18 de julho de 2019

NO TERREIRO DO PAÇO


Tenho pouquíssimos desenhos de Lisboa, pois quando vou é sempre a correr. E, como me parece sempre que hei-de voltar dali a pouco com mais tempo, tendo a adiar. Desta vez, porém, fui ao coração da Baixa de propósito para desenhar a praça pombalina por excelência. Banhada de luz, pejada de turistas, com aquele amarelo forte dos edifícios paralelos ao curso do rio, estava linda, imponente, airosa como uma garça com o pé na água. E ficou assim no meu caderno:



De todos os desenhos que tenho feito ao longo destes quase cinco anos de "urban sketching", devo confessar que este é dos que mais gosto. Sentada nos degraus da estátua, no centro da praça, a versão a preto-e-branco do arco da Rua Augusta saiu-me com fluidez.


Ouviam-se gaivotas e mil línguas em redor, enquanto a brisa do Tejo afagava as pedras brancas.


14 de julho de 2019

SENHOR DA PEDRA


Fomos a Miramar, a sul do Porto, em excursão de desenho, para o Encontro POSK 64. E, depois de um inesquecível almoço, todos deitámos mãos à obra em pleno areal, junto às ondas. O meu desenho da Capela do Senhor da Pedra, com cor aplicada chez moi, ficou assim:


O escaldão no braço esquerdo e no pescoço do mesmo lado foram brinde do Senhor padroeiro, que não se compadeceu dos meus esforços:


Aqui, todos a postos para começar:


12 de julho de 2019

MAIS AVEIRO


De tarde, do mesmo lado do canal, mas mais para dentro, uma vista bem mais moderna e industrial. Sem torcicolo desta vez, mas com alguns pontapés na realidade. 😄 



Foi o meu segundo desenho no 48º Encontro USkPN / RAW, já depois do lauto almoço no "Centenário". Eis o desenho no local:


9 de julho de 2019

POR AVEIRO


Este sábado, dia 6 de julho, desci até à "Veneza portuguesa". Foi no 48º Encontro dos Urban Sketchers Portugal Norte (USkPN), organizado em conjunto com o RAW (Ria de Aveiro Weekend). Finalmente pude desenhar esta cidade linda e desafogada, cheia de passeios à beira da água. Como não podia deixar de ser, quis captar exemplares arquitectónicos de Arte Nova, pelo que me sentei junto ao canal, de frente para um belo conjunto de fachadas. Por sorte, no ancoradouro atracaram dois barcos moliceiros, dos muitos agora adaptados a passear turistas. Que bom que entraram no meu desenho!



Já os edifícios, enfim, parece que sofreram os efeitos de um torcicolo meu, pelo menos a julgar pela inclinação das fachadas:


8 de julho de 2019

RETRATO DE CORPO INTEIRO


Mais uma incursão minha pelo auto-retrato, este já com um mês, publicado originalmente no grupo "Self-Portrait Sundays". Desta vez, arrisquei um plano à distância, com o corpo inteiro dentro de uma folha A4, olhando-me ao espelho. Gostei desta imagem de mim, descalça, encostada ao armário, desenhando de pé:

30 de junho de 2019

PELA CORDOARIA...


Depois do almoço de aniversário dos PoSk, fiz um segundo desenho, na Cordoaria, mas com muita preguiçaaaaaaaaaaaa... É a minha sina pós-prandial: se apanhar uma cama a jeito, a "siesta" leva sempre a melhor! Mas aqui não tinha cama, pelo que tive de me contentar com o meu banquito de pescador, uma sombra e o meu caderno. Terminado em casa, o desenho, com vários erros, ficou assim:



No local, tive de interromper o esboço nesta fase:


Mas foi por uma boa razão: estava a começar a inauguração da nossa exposição coletiva no bar Espiga. Ali passámos o resto da tarde em bela conversa...

25 de junho de 2019

NO JARDIM DAS OLIVEIRAS


A comemoração do 3º aniversário dos PoSk (Porto Sketchers) deu-se junto aos Clérigos, no chamado Jardim das Oliveiras. É um sítio onde voltamos muitas vezes, por ser tão central e animado. No dia 15 de Junho, um sábado, vários de nós passámos a manhã, justamente, a desenhar oliveiras. A minha ficou assim:


Depois, em casa, transformei-a em algo bastante diferente, mas não tenho a certeza se melhor:


E aqui estamos nós, no retrato de grupo bem divertido, feito ao final da manhã:

18 de junho de 2019

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO


Um pequeno apontamento de Primavera, feito em pleno Maio: uns lírios do ramo que me deram no Dia da Mãe. Esqueci-me na altura de o pôr aqui, mas faço-o agora:

16 de junho de 2019

UM FORTE SOBRE O MAR


O 62º Encontro dos PoSk (Porto Sketchers) foi no Castelo do Queijo, numa manhã cheia de sol. Um sol forte, no primeiro dia de Junho, mas amenizado pela brisa fresca que vinha das ondas, ali mesmo ao pé. Pelas rochas e pela areia, passeavam pessoas: sozinhas, com o cão, em grupo ou aos pares. Com cheirinho a sal no ar e muito protector nos braços, não fosse eu apanhar o primeiro escaldão do ano, lá me pus a desenhar. O que vi saiu-me assim:

