13 de agosto de 2018

AINDA NO EXTREMO SUDOESTE


Fiz um segundo desenho na Praia do Castelejo, desta vez voltada para sul, onde surgem falésias magníficas, de uma altura impressionante. O caminho de acesso provoca vertigens, é certo, mas felizmente não por se tratar de um estradão. É uma estrada muito estreita e sem rails, mas asfaltada, o que sossega um pouco naquelas curvas cegas em que apenas passa um carro de cada vez. Lá em baixo, a praia estende-se num areal extenso e imaculado. E, a abraçá-lo, aquelas paredes de pedra, altíssimas, imponentes…


A aguarela, como se vê, saiu-me pontilhista. Aqui deixo os registos do desenho e da desenhadora no local:


9 de agosto de 2018

PRAIA DO CASTELEJO


Outra descoberta junto a Sagres: uma praia deslumbrante, rodeada de altas falésias e de um imenso areal quase branco. O mar estava encrespado, óptimo para o windsurf (que eu, medrosa que sou, nunca praticaria). Fica já na costa oeste, um pouco acima do Cabo de S. Vicente. No meio das ondas erguem-se rochas enormes, mesmo boas para desenhar: 

 
O desenho no local foi rápido e saiu-me assim, com muitos risquinhos a marcar as sombras dos rochedos:
 
 
E eu que achava que já não gostava de praia!... Foi uma manhã plena e perfeita.
 

7 de agosto de 2018

PRAIA DO MARTINHAL


No Norte, onde vivo, as praias não têm as falésias tão características do Sul. Lá em cima, há dunas. Dunas de areia fina, mas escarpas, não. Daí, talvez, o meu encantamento pelos areais recortados e emoldurados por estas paredes abruptas. A Praia do Martinhal, junto a Sagres, é assim. E foi assim que a registei:

Apaixonei-me por esta areia clara, pelos tons queimados da arriba, pelas baías que se adivinham avançando de barco -- como aquele barquinho a remos que passa, ao longe -- e pela escassez de pessoas, mesmo em Agosto, mesmo em dias tão soalheiros e calmos como o de ontem. Uma família chega, entretanto, monta o guarda-sol, estende toalhas, descalça-se e avança logo para a água límpida e fresca. E eu acabo o meu esboço, pensando em como é bom estar aqui:

 

25 de julho de 2018

MIRA DOURO


No alto do Morro de Gaia, este miradouro faz jus ao nome e dá-nos uma vista belíssima sobre o Douro. Estive lá este Domingo, com um bom grupo de amadores do desenho de rua, no encontro posterior ao Simpósio dos USK International — o chamado "POSK Vadio", aberto e gratuito. Eu cheguei já de tarde, mas ainda a tempo de conviver, conhecer gente nova e rabiscar. Eis o meu primeiro desenho, com a Ponte da Arrábida ao fundo e eu com óculos zoom


O dia estava luminoso e sereno, não fosse o barulho da música que se ouvia no jardim:


Mas fizemos ouvidos surdos ao chinfrim e, em boa companhia, o tempo voou! Aqui estou eu, em alguns alegres momentos desta tarde:



[Créditos fotográficos: Paulo Brilhante e Elisabeth Mata. Obrigada a ambos!]

23 de julho de 2018

ENTARDECER NA AVENIDA


Ontem, depois das despedidas do POSK VADIO, desci desde a Praça da Batalha até à Avenida dos Aliados para esperar boleia. Com o sol já baixo, pus-me a rabiscar uma das esquinas da Praça da Liberdade: a do BBVA. Terminado o desenho, ficou assim:


O skyline inicial saiu-me fora de sítio, mas que interessa? Para a frente, que atrás vem gente! E que serena aquela luz fugidia, no final só visível no pináculo da torre!...


27 de junho de 2018

TEMPO DE CEREJAS


Rubras, lustrosas, frescas e suculentas — haverá coisa melhor? Se pudesse, comia-as às mãos cheias, mais e mais, de tão gulosa que sou!... Estas desenhei-as à noite, sob a luz vertical do candeeiro da sala de jantar:


Aquela que falta ali no canto inferior esquerdo foi subtraída pelo meu filho pequeno, que não se ensaiou para a comer segundos antes de eu tirar a fotografia.

25 de junho de 2018

PUNTA DELLA DOGANA


Fiz este último desenho de Veneza a partir do embarcadouro do "vaporetto", ao lado da Praça de S. Marcos, onde cheguei depois de percorrer toda a extensão do Gran Canale. É na "Punta della Dogana" — ou, em tradução literal, "Ponto Alfandegário" — que desemboca o Gran Canale, fundindo-se com o Canale della Giudecca. Em primeiro plano, mesmo no vértice, está o edifício que em tempos foi da alfândega e é hoje um museu de arte contemporânea. A enorme abóbada que se vê mais à direita, e a que eu aqui dei uns tons um pouco caprichosos, é a da "Basilica di Santa Maria della Salute". Trata-se de uma das igrejas mais emblemáticas de Veneza, que celebra a libertação da cidade da peste de 1630 pela Virgem Maria:



Com o seu formato triangular, dir-se-ia que a "Punta della Dogana" é a proa de um navio que sulca os mares...


... E, ao leme, está uma figura feminina — Fortuna — em forma de catavento, assente sobre uma esfera de bronze. Aqui deixo uma imagem da escultura, de Bernardo Falconi, ao lado da minha versão miniaturizada:


19 de junho de 2018

REFLEXOS DE VENEZA


“[Venice]… is still left for our beholding in the final
 period of her decline. (...) We might well doubt, as we watched
her faint reflection in the mirage of the lagoon,
which was the City, and which the Shadow."
John Ruskin (1851), 
The Stones of Venice,
Vol. I, ch. I, § 1


Chamam-lhe a Cidade das Pontes, mas é na água e seus inúmeros reflexos que a identidade de Veneza parece construir-se. Com tantos cursos de água, e com uma luz tão meridional, Veneza duplica-se a cada passo, em cada esquina, sobre cada pedra, ao ponto de quase hesitarmos sobre qual das duas preferirmos, como diz Ruskin: se a verdadeira, ou se a reflectida — se a realidade, ou se a sua sombra... Deixo-vos com este dilema platónico 😊, sob forma de cor e sol, no penúltimo dia da minha visita de Maio a Veneza:


E aqui fica também o sketch, feito no local com meia dúzia de linhas, como eu gosto mas poucas vezes consigo:



9 de junho de 2018

PONTE DEL DIAVOLO


Que nome insólito para uma pontezinha tão prazenteira! Algures na zona mais a leste de Veneza, no "Sestiere di Castello" (Bairro de Castello) encontrei esta ponte — mais uma, de entre tantas! — que quis desenhar, sobretudo pela estranheza toponímica. Tem o típico tijiolinho debruado a mármore e, como todas as pontes da cidade, degraus e o vão arqueado. Ostenta ainda grades de ferro e, em seu redor, perfilam-se prédios de tons pastel, que aqui ficaram vivos demais. Numa placa, o nome em letras maiúsculas não deixa margem para dúvidas:



Esta não é a única ponte na Lagoa de Veneza a ter este nome, dir-se-ia que amaldiçoado. Em Torcello, uma ilha situada ao norte que não visitei, existe uma ponte homónima, bem mais célebre e antiga, sem grades nem proteções laterais, cuja lenda — essa sim — se pode rastrear. Diz-se, pois, que uma rapariga veneziana, tomada de amores por um oficial austríaco, entretanto morto em combate, consultou uma bruxa para reaver o amado. A bruxa fez um pacto com o diabo, para que este restituísse o jovem oficial à veneziana em troco das almas de sete crianças cristãs. O casal viu-se reunido e foi feliz, mas o diabo nada recebeu como pagamento. Reza a lenda que, irado, o diabo passou a vir todos os anos, a 24 de dezembro, reclamar a dívida à ponte com o seu nome, em Torcello, sob a forma de gato preto... 

Não sabemos se esta outra ponte, a do Sestiere di Castello, está de alguma forma ligada à lenda de Torcello. A sua beleza e encanto parecem desmenti-la. Mas o nome está lá... 

6 de junho de 2018

POÇO DOS DESEJOS


Quase todas as praças que vi em Veneza têm no seu centro um poço como este. Enfeitado e esculpido, sem nada de instrumental. Os turistas acercam-se para espreitar, através das grades que o cobrem, e muitos tiram fotografias. Neste caso, a praça era o "Campo Santa Maria Mater Domini", algures no emaranhado labiríntico da cidade. Sentei-me à sombra e fiz ali mesmo o meu terceiro desenho de Veneza, com uma ponte à direita, pois claro, e uma gôndola que espreita. Mas o meu olhar é convocado pelo mistério deste poço, tão insólito como vetusto…


Eis a fotografia que tirei mal dei por terminado o desenho (as raparigas em torno do poço acrescentei-as depois):



Que segredos esconderá este poço encantado? Que histórias ouviu, que desejos acolheu, que gerações acompanhou ao longo dos séculos?...

28 de maio de 2018

IL RIALTO DEFORMATO...


O meu segundo desenho nesta escapadinha de 3 dias a Veneza foi a Ponte de Rialto, construída em 1591 sobre o "Gran Canal":


O desenho teria ficado bem melhor se eu não tivesse sido traída pela geometria temperamental daqueles belos arcos... Mas adiante.  Erro daqui, gato dacolá, lá despachei o meu "capo lavoro". Aqui, ainda em intenso rabiscanço, sentada na esplanada mais próxima, enquanto os meus "linguine alle vongole" não chegavam:

E, como pormenor curioso da minha localização, a Ponte de Rialto refletida… nos meus óculos:


Em breve mostrarei mais Veneza "à maneira da Miú" 😊.
Aspettatemi! 

21 de maio de 2018

BASÍLICA DI SAN MARCO


Regressei a Veneza depois de... 33 anos! Bem, não nos detenhamos a fazer contas 😅 e passemos ao que interessa: desenhos! E que cidade esta para desenhar!... Na realidade, o maior problema é escolher o quê, pois tudo se presta, tudo convida, tudo nos interpela. E depois há os monumentos incontornáveis, como a Basílica de S. Marcos, portento bizantino de uma beleza inesgotável. Todos os caminhos — e são tantos, na cidade labiríntica — a anunciam: "Per San Marco"... Pois bem, foi o meu primeiro desenho, muito aldrabado perante a profusão de detalhes e a riqueza dos pormenores:

A moldura humana que acrescentei à aguarela estava praticamente ausente do meu desenho in situ: 

 
As pombas, essas, são uma constante na cidade inteira. E aqui estão elas, e eu, antes de uma carga de água que subitamente se abateu sobre Veneza:
 
 
Aqui vêem-se também os três mastros vermelhos, com leões alados bem dourados no topo, que eu ignorei no meu desenho...
 

15 de maio de 2018

CADEIA DA RELAÇÃO


Ando às arrecuas na publicação dos meus desenhos... Só agora surge o que fiz no Encontro "PoSk na Páskoa". Na tarde do dia 1 de Abril, um sábado, já depois do almoço, houve digressões pelas redondezas de Carlos Alberto (o ponto de encontro inicial). Na Cordoaria, desenhei a esquina da prisão onde Camilo penou de amores... 



Pus pós de perlimpimpim nas cores, pois o dia estava tristonho...
 
... mas isso não afectou a nossa boa disposição! Aqui fica a fotografia de parte do grupo: aparecemos eu, o Abnose, o Rui, a Leonor e o Américo, todos sentados em filinha nas costas das letras do PORTO (a Elisabeth tirou a fotografia):



12 de maio de 2018

O TOURO E A ROSA


E aqui está o meu terceiro e último desenho do Encontro USkPN em Ponte de Lima. Estava eu a desenhar a Matriz, sentada no meu banquinho, quando um grupo de miúdos se acercou. Pergunta para aqui, pergunta para ali, depressa entabulámos conversa. Dali a pouco já se tinham transformado em peritos, a dar-me conselhos de toda a ordem sobre como fazer o desenho. Uma das crianças, uma menina adorável chamada Patrícia, pediu-me então que lhe fizesse o retrato. "O teu retrato?", perguntei eu. "Mas eu estou aqui é para desenhar a cidade, sabes?" E ela: "Então desenhe ali aquela estátua, que eu vou para cima dela" — e apontou para a "Vaca das Cordas", um dos elementos mais populares da simbologia da cidade. Como recusar? 

A pequenita, de 6 anos, aguentou firme durante os oito a dez minutos que o desenho durou, empunhando uma rosa, presente que estava reservado para o dia seguinte, o Dia da Mãe. Os outros miúdos iam dizendo: "A senhora está a desenhar-te o pé... e agora a perna... e agora as costas... Não te mexas! Agora está a desenhar-te a cara...":

Finda a sessão, e tendo tido a aprovação da retratada e da mãe, entretanto chamada ao seu café ali perto, não resisti a tirar uma fotografia com os meus companheiros artísticos. A modelo da rosa é a menina agachada junto a mim, sempre a sorrir:

9 de maio de 2018

À ESQUINA DA MATRIZ


Findo o almoço de grupo em Ponte de Lima, fui sentar-me junto à Igreja Matriz, na frescura da sombra do prédio em frente. Estando tão perto do motivo, e sendo o dito tão monumental, tive de optar por uma perspectiva de afunilamento:

 
Foi um desenho rápido para o que é costume em mim (cerca de 40 minutos) e depressa o pude fotografar, dando a tarefa por concluída:  
 
 
O desenho teve ainda a vantagem de atrair um grupo de crianças que por ali andavam a brincar, junto das quais a conversa foi bastante animada... Ora vejam o meu ar de satisfação junto a eles, mostrando o desenho à Elisabeth Mata e ao Vicente Sardinha:
 
 E, aqui, todos nós a admirar a obra do Vicente:
 
 
Este desenho, pelo prazer que me deu fazê-lo em boa companhia, não vou eu esquecer tão cedo, tenho a certeza!