29 de agosto de 2016

FORTE DE LEÇA


No 4º Encontro dos PoSk (Porto Sketchers) desenhei finalmente o monumento que passei a ver com tanta frequência desde que me instalei aos fins-de-semana em Leça da Palmeira. Fiz ao todo, ao longo daquele dia de sábado, 20 de Agosto, três desenhos, o que é um terço mais do que o meu mísero saldo habitual. Mas fico-me pela quantidade, poupando os meus estimados leitores à questão da qualidade. Neste ângulo em que me coloquei apanhei o Paulo Pebre, ele próprio entretido a desenhar o dito:


Para produzir estes sarrabiscos pedi emprestada uma caixa de fruta vazia a uns vendedores ambulantes que descarregavam a camioneta ali no largo. E foi bem sentada nesse banco improvisado que o Jorge Guedes me fotografou...


22 de agosto de 2016

UMA RAPARIGA NO SOFÁ


Desta vez não precisei de sair de casa para caçar um desenho. Foi aqui mesmo, na sala. A presa? A minha filha:


Eis o esboço de 15 minutos, sob pressão, pois o modelo ia sair e estava com poucas contemplações para estas ideias peregrinas da mãe:


De bom grado ou não, acho que a minha filha vai servir de cobaia mais vezes...

17 de agosto de 2016

FÉRIAS BRANCAS


Brancas de cal e de luz, brancas de paz. Regressámos ao Alentejo profundo, em família nuclear (nós os dois e os dois rebentos), neste Agosto quente e preguiçoso, sempre acima dos 40º. Mais uma vez, fizemos um circuito de Pousadas históricas. "Os 3 Ás", dir-se-ia: Arraiolos, Alvito e Alcácer. Este desenho regista a primeira paragem, de três noites, na Pousada do Convento de Arraiolos:



Fi-lo do fresquinho do interior, no primeiro andar, olhando através da janela para o pátio central, contíguo ao claustro, que jazia sob o sol inclemente:


Olhando-o agora, já em casa, volto a sentir vontade do Alentejo, da brancura das casas, do calor e da imensidão. Já sei que vou voltar.

15 de agosto de 2016

NATIONAL GALLERY


Eis o terceiro e último desenho da minha ida a Londres no final de Julho:




Aproveitei o "day off" que o programa do congresso nos concedia à quarta-feira e lá fui, on foot, rever os sítios de sempre. No regresso do Big Ben e do nº 10 da Downing Street, sentei-me no muro lateral do Trafalgar Square, com a coluna de Nelson fora do enquadramento, mas de frente para a National Gallery:




8 de agosto de 2016

BRITISH MUSEUM


Ficando no quarteirão mesmo ao lado do University College, não admira que tivesse sido um dos poucos sítios para onde me pude escapulir num dos intervalos dos trabalhos do congresso. O desenho até começou bem: o corpo central da fachada neoclássica, encimado pela bandeira, não me desagradou. Mas logo tive a infeliz ideia de meter gente. Num instante dei cabo do desenho, com aquele mostrengo em pleno centro da composição, meio a gravitar sobre a passadeira e com uma écharpe ridícula que eu, ainda por cima, havia de pintar de vermelho:



Esta obra-prima foi realizada a partir dos degraus de um prédio fronteiro onde, por entre as centenas de turistas que por ali passavam, lá fui aldrabando nas volumetrias e nas verticalidades (como podem ver, o meu dedo está estrategicamente a esconder o mostrengo da écharpe):


Com uma certeza fiquei: esta preciosidade não vai ficar exposta neste museu. Curadores do British Museum, conformem-se!

4 de agosto de 2016

VISTA DO MEU HOTEL...


... para um dos lados do verdejante Russell Square, mesmo ao lado da Universidade de Londres, onde estive no fim de Julho num congresso. A rua em ponto de fuga é a Southampton Row. A zona em branco significa que me fartei a meio do desenho, com tanta janela e tanta porta. E sim, aquele círculo no cimo do desenho é mesmo o London Eye!


Bom, como de costume as cores sairam-me muito optimistas. A realidade, a bem da verdade, era ligeiramente outra:


Fiz outros dois desenhos nesta curta estadia, em parcas escapadelas entre comunicações. Foi o que se pôde arranjar... I'll show them later!