E aqui está o esboço, fotografado mal o acabei:



Todos juntos, no final da manhã, posámos para a sorridente fotografia da praxe:


5 de junho de 2019

PONT DEL BISBE


Em catalão, significa "Ponte do Bispo", mas em rigor não é uma ponte, antes um passadiço sobre uma rua estreita, o Carrer del Bisbe (Rua do Bispo). Fica muito perto da Catedral, numa quelha perpendicular, em pleno Bairro Gótico, e era uma das imagens que mais me tinham ficado na retina desde que, há cerca de 15 anos, tinha ido a Barcelona pela primeira vez:


O desenho no local saiu-me bem, bastante certinho, ou não estivesse eu confortavelmente sentada num degrau providencial e com tempo nas mãos:


Fiz mais desenhos nesta viagem. Aqui os mostrarei em breve.

31 de maio de 2019

POR BARCELONA


Estive na semana passada em Barcelona, a participar numa conferência de dois dias. Antes e depois, tive tempo para passear pela cidade e para a desenhar. Na quarta-feira, recém-aterrada, fui logo de manhã procurar um amigo, até então "virtual", o Joshemari Larrañaga, cujo blogue acompanho há vários anos. Tínhamos combinado que eu me juntaria à Colla dels Dimecres, o grupo que reúne para desenhar Barcelona às quartas-feiras. O ponto de encontro era a "Estació del Nord", com uma linda abóbada central em ferro e vidro e um parque adjacente. O meu desenho, pintado mais tarde, ficou assim:



Como se pode ver, tomei bastantes liberdades de perspectiva na fase do desenho "in loco", ali com uns entortanços de alto-lá-com-eles:


Mas o melhor da manhã foi mesmo conhecer o Joshemari, grande artista de barcos e marinhas, com quem tinha travado uma amizade à distância, através dos blogues e do Facebook. Foi realmente como reencontrar um velho amigo!


Obrigada, Joshemari, por esta manhã inesquecível e pela menção tão simpática que mereci no blogue La Colla dels Dimecres.

19 de maio de 2019

IGREJA DE S. FRANCISCO


O 60º Encontro dos PoSk (Porto Sketchers) aconteceu ontem, sábado, no Largo de S. Francisco. Muitos turistas ali pela Ribeira, muito sol e muito para desenhar! O conjunto arquitectónico do antigo convento de S. Francisco é tão encantador como complexo, com os seus desníveis vários e as diferentes fachadas que se alinham junto a ele:


O desenho no local saiu, por isso, com uns bons gatos, mas pelo menos não desisti! E, é claro, a cor ajuda a esconder essa "gataria"...


A fotografia do grupo, cheia de sorrisos, é um festival de luz:


13 de maio de 2019

BROKEN BICYCLES


Broken bicycles, old busted chains,
With rusted handlebars out in the rain.
Somebody must have an orphanage for
All these things that nobody wants any more!

(Tom Waits, 1982, "Broken Bicycles") 

Estive em Londres em Janeiro, mas só agora pintei os desenhos que lá fiz. Este que aqui trago hoje foi feito numa terça-feira inundada de um sol inesperado. Vi esta esquina - anónima mas com um vizinho eminente (o Museu Britânico) - e adorei o seu 'pub' pintado de um azul escuro forte, engalanado ainda de luzes de Natal. No poste em frente, uma bicicleta com uma só roda jazia, esquecida. Era uma das muitas bicicletas abandonadas que se vê por tantas cidades europeias:


A cena trouxe-me à memória a canção do Tom Waits. E esta, por seu turno, transportou-me para a minha adolescência nos anos 80. Não há como a música para nos fazer reviver recordações antigas, não é?


Aqui fica o desenho, recém-acabado, quando já me gelavam as mãos e a ponta do nariz. Neste caso, tenho que admitir: o desenho só a tinta agrada-me muito mais do que a versão aguarelada. É um daqueles exemplos em que um desenho que nos sai bem pode ser deitado a perder na fase da cor:

7 de maio de 2019

QUEIXO NA MÃO


... ou mão no queixo? Seja o que for, aqui mostro mais um auto-retrato, publicado no grupo "Self_Portrait Sundays". Este foi feito directamente a caneta, sem esboço a lápis. Cada vez gosto mais desta técnica de sombreado a que os ingleses chamam "hatching" e nós "trama". Vou continuar a explorá-la!


6 de maio de 2019

TRÊS QUARTOS


Auto-retrato a 3/4 significa que estamos a olhar pelo canto do olho para nós mesmos ao espelho, enquanto tentamos manter as proporções e fazer algo que não pareça um desenho cubista, com um olho na testa e o nariz na barriga. Bem, a coisa não é pêra doce. Ainda por cima, fiz o desenho directamente a caneta, o que significa que não pude corrigir. Mas gostei do resultado, apesar de a boca estar projectada para a frente e com uma comissura que não tem nada a ver com a minha. Ah, e de o cabelo parecer uma touca... Mas a luz, que vinha de um candeeiro baixo de leitura à minha esquerda, gerou umas sombras giras sobre o rosto: