15 de fevereiro de 2019

ENCONTRO EM CERVEIRA


Este sábado, dia 9, fomos a uma das localidades mais a norte do nosso rectângulo, na fronteira do Rio Minho: Vila Nova de Cerveira. O dia estava péssimo e eu, vinda de Braga, meti-me por caminhos tortuosos de montanha que, debaixo de chuva intensa e ventania a condizer, me fizeram atrasar um bom bocado. Mas lá acabei por me juntar ao grupo USkPN: 34 ao todo, tolhidos de frio mas dedicados à causa "Sketching com História". Era o último encontro da série de dez, que percorreu as principais localidades do Alto Minho, pelo que não quis faltar. A tiritar e com as mãos geladas, comecei por desenhar -- como quase todos -- a entrada para as muralhas medievais:


Aqui está o desenho no local, que tive de interromper (e mais tarde retomar), para escapar à conversa impertinente de um sujeito embriagado, eufemismo para "mega-chato", que resolveu colar-se ao meu lado no banco da praça e discorrer sobre o quanto gostava de ver "dibujar":
-- "Lo haces muy bien, chica!" -- repetia quase junto aos meus ouvidos sem cessar...


A fotografia do fim da jornada foi tirada na mesma rampa de acesso ao castelo (pelo Tofu), com os desenhadores já desconcentrados e ansiosos por regressar ao autocarro quentinho:


E aqui estou eu, a ilustrar o provérbio "Ao mau tempo, boa cara"!


13 de fevereiro de 2019

LELLO & COMPANHIA


O segundo registo da minha incursão pela Baixa em finais de Janeiro foi um desenho todo certinho e bem-comportado do conjunto de fachadas em torno da Livraria Lello, hoje célebre e incontornável ponto de encontro de centenas de turistas diários. As cores também me saíram pálidas e sem rasgo, mas foi o que se conseguiu arranjar. Há que mencionar que fiz o desenho à sombra, sentada num paralelepípedo de pedra, que me gelou uma certa parte da anatomia e a inspiração 😊:



Aqui fica também o desenho terminado no local, com mota incluída:

3 de fevereiro de 2019

IGREJA DOS CLÉRIGOS AO SOM TECHNO


Na semana passada fui desenhar para a Baixa. Dia de sol, bonito mas muito frio. Junto aos Clérigos, encostei-me à porta de uma loja em obras, da qual saía um chinfrim de música enlatada. A cada dez minutos aparecia um trolha diferente a assobiar e a palitar os dentes. Faziam-se de desentendidos enquanto davam uma espreitadela à rua, às raparigas que passavam, ou ao meu desenho. A igreja, vista daquele ângulo, é imponente, quase esmagadora. Ao tentar desenhá-la saiu-me uma perspectiva em pirâmide bastante, digamos, discotequeira. Mas o Nasoni perdoou-me, eu sei, pois vi-o por ali também a bater o pé.


No local, foi um desafio não me perder pelos caprichos da belíssima fachada barroca -- que, com deslizes e patinagens mais ou menos artísticas, lá saiu em meia hora:


Gosto da liberdade destes traços gatafunhados, embora os tente pouco (lembro-me desta outra igreja, também desenhada assim, ou desta também...). Tenho de gatafunhar mais vezes. :)

28 de janeiro de 2019

PENAS E CORES...


Nada como as aves para darem "asas" ao pincel! São um regalo para a caixa de aguarelas e, se nos forem familiares, são relativamente fáceis de desenhar. Tive vontade de juntar um bom bando de aves de capoeira, mas das que andam em liberdade, ou quase, a esgravatar e penicar por aqui e por ali. Por isso, galinhas e pintainhos, mais o chefe do harém, ora pois, e um peru, que costuma coabitar pacificamente com o grupo:


22 de janeiro de 2019

PESSOAS AO ACASO


Depois do exercício de retrato a preto e branco deste fim-de-semana, intencionalmente cuidadoso, apeteceu-me hoje desenhar pessoas de forma bem mais rápida e descontraída: só meia dúzia de traços, deixando a caneta deslizar sem preocupação. Pessoas à espera, desconhecidas, sem nome. Também é bom (e fácil) desenhar assim!