P.S. Só depois de publicar este "post" tive conhecimento do atentado ocorrido neste mesmíssimo lugar, às 10:30h da noite de ontem. Uma turista americana morreu e cinco outras pessoas, de várias nacionalidades, ficaram feridas, quando um jovem de 19 anos se pôs a esfaquear quem passava. Escusado será dizer que a notícia me deixou siderada. A sensação que tive nos cinco dias que ali passei, há menos de uma semana, foi de paz e tranquilidade, de absoluta segurança. Quão ilusória, vejo agora! Mais uma vez, a loucura e o terror surgiram onde menos se esperaria.

3 de agosto de 2016

JARDIM DE S.LÁZARO


Só agora tive tempo de publicar o primeiro dos meus desenhos no Encontro PoSk 2 - Porto Sketchers. Foi no Jardim de S. Lázaro, no dia 16 de Julho, mas da parte da manhã. Adorei aquele jardim, que não conhecia bem, delimitado por um gradeamento clássico, cheio de sombras, de bancos e de gente a passear. Mas para o meu desenho escolhi um ângulo externo ao jardim: o Passeio de S. Lázaro, com as suas casas de fachadas estreitas, cobertas de azulejo e com pequenas sacadas, tão típicas do Porto. Ali no meio, um quiosque, típico também. E, em primeiro plano, as grades de ferro:


Aqui, o esboço, feito a partir de um banco de jardim muito concorrido, tanto por pardais como por humanos, porque ao lado de um bebedouro:


Faltaram-me os ramos das árvores ali por cima e as pessoas... Algumas dessas aparecem aqui, moi inclusive, na sorridente fotografia de grupo:





21 de julho de 2016

SERRA DO PILAR

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
Vê um velho casario
Que se estende até ao mar
(Carlos Tê, "Porto Sentido")

Foi este sábado, dia 16, o segundo encontro dos PoSk - Porto Sketchers. E que bem se passou o dia, com boa conversa e agradável convívio! O desenho que aqui trago foi o da tarde. Sim, porque fiz apenas um mísero desenho depois dos pregos no pão. Aqui a signatária não consegue trabalhar com mais produtividade... Um pouco à frente das Fontainhas, esta é a vista para a Serra do Pilar, com um pedaço da ponte D. Luiz (ortografia antiga) a aparecer:


Desta vez não me apeteceu tentar a cor "on the spot". Pu-la em casa. O desenho só a tinta foi este:


Ainda sinto a brisa do rio nesta tarde quente de Verão... Fiz o meu esboço sentada num banquinho que o Armando cavalheirescamente me emprestou, de contrário não teria aguentado nem dez minutos. A fotografia foi, como se diz em gíria jornalística, "cortesia" do Jorge, simpático repórter de serviço nesta divertida jornada de riscos e rabiscos:


15 de julho de 2016

PRAÇA DOS LEÕES


Já há tanto tempo que não pintava (desde o último encontro de sketchers) que resolvi desenferrujar os pincéis. Afinal, o próximo encontro é já amanhã! E escolhi um belo exemplar da azulejaria portuguesa: 


O desenho já tem uns meses. Fi-lo numa tarde soalheira de Fevereiro, com aquele sol de inverno que mesmo em plena tarde já vai baixo:


É dos esboços mais rápidos que já fiz, e acho que consegui aquele estilo que procuro mas nem sempre alcanço: o de, com poucas linhas, captar apenas o essencial.

23 de junho de 2016

MANHÃ AZUL


Uma coisa boa deste passatempo dos desenhos é poder fazê-los em grupo, em alegre convívio e amena cavaqueira. Desta vez o encontro foi na escadaria do jardim da Cordoaria, mesmo em frente à Rua do Dr. Barbosa de Castro, que desce em direcção ao rio e a Gaia, a surgir verdejante do outro lado. Estava uma manhã de sábado luminosa e movimentada, cheia de turistas a circular por ali, mas o desenho surgiu calmamente, sem pressas nem preocupações com os erros de percurso. Logo a seguir, e também no local, as cores:



Acham que saíram berrantes, demasiado garridas, sanjoaninas? Paciência. Ficam as memórias agradáveis que o registo evoca!




15 de junho de 2016

NO GERÊS


Não sei se já ouviram falar no "Abocanhado", restaurante belíssimo e de óptimo palato, com umas vistas ímpares sobre a serra do Gerês. Fica em Brufe, uma aldeia histórica, toda em pedra, onde vivem apenas seis pessoas (soubemo-lo de uma habitante local). Estive lá pela primeira vez, em passeio de família, neste 10 de Junho. Comemos divinalmente, caminhámos pelos prados e socalcos, verdíssimos, a perder de vista, e eu quis registar um dos ângulos do edifício, com uma linda varanda suspensa sobre a paisagem:



Quem chega pela estrada, que fica mais acima, quase não dá pela construção, tão bem integrada se encontra na linha descendente da colina. O projecto é de António Portugal e Manuel Maria Reis, da Escola do Porto, e o mobiliário de Siza Vieira. Só não percebo como levei 14 anos a ir conhecê-lo (foi fundado em 2002), mas vou ver se não levo outros tantos a regressar...

6 de junho de 2016

UMA ESQUINA, DUAS ÉPOCAS


Fiz este esboço ainda em Maio, num dos poucos dias de sol resplandecente que temos tido por aqui nesta Primavera desconsolada. Esquina da Avenida Central com a Rua dos Chãos. À direita, o Banco de Portugal, à esquerda, um edifício de escritórios e apartamentos, de estilos tão diferentes como as décadas que os viram erguer-se (Anos 20 e 70, respectivamente):


Depois de variados pontapés, sobretudo nas varandas caprichosas do edifício moderno, onde falhei miseravelmente a perspectiva, pus uns transeuntes nos passeios e uns turistas debaixo do guarda-sol de uma das esplanadas da Arcada. Foi, aliás, na esplanada ao lado que também eu me sentei comodamente, com um sumo de laranja a acompanhar o desenho. Só em casa, como é costume, apliquei a aguarela, fiel à minha filosofia de que devemos acarinhar os "filhos" aleijados da mesma forma que os escorreitos. 


Nota de rodapé: podem mandar o sol outra vez cá para cima. Não nos importamos.

4 de junho de 2016

LIVROS E ÁRVORES


São uma bela combinação. Feira do Livro 2016 no Parque Eduardo VII, fim-de-semana passado. Céu azul, ou predominantemente azul, stands coloridos, muita gente...  e desníveis a chamar ao desenho:



Os materiais, muito inadequados: papel de impressão demasiado fino para aguarela e a única caneta que tinha à mão: uma Uni-ball azul (que felizmente resiste à água). Mas às vezes, quando o papel não presta e a pressão diminui, a mão solta-se e tudo fica mais fácil...

1 de junho de 2016

VARANDA COM VISTA SOBRE A CIDADE


E neste primeiro dia de Junho, finalmente de sol, venho recordar Atenas. As Cariátides foram para mim a coisa mais bonita da Acrópole. O termo "cariátides", em rigor etimológico, significa "raparigas de Cariai", uma cidade do Peloponeso onde as festividades em honra da deusa Artemisa envolviam danças das jovens mulheres com cestos de juncos à cabeça. Em termos arquitectónicos "cariátides" são, pois, colunas esculpidas em forma de jovem mulher. Na Acrópole, elas surgem no templo de Erecteion, em número de seis, voltadas para o vale em poses majestosas e seráficas. Tentei captá-las num desenho:


Estive em Atenas pela primeira vez em 2005, no mês de Outubro, em trabalho. Foi uma sorte o calor mais tórrido do Verão estar ultrapassado. No Outono as temperaturas estavam já amenas e consegui subir à Acrópole sem destilar:


Mas não se iludam: as beldades de pedra atrás de mim são apenas réplicas. As originais tiveram de ser removidas em 1978 para escaparem à erosão e à poluição, estando agora expostas no Museu da Acrópole. Todas  excepto uma, que um explorador inglês "subtraiu" em 1810 e que figura hoje no Museu Britânico.

23 de maio de 2016

16º ENCONTRO USkPN


Foi este sábado, em S. João da Madeira, o 16º encontro dos Urban Sketchers Portugal Norte. Dia muito nublado, mas boa disposição e ainda melhor companhia. Aqui deixo os meus gatos e gatafunhos da primeira paragem - no cimo da Av. da Liberdade, a partir dos degraus da Câmara:


O programa previa 15 minutos para este desenho, mas eu, completamente absorta, já devia ir nos vinte e tal quando me voltei, à procura do autocarro e dos outros sketchers. Ninguém à vista! Bem feita, é para não me distrair assim. Desisti do desenho e dei corda aos sapatos. Nada de aguarela, portanto, que só pôde acontecer em casa:


Mais tarde, recuperado o fôlego, fiz um segundo desenho. Foi na Praça Luís Ribeiro. Sentada no degrau de uma montra, saquei do bloco e rabisquei duas das estruturas curvas que dali se viam: o prédio à esquerda e um passadiço coberto que circunda a praça:


No final do dia, a fotografia de grupo: