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28 de agosto de 2025

MAR, GAIVOTAS E FLORES SILVESTRES

Nunca me canso do mar de Leça. Desta vez, acrescentei-lhe duas inquilinas de direito e um pezinho de dedaleiras, colhido à beira da estrada.

Aqui fica o mar:

...as gaivotas:

...e as flores silvestres (dedaleiras ou digitalis purpurea):

E agora as duas páginas:

26 de outubro de 2024

O BOM GIGANTE

A deixa do Inktober para o dia 21 era "Rhinoceros". Esta eu quis mesmo desenhar. É um animal particularmente interessante, com aquele físico gigantesco, o ar pré-histórico e aquela natureza pachorrenta dos herbívoros. 


Este é o rinoceronte-branco, que se distingue do seu irmão africano, o rinoceronte-negro, não pela cor (são ambos de um cinzento acastanhado) ou pelo desenho do corpo, mas pelo formato do crânio, das orelhas, dos chifres e, em particular, dos lábios. O rinoceronte-branco tem o crânio mais comprido, as orelhas mais pontiagudas, o chifre dianteiro bem maior e os lábios largos ao invés de bicudos. Aliás, o formato do focinho valeu-lhe o cognome de "rinoceronte de lábios quadrados". "Wyt" é a palavra afrikander para "largo" (ou seja, "focinho largo"), mas os ingleses interpretaram-na erradamente, não como "wide", mas como "white", passando a chamar a espécie assim. 
     Este bom gigante pode pesar três toneladas e meia, sendo por isso o segundo maior animal terrestre vivo. Vivo por quanto tempo? Resta saber. Estando em vias de extinção, é uma dor de alma encontrar online, à vista de todos, os sites de caça ao rinoceronte. Um crime.

4 de outubro de 2024

EXÓTICO

Bem, se um papagaio não é exótico, não sei em que estariam a pensar os do Inktober para este dia 4. Ou melhor: até sei, ou posso adivinhar, mas de entre outras dezenas de possibilidades, eu não resisto a esta profusão de cores. E é um bom pretexto para voltar aos papagaios, que já desenhei aqui e aqui.

22 de julho de 2024

ZOO DA MAIA

Muitas riscas, bigodes, plumas, cores, saltos, movimentos... e muitos "gatos" no meio dos animais selvagens! Foi este sábado, dia 20 de julho, no 125º Encontro PoSk, no jardim zoológico da Maia.

Os dois de cima dispensam apresentações, mas os três de baixo (um repetido), sobretudo porque se mexiam freneticamente, ficaram um pouco fantasiosos: um veado "ladrador", um grou-coroado e um lémure-de-cauda-anelada. 

E aqui fica o bem-disposto grupo da tarde, a que me juntei já a dita ia adiantada:

15 de outubro de 2023

CINCO BALEIAS

 Uma baleia azul, uma orca, uma beluga, um cachalote e uma baleia boreal. Foi a minha escolha para uma aguarela que fiz para o quarto do meu filho de 12 anos, quando há alguns meses lhe remodelei o quarto, retirando o papel de parede de carrinhos e barquinhos e os quadros mais infantis. Estou ciente, claro, de que mais tarde ou mais cedo também as baleias vão voar dali para fora -- e ser substituídas por posters de DJ, Youtubers ou outros ídolos semelhantes da Geração Z (longe vão os tempos das estrelas de cinema ou do rock)... Mas enquanto essas afirmações libertárias não chegam, vou-me divertindo assim. O desenho, contrariamente à prática de sketching, foi a lápis. E as proporções foram violentamente ignoradas: a baleia azul, por exemplo, é dez vezes maior que a orca (30 m vs. 3 m), mas enfim, assim ficaram todas, lado a lado: 

3 de outubro de 2023

BASSETS

 Não tenho cão, só gato, mas sempre ansiei por um. Tivesse eu a disponibilidade e o espírito de sacrifício para tratar de um cão como deve ser, adotaria um cheia de alegria. Gosto dos cães de porte grande ou médio, de preferência de orelhas caídas e de temperamento dócil e pachorrento. Apesar de pequenotes, sempre tive um fraquinho pelos bassets  e admito que os anúncios da Hush Puppies contribuíram para isso. O nome provém do francês "bas", ou baixo, e pertencem à classe dos sabujos (em inglês, hounds), cães de caça, de faro apurado. Neste esboço, quis desenhar um basset em várias expressões típicas, muitas delas tipo "caliméro", aquele ar entre o tristonho e o suplicante, o entediado e o complacente. Dizem que esta expressão deprimida é enganadora, e que os bassets são, na realidade, cães muito bem-dispostos.

         

21 de março de 2020

NANÁ NA QUARENTENA


Conheço alguém que não se deixa afetar minimamente pela quarentena. É a minha Naná. Aliás, dêem-lhe quarentena com fartura, ou seja, companhia 24 sobre 24, que ela agradece.

23 de abril de 2019

GAMOS NO PARQUE


Num passeio até à Serra da Lousã em plena Páscoa, ficámos num hotel rodeado de um extenso parque natural, com imensos animais, domésticos e selvagens. Estes últimos eram exclusivamente naturais da Península Ibérica: linces, lobos, raposas, javalis, aves diversas, veados... e gamos. Com as suas manchinhas brancas circulares sobre fundo castanho e as caudas fofas brancas, delineadas a negro, deixaram-se desenhar placidamente, enquanto comiam e dormitavam ao sol:

Olhavam-me por momentos, mas sem medo. E eu, claro, fui aproveitando, e lá consegui captar um ou outro nos seus calmos afazeres de cativeiro. Em casa, acrescentei uma mancha de verde vibrante, a condizer com os apetites inocentemente herbívoros destes seres tão pacatos:


28 de janeiro de 2019

PENAS E CORES...


Nada como as aves para darem "asas" ao pincel! São um regalo para a caixa de aguarelas e, se nos forem familiares, são relativamente fáceis de desenhar. Tive vontade de juntar um bom bando de aves de capoeira, mas das que andam em liberdade, ou quase, a esgravatar e penicar por aqui e por ali. Por isso, galinhas e pintainhos, mais o chefe do harém, ora pois, e um peru, que costuma coabitar pacificamente com o grupo:

10 de janeiro de 2019

REUNIÃO IMPROVÁVEL


Começo o ano com um pequeno desenho dito "de estúdio", feito em casa mas à vista. Um conjunto de bonecos do meu rapazinho, bem coloridos e bons para praticar quando está frio lá fora! Um cavalo, uma girafa e um tigre -- ou, é caso para dizer, um encontro muito pouco provável…


31 de dezembro de 2018

UM ANIMAL QUE NUNCA VI


Acabo o ano com o desenho de um animal tão misterioso como familiar, resgatado dos meus cadernos atrasados, de uma página que remonta já a Outubro. Durante esse mês costuma decorrer um desafio internacional de desenho -- o Inktober, com uma deixa diária. Há muitos corajosos que o seguem religiosamente. Eu, avessa a obrigações nesta matéria lúdica, só tive vontade de fazer um único desenho durante o mês inteiro, o do dia 11. A deixa era "whale":


Como se vê, a minha baleia surge numa representação pouco original: a de se ver os dois níveis do mar, sobre e sob a linha da água. Pus ainda uma criança num barquito a afagar o focinho da dita e, depois, vários tons de azul e muita água. Gostei de dar rédea solta ao pincel e às manchas de tinta!

E é nesta cor versátil e infinita, o azul, que quero deixar os meus melhores votos de Ano Novo a quem visita este blogue. Depois da morte anunciada da blogosfera, verificar que ainda há pessoas -- muitas das quais eu também nunca vi mas que me são já tão familiares -- que continuam a passar por aqui, dando generosamente atenção aos meus desenhos, é motivo de muita alegria e gratidão. Muito obrigada pelo vosso apoio e carinho! E por aqui nos voltaremos a "ver", espero, daqui a um ano...

11 de janeiro de 2018

DE PAPAGAIO AO OMBRO


Já tinha aqui escrito que, depois do falecimento do Jacinto, o meu canário despenteado, estava com ânsias de adoptar um novo pássaro (leia-se "comprar", já que não conheço onde se adoptem pássaros). Pois bem, eis o Óscar:


É um psitacídeo, um Pyrrhura Hypoxantha, de flancos amarelos sob as asas, oriundo do sudoeste do Brasil. Bastou-me vê-lo na loja de animais, de olho vivo e cabecinha levantada, fazendo-se ao cumprimento, que logo percebi que tinha de ser aquele. Não era o mais bonito, longe disso: havia lá outros com plumagens bem mais coloridas e poupas bem mais majestosas, mas eram apáticos e indiferentes. Também não era o mais económico: outros papagaios mais vistosos eram mais baratos. E também não era, decididamente, o de maior porte: digamos que ao pé de outros parecia um mini-papagaio. Mas este, com a sua cabecita escura, as enormes pálpebras brancas, tipo palhaço, e os olhos bojudos com ângulo (dir-se-ia) de 360º, tipo camaleão, fez-me rir. E a forma como me olhou nos olhos abanando o bico enorme para cima e para baixo derreteu-me o coração. Veio logo comigo para casa. E, em casa, depressa começámos a fazer concorrência aos piratas:


Pois é, de papagaio ao ombro! Na verdade, não tardou muito a que o habituasse a ser mansinho. No início,

29 de dezembro de 2017

AO ESPELHO COM A NANÁ


A minha gata costuma aproveitar-se do meu colo durante o inverno, ignorando-me com altivez quando fica calor. Nestes dias mais frios, é certo e sabido: quando me sento, lá vem ela. E eu deixo, claro. Como resistir-lhe? Enroscada sobre as minhas pernas, ronrona deliciada enquanto me autoriza a fazer-lhe festas. Hoje, entre um afago e outro, vi-a tão sossegada que resolvi tentar um retrato. Pedi que me trouxessem um espelho e mo colocassem em frente. Desta vez usei primeiro o lápis — e ainda bem, pois tive de apagar várias vezes. Mas lá acabou por sair, com a roupa amarrotada, a caneta na mão inversa e a Naná a servir de secretária:


E aqui fica o registo do momento em fotografia, com dentes incluídos, na qual se pode ver...

17 de julho de 2017

VERÃO VS. INVERNO


Cá continuo, toda divertida, com os meus estudos de pessoas em movimento. Desta vez, uma indumentária de Verão, feminina, lado a lado com três espécimes invernosos, masculinos. Só o cão é uni-estação – e de sexo indefinido. Deixemo-lo assim, qual ser angélico a vogar por esferas livres, sem normas nem atavios. (Mesmo nessa dimensão, fazia-lhe bem uma dieta.)




9 de junho de 2017

PASSARADA


Gosto de pássaros. Sou aquele tipo de pessoa que quando vai à feira pára nas tendas de periquitos, canários e quejandos com sorrisos de prazer. Sim, já sei, esses são pássaros enjaulados e isso é errado, condenável, blá-blá-blá. Ok, prendam-me também a mim como castigo, mas a verdade é que essa é a única maneira que tenho de os ver de perto. E acho-os adoráveis, com aquelas patinhas finas, o corpo vibrátil e os olhos muito vivos. Não sendo ornitóloga nem bird watcher, contento-me com isso e com ... desenhá-los! Deixo hoje aqui uma amostra ao acaso, de espécies não-relacionadas, unidas apenas na delicadeza do porte e na diversidade da cor:

Aquela bolinha amarela ali no meio é em honra dos meus dois canarinhos, que me acompanharam por longos anos em fases bem diferentes da minha vida. O nº 2, de nome Jacinto, andava solto dentro de casa, esvoaçando alegremente por aqui e por ali, mas não se afastando muito da gaiola. Nunca chegou a aprender as habilidades do Pimpim, o meu canário nº 1, que andava sobre o meu ombro e voava FORA de casa, voltando sozinho, todo contente, para a sua gaiola. 
     Acordo muitas vezes a ouvir o chilrear dos pássaros. Julgo que essa é até a definição habitual do despertar perfeito, não é? E sei, obviamente, que esse é o despertar perfeito para os pássaros – em liberdade. Mas, havendo tantos passarinhos à espera de ser adoptados e acarinhados, sem hipótese já de vida alternativa uma vez que foram criados em cativeiro, creio que vou reincidir. Não me batam, vá. 😇

6 de fevereiro de 2017

ARCA DE NOÉ


Eis o resultado de um sábado de dilúvio com o meu filho de seis anos em casa a desenhar ao meu lado...



Trata-se da primeira sugestão que agarro do Desafio "A Drawing a Day" para Fevereiro (sim, o desafio continua!). A dica do dia 4 era "Animal"... e não consegui decidir-me só por um!


15 de janeiro de 2017

NANÁ AO QUADRADO


Fiz este esboço duplo da minha gata, num blocozinho de folhas finíssimas que tinha à mão, em resposta ao desafio "Um desenho por dia", lançado pela SketchBook Skool. A deixa do dia 14 (ontem) era "pet" – e o meu animal de estimação, único e absoluto, é a Naná, já pintada aqui e desenhada ali. Ei-la, de novo:


 E agora a cores:




Não me parece que consiga seguir o desafio com um mínimo de assiduidade, mas há-de haver um ou outro que me apeteça tentar... Deixo aqui a lista de dicas para o mês de Janeiro:



3 de maio de 2016

NANÁ


"Elle eut une dignité de reine offensée."
Émile Zola, Nana (1880)

A minha gata tem nome de heroína de romance. E, tal como a homónima de Zola, tem uma dignidade de rainha – ofendida ou não, tanto faz. O que é certo é que ela reina, soberana, dia fora, noite dentro, pela casa que é só dela. E dorme, dorme...
Três sarrabiscos, trinta segundos. Não se pode dizer que lhe tenha prestado vassalagem condigna com este desenho tão tosco. Mas fica o registo. E a verdade é que já, em tempos, a pintei de forma bem mais cuidada (aqui), também em sono profundo, por sinal. Viva o hedonismo onírico!

2 de maio de 2016

BAGAS VERMELHAS E UM CHAPIM


Os chapins são passarinhos adoráveis, com uma máscara ocular tipo Zorro, que se podem ver em grande parte de Portugal continental. Este que aqui deixo é um chapim azul. Trata-se do terceiro quadro para o tríptico de "paper cutting" que me deu na cabeça fazer (para juntar ao da corça e ao do veado). Desta vez, resolvi pintar o desenho principal todo a aguarela, já depois de o ter recortado. Não estou certa de ter feito uma boa escolha, mas o que está feito está feito:


Como já aqui disse, isto do paper cutting não é hobby para ninguém, pois requer antes de mais um seguro... aos dedos! Enfim, mas lá que é divertido, é. Aqui deixo uma imagem do processo e também a versão final, já emoldurada.



Eis o tríptico, com o fundo em papel ondulado bege a dar unidade ao conjunto (e com o meu rebento a dar-me indicações de enquadramento da fotografia):




18 de abril de 2016

UM VEADO ENTRE BÉTULAS


Quando estive na Finlândia há dois anos, lembro-me bem de ter notado a omnipresença das bétulas no imaginário turístico local: os seus troncos altos, finos e prateados, marcados por linhas negras horizontais, apareciam em tudo, de posters a brinquedos, de utensílios a souvenirs variados. Numa das excursões do colóquio a que fui, perto de Helsínquia, vimos florestas de bétulas, mas na altura verdejantes (era Junho). É claro que não tive a sorte de me cruzar com um veado de armação imponente como este (era bom, era), mas quis transpô-lo para a nossa latitude meridional, espreitando por entre o emaranhado de árvores:


Foi o meu segundo trabalho de paper cutting, feito a pensar num tríptico (para juntar a este e a um outro que há-de vir). Desta vez, usei aguarela sobre traço leve a lápis, apenas para destacar a figura do animal. Note-se que o fiz, algo estranhamente, antes de recortar o desenho pelo lado do avesso:

Passei depois ao x-acto, sempre na face interior, para não ficarem visíveis as marcas dos cortes. Corta-por-aqui, corta-por-ali e... pronto!


É caso para dizer que, desta vez, o corte-e-recorte me levou ao... Norte!