentei-lhe duas inquilinas de direito e um pezinho de dedaleiras, colhido à beira da estrada.

Aqui fica o mar:

...as gaivotas:

...e as flores silvestres (dedaleiras ou digitalis purpurea):

E agora as duas páginas:

27 de agosto de 2025

PERSPETIVAS DE "O BEIJO"

A escultura de Rodin é perfeita de todos os ângulos, contrariamente às versões bidimensionais que aqui mostro. Mas foi um prazer percorrer com a caneta linhas tão suaves e fluidas. (A cor é pura fantasia, claro! 😊)

25 de agosto de 2025

AUTO-RETRATO EM CONTRALUZ

A imagem, a linha e aguarela, evoca uma tarde serena de Agosto, em que desenho no meu caderno novo. Estou num quarto fresco, quando lá fora o calor abrasa. Serenidade, desenhos e Verão: só prazeres, portanto.

24 de agosto de 2025

PINHAS E BOLOTAS

Um desenho fora de época, com tons outonais ou até natalícios, mas o tempo nas férias não se rege pelo relógio nem pelo calendário…

23 de agosto de 2025

TRAJES MENORES

Mais um apanhado de gente em trajes menores, totalmente alheios à quase completa nudez que exibem. É um dos mistérios da praia, onde os códigos de pudor e recato subitamente se esfumam para dar lugar a um registo de displicente liberdade.