21 de janeiro de 2019

SEIS DESENHADORES DESENHADOS


Deu-me de repente vontade de voltar a fazer retratos a lápis -- que é a melhor forma de criar contraste e profundidade. Ah, e de apagar os erros! Com o sábado chuvoso que esteve este fim-de-semana, aproveitei. Olhando para fotografias de cinco amigos desenhadores e de um outro, que nunca conheci mas muito admiro (e a quem se deve a criação do conceito de urban sketching) lá me pus a rabiscar:


Em primeiro lugar, o Paulo, cujas feições são como ele: tão difíceis de captar quanto ele é esquivo e misterioso, tão suaves quanto ele é gentil e cortês. Depois, o Rui, com os seus cabelos dramáticos, os traços fortes e o gesto amável. A Teresa veio depois -- e como me sinto embaraçada por a ter deixado bem menos gira, e muito mais marcada, do que ela é! O Eduardo, de todos, foi o que saiu melhor, quase de um só movimento. Da Suzana, tímida e delicada, tentei captar o sorriso e o olhar franco. E do Gabi Campanário -- o tal que não conheço ao vivo -- quis registar o olhar límpido e penetrante e a expressão doce que lhe costumo ver nas fotografias.

14 de janeiro de 2019

ANO NOVO EM CÁCERES


É tradição cá em casa fazer-se a passagem de ano fora. Consoada e Natal em família; réveillon longe de casa. Este ano cumpriu-se o costume e fomos, mais uma vez, até Espanha, desta vez a Cáceres, onde os foliões, consta, são mais alegres e expansivos que os de cá. Confirmámos a teoria "in loco", mas não é da festarola que venho falar. Venho mostrar o desenho que fiz no primeiro de Janeiro, com temperaturas a rondar os 0º, mas com um sol belíssimo:



É a Praça de Las Veletas, com o Convento de S. Pablo (Sec. XV-XVII). O enorme centro histórico de Cáceres -- a "ciudad monumental"-- é de uma beleza ímpar, com um emaranhado de ruelas e praças calcetadas medievais por entre inúmeros palacetes, casas fortificadas, igrejas e mosteiros, de estilo gótico e renascentista. Tudo harmoniosamente em pedra, com a cidade moderna a estender-se para além das muralhas. Foi quase impossível escolher o que desenhar, pelo que desisti e sentei-me no primeiro banco ao sol que encontrei a jeito. E, ali, saiu o desenho:



Mais tarde, numa esplanada da Plaza Mayor, consegui ainda captar a Torre de Bujaco (séc. XII), à esquerda, e a Torre Nueva o de Los Púlpitos (séc. XV), à direita, num esboço de ângulo largo. O problema, aqui, foi que usei uma caneta grossa e sem resistência à água... O desenho, já de si probrezinho, vai ter de ficar mesmo assim:


10 de janeiro de 2019

REUNIÃO IMPROVÁVEL


Começo o ano com um pequeno desenho dito "de estúdio", feito em casa mas à vista. Um conjunto de bonecos do meu rapazinho, bem coloridos e bons para praticar quando está frio lá fora! Um cavalo, uma girafa e um tigre -- ou, é caso para dizer, um encontro muito pouco provável...

31 de dezembro de 2018

UM ANIMAL QUE NUNCA VI


Acabo o ano com o desenho de um animal tão misterioso como familiar, resgatado dos meus cadernos atrasados, de uma página que remonta já a Outubro. Durante esse mês costuma decorrer um desafio internacional de desenho -- o Inktober, com uma deixa diária. Há muitos corajosos que o seguem religiosamente. Eu, avessa a obrigações nesta matéria lúdica, só tive vontade de fazer um único desenho durante o mês inteiro, o do dia 11. A deixa era "whale":


Como se vê, a minha baleia surge numa representação pouco original: a de se ver os dois níveis do mar, sobre e sob a linha da água. Pus ainda uma criança num barquito a afagar o focinho da dita e, depois, vários tons de azul e muita água. Gostei de dar rédea solta ao pincel e às manchas de tinta!

E é nesta cor versátil e infinita, o azul, que quero deixar os meus melhores votos de Ano Novo a quem visita este blogue. Depois da morte anunciada da blogosfera, verificar que ainda há pessoas -- muitas das quais eu também nunca vi mas que me são já tão familiares -- que continuam a passar por aqui, dando generosamente atenção aos meus desenhos, é motivo de muita alegria e gratidão. Muito obrigada pelo vosso apoio e carinho! E por aqui nos voltaremos a "ver", espero, daqui a um ano...

29 de dezembro de 2018

E O PORTO AQUI TÃO PERTO...


...visto de Gaia. Foi o meu segundo desenho no PoSk Vadio que se seguiu ao Simpósio Internacional USK 2018, em Julho (o primeiro foi este). Faltava-me pintar o esboço, e ficou assim, sem grandes complicações:



O desenho, esse, foi feito com lentes zoom, tal como o anterior:


Assim continuo a dar vazão aos diversos desenhos que tenho na fila de espera para a aguarela. É um problema crónico: como não pinto no local, vou acumulando para depois pintar em casa... E procrastinando (se é que a palavra existe em português!)... 

27 de dezembro de 2018

UMA CASA DE FAMÍLIA


Atravessou gerações, desde o bisavô que, no Brasil, arrecadou riqueza e refinou o gosto arquitectónico. Fica em Moreira da Maia, num terreno em cujo vértice pontua o portão de ferro. É uma casa altiva mas discreta, com um belo jardim arborizado. Pediram-me um desenho desta casa, e foi assim que eu a vi:

Quis aproximar-me e registá-la mais de perto, erguendo-se serenamente entre a vegetação. E fiz outro desenho, com aquele tufo luxuriante de glicínias em primeiro plano:


Acho que a família gostou. As duas imagens foram para um livro dedicado às memórias, tantas e tão gratas, que a casa encerra.

16 de dezembro de 2018

DUAS ESQUINAS


Na parte de tarde do Encontro PoSk, este Agosto, fomos descendo em direcção ao Jardim de S. Lázaro, onde por sinal já tínhamos estado a desenhar há uns bons meses (aqui). Houve quem ficasse dentro do recinto, mas eu sentei-me cá fora, nos degraus de um dos portões. E não me pus com esquisitices: desenhei o que tinha mesmo à minha frente:


E o que tinha à minha frente era a Rua de S. Vítor, alinhada a partir da Av. Rodrigues de Freitas, face à qual formava duas esquinas. A tarde estava linda, com um sol que iluminava tudo:


E eu fui apanhada sentada nos degraus do Jardim de S. Lázaro pelo Tiago Ramitos, com o Paulo J. Mendes lá atrás e a Elisabeth Mata ainda mais atrás, sentada no banco:


3 de dezembro de 2018

UMA CAPELA AO SOL


Tenho andado a pôr em dia os meus cadernos, cujos desenhos ficam às vezes meses por pintar!... Este de hoje foi feito nos idos de Agosto, numa manhã de sábado ensolarada, quando os PoSk (Porto Sketchers) reuniram no cimo de Sá da Bandeira. Eu optei por desenhar a Capela de Fradelos, numa transversal que vai ter ao SiloAuto. Os azuis dos azulejos e do céu confundiam-se, tal como os verdes da vegetação e do gradeamento:


Tão perto da capela nos sentámos os três (eu, a Alberta e o Paulo) que a perspectiva ficou distorcida, o que até me agrada:


Findos os desenhos da manhã, tempo para a fotografia de grupo, bem sorridente:



Este encontro ainda deu origem a um segundo desenho, da parte da tarde, que mostrarei em breve -- mal o pinte!

30 de novembro de 2018

LIBERDADE


...é o nome da praça principal de Brno, enorme e cheia de vida, mesmo no coração da cidade checa. Desenhei-a sentada num banco de jardim mais acima, olhando para a Igreja de São Jaime e para os belos edifícios coloridos, cada qual no seu tom pastel:


O esboço, um pouco trabalhoso, foi até bastante rápido. E o céu, ora azul ora esbranquiçado, não denota o calor agradável de fim de Agosto:


Deixo aqui também uma fotografia minha, para registo histórico 😊, em frente a um dos edifícios da Universidade:


Foi uma viagem de que guardo óptimas recordações, a uma cidade onde tenho bons amigos.

26 de novembro de 2018

VIAGEM A BRNO


Foi a minha segunda visita à República Checa, também em trabalho. Tinha estado em Praga há uns anos, onde confirmei todo o encanto e toda a beleza de que ouvira falar. Mas desta vez a conferência a que ia, em pleno Agosto, era na "segunda cidade" ("a que se esforça a dobrar", como lá dizem). Brno é bela também, com muito património, sobretudo barroco, muita vida e muito arvoredo, mas numa dimensão bem mais familiar. O meu primeiro desenho foi de uma igreja, com o seu pináculo gótico, perto de um dos edifícios da universidade. Era a Igreja "Jan Amos Comenius" Em redor, as árvores cobertas de folhas frescas de Verão encobriam-na parcialmente:


Difíceis, tantos tons de verde misturados com amarelo ocre! Como sempre, o esboço fluiu mais facilmente. Aqui o deixo, fotografado "in situ":


Mostrarei em breve a segunda aguarela, feita em pleno coração de Brno, uma cidade tão agradável quanto difícil de pronunciar. :)