22 de setembro de 2016

NUMA PEQUENA ILHA


La Toja é uma ilhota ao largo de El Grove, nas Rias Baixas da Galiza. Perdão, agora escreve-se "A Toxa" e "O Grove", que me desculpem os independentistas galegos. Mas desde pequena que conheço estes locais com grafia e pronúncia castelhana! Estive lá no passado fim-de-semana, com sol e uma brisa já fresca, numa pausa bem-vinda depois do retomar das rotinas académicas. É uma paisagem encantadora, que eu infelizmente não cheguei a desenhar. O único desenho que fiz foi na piscina do Gran Hotel:



Eu sei, sou uma sacrificada. E acreditam que aquela água azul turquesa estava quentinha? A piscina era aquecida, mais tépida dentro do que ao vento cá fora:


"Buenísima!", disse alguém – um imperialista, sem dúvida, porque um galego deveria ter dito: "Moito boa"!

21 de setembro de 2016

VERDE NA TERRA, VERDE NO AR


Num país tão verdejante como a Irlanda, não admira que a cor da companhia aérea nacional seja...o verde. No final da minha viagem de seis dias, enquanto esperava num dos bares do aeroporto de Dublin, pus-me a desenhar os aviões. Os da Aer Lingus alinhavam-se lá em baixo, junto às mangas, num frenesim de cargas e descargas:





Já notei a popularidade deste tipo de desenho entre a comunidade sketcher, mas a minha produção dá-me vontade de rir: o primeiro avião, como me informou o meu meaningful other à chegada a casa, ficou "gordinho", parecendo-se com um avião de brincar. Paciência. A coisa foi melhorando conforme ia avançando para a direita. Fosse o papel mais espaçoso e o quarto avião, a existir, parecer-se-ia com um avião a sério!


Felizmente que consegui acabar o desenho antes de eles me fugirem, afastando-se rapidamente um a um na direcção da pista de descolagem.

18 de setembro de 2016

ENTARDECER EM DUBLIN


Tive uma sorte enorme com o tempo na minha viagem à Irlanda. Apesar de ter aterrado sob uma chuva persistente, no dia seguinte pôs-se sol – coisa rara por aqueles lados – que se foi aguentando por toda a semana. Em Dublin, junto ao rio Liffey, consegui fazer um desenho, mostrando parte da ponte de ferro para peões que aparece em tantos postais:



A tarde avançava depressa, pelo que tive de me despachar. E, concluído o esboço, lá o fotografei, como de costume, sobrepondo-o à paisagem desenhada:


Alguém me apanhou em plena ginástica fotográfica...


...ficando eu com mais esta recordação de Dublin.

13 de setembro de 2016

NUI - GALWAY


Retomo a publicação dos desenhos da minha viagem à Irlanda no fim de Agosto. Este foi feito no local do congresso, a NUI (National University of Ireland), em Galway. Mostra a fachada principal do edifício, de linhas góticas, profusamente coberta de hera. Estacionada à frente, uma camioneta de jardinagem denotativamente verde – "Radharc, Landscaping Co." – ou não fossem os imensos relvados do recinto académico autênticas jóias manicuradas:


Para fazer o esboço sentei-me no pequeno passeio defronte, com os pés no asfalto, num lugar para deficientes. Felizmente não estacionou nenhum legítimo ocupante, pelo que pude rabiscar à vontade:


12 de setembro de 2016

JARDIM BOTÂNICO DO PORTO


Foi na tarde deste sábado, dia 10, o 5º Encontro dos PoSk. O sol estava quente depois do almoço, pelo que optámos por começar pelas zonas mais sombreadas do grande recinto. Eu e o António ficámo-nos por um lago bem fresco, coberto por uma espécie de lentilha-de-água verde-limão, junto ao que parecia ter sido um moinho. Uma enorme costela-de-Adão subia por um dos lados da parede de pedra, ao passo que do outro havia um canavial. Deixei o desenho a preto e branco, pois trabalhei os contrastes com mais pormenor:


Quando comecei a sentir a sombra a tornar-se demasiado fresca, procurei o sol, sentando-me num dos jardins de buxo da enorme Casa Andresen. O desenho, bem torto, veio a merecer cor, numa tentativa esforçada de resgate:




Perto da hora do fecho, depois de analisados e comentados os desenhos de todos, posámos para a fotografia da praxe, que custou a sair, pois não acertávamos nem com o enquadramento nem com o temporizador:


Mais uma tarde muito bem passada, com boa companhia e bons desenhos!

10 de setembro de 2016

PRAIA DOS BEIJINHOS


Com o diminutivo parece algo de romântico, quase adolescente, lembrando beijinhos de namorados. Mas esta praia de Leça tem umas rochas dramáticas, escarpadas, cheias de arestas e bicos perversos. No inverno impõe respeito, mas no Verão também não é exactamente convidativa para banhos. Desenhei-a já em Setembro, numa manhã com uma aragem fresca e quase ninguém na praia:



Uma semana antes, um homem de 67 anos morrera ali mesmo, no rebentar das ondas. Segundo as notícias, não se chegou a aperceber do perigo que corria, pois não pediu socorro. A primeira onda embrulhou-o, a segunda atirou-o para as rochas, à terceira já estava sem sentidos. Beijo?... Beijo da morte, talvez.

Mas olhando para a direita, a paisagem torna-se mais domesticada, com barracas, sinalética e e esplanada do restaurante Fuzelhas. Desenhei-a também, num esboço muito rápido, que pensei descartar. Mas aqui o deixo, para marcar a estação balnear que agora finda, com uns banhistas algo incongruentes deitados directamente sobre a areia:



5 de setembro de 2016

ARCO-ÍRIS NA "HIGH STREET"


Foi a minha primeira ida a Galway - e à Irlanda também. No final de Agosto, mais uma conferência, mais uma viagem de trabalho, mais uma oportunidade de juntar o útil ao agradável. O que mais me impressionou desta cidade pitoresca foram as cores. Tantas, em todo o lado! Fachadas garridas e vibrantes, flores aos montes, em todos os tons de uma paleta inusitada, incongruente num clima tão cinzento. E a música, também por todo o lado: na rua, por vezes acompanhada do típico sapateado irlandês, e nos bares - tanto no palco como nas mesas, entre os clientes! O primeiro desenho que fiz foi em plena High Street, onde o arco-íris de que falo não era apenas metafórico:


As bandeiras gay-pride são omnipresentes nesta urbe bóemia e acolhedora, cheia de pubs e restaurantes, banhada por vários cursos de água e com uma costa recortada ali mesmo ao pé.  As cores podem parecer excessivas na minha aguarela trapalhona (e pessimamente digitalizada), mas olhem que nem por isso:



Galway é uma cidade linda para desenhar. Take my word for it! 

31 de agosto de 2016

A CAPELA E O GUINDASTE


Como convém em zonas de faina marítima, a capela de Stª Catarina perfila-se junto ao Porto de Leixões, em Leça da Palmeira, muito perto do forte. Foi o meu segundo desenho do Encontro PoSk 4 (aqui particularmente entortado pela digitalização foleira feita em casa com o iPhone). E sim, aquela sucata em primeiro plano é, supostamente, uma carrinha Mercedes:



Este esboço bateu um recorde no meu historial de sketcher: o de o fazer em pé, com o caderno meio periclitante numa mão e a caneta, sem apoio, na outra. E quase bateu um segundo, o da velocidade, pois fi-lo em menos de um quarto de hora, uma raridade sempre para mim...


O meu terceiro e último desenho deste dia foi feito na marina de Leça. Porém, a profusão de informação visual e a proximidade cromática dos motivos (os barcos eram todos em branco e azul, azul e branco) fizeram com que o meu desenho se perdesse completamente. Mas lá o acabei. Só não pintei...


E aqui fica mais uma recordação de um belo encontro de quem gosta de desenhar (fotografia temporizada do Jorge Guedes):


29 de agosto de 2016

FORTE DE LEÇA


No 4º Encontro dos PoSk (Porto Sketchers) desenhei finalmente o monumento que passei a ver com tanta frequência desde que me instalei aos fins-de-semana em Leça da Palmeira. Fiz ao todo, ao longo daquele dia de sábado, 20 de Agosto, três desenhos, o que é um terço mais do que o meu mísero saldo habitual. Mas fico-me pela quantidade, poupando os meus estimados leitores à questão da qualidade. Neste ângulo em que me coloquei apanhei o Paulo Pebre, ele próprio entretido a desenhar o dito:


Para produzir estes sarrabiscos pedi emprestada uma caixa de fruta vazia a uns vendedores ambulantes que descarregavam a camioneta ali no largo. E foi bem sentada nesse banco improvisado que o Jorge Guedes me fotografou...


22 de agosto de 2016

UMA RAPARIGA NO SOFÁ


Desta vez não precisei de sair de casa para caçar um desenho. Foi aqui mesmo, na sala. A presa? A minha filha:


Eis o esboço de 15 minutos, sob pressão, pois o modelo ia sair e estava com poucas contemplações para estas ideias peregrinas da mãe:


De bom grado ou não, acho que a minha filha vai servir de cobaia mais vezes...

17 de agosto de 2016

FÉRIAS BRANCAS


Brancas de cal e de luz, brancas de paz. Regressámos ao Alentejo profundo, em família nuclear (nós os dois e os dois rebentos), neste Agosto quente e preguiçoso, sempre acima dos 40º. Mais uma vez, fizemos um circuito de Pousadas históricas. "Os 3 Ás", dir-se-ia: Arraiolos, Alvito e Alcácer. Este desenho regista a primeira paragem, de três noites, na Pousada do Convento de Arraiolos:



Fi-lo do fresquinho do interior, no primeiro andar, olhando através da janela para o pátio central, contíguo ao claustro, que jazia sob o sol inclemente:


Olhando-o agora, já em casa, volto a sentir vontade do Alentejo, da brancura das casas, do calor e da imensidão. Já sei que vou voltar.

15 de agosto de 2016

NATIONAL GALLERY


Eis o terceiro e último desenho da minha ida a Londres no final de Julho:




Aproveitei o "day off" que o programa do congresso nos concedia à quarta-feira e lá fui, on foot, rever os sítios de sempre. No regresso do Big Ben e do nº 10 da Downing Street, sentei-me no muro lateral do Trafalgar Square, com a coluna de Nelson fora do enquadramento, mas de frente para a National Gallery:




8 de agosto de 2016

BRITISH MUSEUM


Ficando no quarteirão mesmo ao lado do University College, não admira que tivesse sido um dos poucos sítios para onde me pude escapulir num dos intervalos dos trabalhos do congresso. O desenho até começou bem: o corpo central da fachada neoclássica, encimado pela bandeira, não me desagradou. Mas logo tive a infeliz ideia de meter gente. Num instante dei cabo do desenho, com aquele mostrengo em pleno centro da composição, meio a gravitar sobre a passadeira e com uma écharpe ridícula que eu, ainda por cima, havia de pintar de vermelho:



Esta obra-prima foi realizada a partir dos degraus de um prédio fronteiro onde, por entre as centenas de turistas que por ali passavam, lá fui aldrabando nas volumetrias e nas verticalidades (como podem ver, o meu dedo está estrategicamente a esconder o mostrengo da écharpe):


Com uma certeza fiquei: esta preciosidade não vai ficar exposta neste museu. Curadores do British Museum, conformem-se!

4 de agosto de 2016

VISTA DO MEU HOTEL...


... para um dos lados do verdejante Russell Square, mesmo ao lado da Universidade de Londres, onde estive no fim de Julho num congresso. A rua em ponto de fuga é a Southampton Row. A zona em branco significa que me fartei a meio do desenho, com tanta janela e tanta porta. E sim, aquele círculo no cimo do desenho é mesmo o London Eye!


Bom, como de costume as cores sairam-me muito optimistas. A realidade, a bem da verdade, era ligeiramente outra:


Fiz outros dois desenhos nesta curta estadia, em parcas escapadelas entre comunicações. Foi o que se pôde arranjar... I'll show them later!

P.S. Só depois de publicar este "post" tive conhecimento do atentado ocorrido neste mesmíssimo lugar, às 10:30h da noite de ontem. Uma turista americana morreu e cinco outras pessoas, de várias nacionalidades, ficaram feridas, quando um jovem de 19 anos se pôs a esfaquear quem passava. Escusado será dizer que a notícia me deixou siderada. A sensação que tive nos cinco dias que ali passei, há menos de uma semana, foi de paz e tranquilidade, de absoluta segurança. Quão ilusória, vejo agora! Mais uma vez, a loucura e o terror surgiram onde menos se esperaria.

3 de agosto de 2016

JARDIM DE S.LÁZARO


Só agora tive tempo de publicar o primeiro dos meus desenhos no Encontro PoSk 2 - Porto Sketchers. Foi no Jardim de S. Lázaro, no dia 16 de Julho, mas da parte da manhã. Adorei aquele jardim, que não conhecia bem, delimitado por um gradeamento clássico, cheio de sombras, de bancos e de gente a passear. Mas para o meu desenho escolhi um ângulo externo ao jardim: o Passeio de S. Lázaro, com as suas casas de fachadas estreitas, cobertas de azulejo e com pequenas sacadas, tão típicas do Porto. Ali no meio, um quiosque, típico também. E, em primeiro plano, as grades de ferro:


Aqui, o esboço, feito a partir de um banco de jardim muito concorrido, tanto por pardais como por humanos, porque ao lado de um bebedouro:


Faltaram-me os ramos das árvores ali por cima e as pessoas... Algumas dessas aparecem aqui, moi inclusive, na sorridente fotografia de grupo: