20 de fevereiro de 2017

O QUARTO DA MINHA FILHA


Aqui vai, atrasadíssimo, o desenho correspondente ao dia 6 de Fevereiro do "A Drawing a Day": "room". Aproveitei um momento raro em que o quarto ao lado do meu estava arrumado e deitei mãos à obra:




Não foi fácil desenhar de tão perto uma cama de dossel, que equivale a encaixar um cubo enorme, feito apenas de arestas, num outro cubo (o quarto) com outras tantas linhas. Mas lá dá para ter uma ideia... Pergunto-me quanto mais tempo este quarto estará assim, habitado e iluminado pela presença tão vibrante como caótica da sua ocupante. Uma parte da mãe que sou deseja que assim continue por muitos anos; outra parte sabe que isso nem sempre é bom sinal. Felizmente, a decisão não é minha. O quarto, esse, será sempre dela. É o quarto a que poderá sempre regressar.

6 de fevereiro de 2017

ARCA DE NOÉ


Eis o resultado de um sábado de dilúvio com o meu filho de seis anos em casa a desenhar ao meu lado...



Trata-se da primeira sugestão que agarro do Desafio "A Drawing a Day" para Fevereiro (sim, o desafio continua!). A dica do dia 4 era "Animal"... e não consegui decidir-me só por um!


1 de fevereiro de 2017

TAXI DRIVER


A deixa do último dia de Janeiro do "A Drawing a Day" era "character". Depois de muitas gazetas, esta eu tinha de agarrar. É que soube desde logo qual queria escolher: a personagem de Scorcese. Desenhei Travis na versão pós-certinha, já vestido a rigor para o desastre:


Não me canso de rever este filme belíssimo (de 1976), nem de apreciar De Niro na pele do taxista icónico, um veterano de guerra mentalmente instável que percorre as noites de Nova Iorque num percurso descendente de revolta, solidão e morte.

29 de janeiro de 2017

THE SEA, THE SEA


Outro desenho para o "A Drawing a Day", este a responder à deixa "Landscape", do dia 28 de Janeiro. Nada como uma brincadeira assim, feita em conjunto, para nos motivar a desenhar! Escolhi uma paisagem marinha, de Leça da Palmeira, com a barra do Porto de Leixões ao fundo e um céu ameaçador:


E, como título, o do romance de Iris Murdoch (Prémio Booker de 1978), que acho lindo!

25 de janeiro de 2017

SELFIE


Mais uma tentativa de auto-retrato, desta vez como resposta ao "A Drawing a Day" de anteontem, dia 23. Fiquei com a cara esticada, com o nariz afilado tipo Michael Jackson e com uma testa que nunca mais acaba, mas não pude corrigir nada pois o desenho foi feito directamente a tinta, sem contemplações nem desculpas. Pus-me ao espelho com uma luz lateral forte, para conseguir sombras marcadas. Diga-se em rodapé que o meu filho de 6 anos me reconheceu, o que é sinal de alguma coisa – de quê não sei (mas palpita-me que seja de que tenho afinal a cara mais torta e esquisita do que pensava)...




20 de janeiro de 2017

UMA CHÁVENA MATINAL


O título do desafio "A Drawing a Day" do passado dia 17 era "CUP". Optei por uma "teacup", acrescentei-lhe um "saucer" e obtive a chávena (de chá) e o pires em que todas as manhãs tomo o meu... café:


Li algures que, depois de um período de guerra, a coisa de que muitas pessoas mais gostavam era poder tomar o café da manhã enquanto liam o jornal do dia. Ou seja, uma situação tão banal simbolizava não só o prazer das coisas simples e a segurança dos gestos rotineiros mas também... a própria paz. Viva ela, pois, a paz! (Que sortudos somos...)

18 de janeiro de 2017

RIDÍCULO


Chamar-lhe ridículo é talvez enganador. Talvez ele meta mais medo do que vontade de rir. Mas a apresentação e a mímica desta figura peculiar têm bastante de cómico. O cabelo. Os esgares. O efeito "escaldão com óculos de sol". Ora, a deixa para o desafio "A Drawing a Day" de 16 de Janeiro era o adjectivo em epígrafe. E não encontrei nada, nem ninguém, de mais ilustrativo do que este (assim chamado) "pig in a wig":


Na língua inglesa, o termo "pig" surge em expressões variadas, naturalmente pejorativas. Um machista é um "chauvinistic pig"; um racista é um "racist pig". E, como uma das muitas pérolas com que este homem brindou a população feminina foi a de lhes chamar "pigs", devolvo-lhe a gentileza, com pena no entanto do inocente suíno, que não merecia ser assim destratado.

Descobri entretanto que esta versão caricatural já tem vários precedentes. Deixo aqui alguns:

16 de janeiro de 2017

UM INTENSO DESEJO


O título de hoje é a tradução de "craving", o nome do desafio "A Drawing a Day" de 15 de Janeiro. Nunca tinha feito uma aguarela assim, de doçaria e gulodices. Mas gostei de trabalhar no plano do pormenor, habituada que tenho andado ao desenho urbano em grande escala:


Que versão mais cândida do desejo haverá que a estomacal? Mas, como é sabido, o desejo esfuma-se quando consumado. Daí que me esforce por manter estas bombas calóricas no plano do apetite – e não da saciedade. Há que manter a chama acesa. 😁

15 de janeiro de 2017

NANÁ AO QUADRADO


Fiz este esboço duplo da minha gata, num blocozinho de folhas finíssimas que tinha à mão, em resposta ao desafio "Um desenho por dia", lançado pela SketchBook Skool. A deixa do dia 14 (ontem) era "pet" – e o meu animal de estimação, único e absoluto, é a Naná, já pintada aqui e desenhada ali. Ei-la, de novo:


 E agora a cores:




Não me parece que consiga seguir o desafio com um mínimo de assiduidade, mas há-de haver um ou outro que me apeteça tentar... Deixo aqui a lista de dicas para o mês de Janeiro:



13 de janeiro de 2017

UMA ESQUINA DO BAIRRO ALTO


Fica no Largo do Carmo e, por entre as árvores despidas, os prédios recuperados estavam lindos, a resplandecer ao sol de inverno. Este que desenhei, sob aquele céu tão azul, foi precisamente o hotel em que ficámos, numa escapadinha em família de 3 dias – o Hotel do Carmo:


Adoro estes novos hotéis em Lisboa, implantados em prédios antigos, mas respeitando a traça original, a fachada, as sacadas e os tons pastel. Há-os para todas as bolsas, desde o segmento de luxo à versão 'hostel' e dos apartamentos, mas todos primam pelo bom gosto e por projectos arquitectónicos que respeitam a identidade e a alma do local. Eu não resisti a desenhar esta perspectiva, algo difícil, mas que para variar não me saiu mal de todo:


E não resisto também a impingir dois retratos meus in loco, o da esquerda numa das sacadas do primeiro andar, que me trazem boas recordações de uma paragem invulgar nas rotinas de Janeiro:




8 de janeiro de 2017

OS 100 ANOS DA ESTAÇÃO DE S.BENTO


A minha primeira publicação de 2017 é, afinal, de 2016 – mas do último dia, pelo que ainda se reveste de alguma novidade! Trata-se do desenho que fiz, na companhia dos Porto Sketchers, na tarde do dia 31 de Dezembro, para celebrar o centenário da Estação de S. Bento (vejam aqui alguns dados históricos interessantes). Estava um dia lindo, cheio de sol... e briol. E eu, sentada no meu banco novo de tripé, mesmo em cima da perigosa curva descendente, lá me lancei àquela quantidade de informação, sempre incapaz de a resolver com poucas linhas:



A páginas tantas, já cansada, com os pés gelados e quase a ponto de atirar com o caderno a algum dos turistas que constantemente se interpunham entre nós e a Estação, dei por terminado o esboço. Como disse depois, foi a versão possível dos 100 anos de S. Bento, com 100 gatos e 100 paciência para mais... Enfim, salvou-se o sorriso, num grupo muito simpático e produtivo:


Foi uma bela maneira de encerrar o Ano Velho!

31 de dezembro de 2016

UM NU PARA FECHAR O ANO


Com o frio que está lá fora não apetece muito tirar a roupa, mas esta modelo não se mostra nada arrepiada. Encontrei-a num site chamado "Quick Poses" para aprendizes de gatafunhices (como eu), onde algumas almas caridosas se despem para bem da arte. É o primeiro nu que aqui publico, e é um pouco inglório pois não foi feito ao vivo, mas a olhar para a fotografia. Bah! Servirá para dizer adeus ao ano velho – e fazer votos para que 2017 nos deixe mais aconchegados e menos despidos, digamos, de esperança!


16 de dezembro de 2016

A BATALHAR NA BATALHA


Ultimamente tenho andado tão preguiçosa para o desenho (e tão ocupada com coisas do trabalho) que praticamente só pego no caderno quando há encontros convocados. E este – o oitavo dos PoSk – foi ainda por cima convocado por... mim! Estava um frio gélido naquela manhã de fim de Novembro e caíam de vez em quando umas gotas impertinentes, mas como podia eu faltar? Lá fui, de barrete soviético na cabeça e bem enchouriçada. O meu plano era desenhar a fachada do Teatro S. João que se via no meu cartaz, mas resolvi-me antes pela Igreja de Stº Ildefonso e pelo largo em frente, onde desagua a Rua de Stª Catarina. O desenho foi mais uma vez pintado em casa e ficou assim:


O gigantone ali no meio não existia no esboço inicial, em que se avistam figuras sim, mas mais discretas, entre as quais o António, o Armando e a Alberta, eles também na labuta dos lápis e pincéis:


Depois do agradável almoço conjunto, que foi ali mesmo num snack-bar da Praça da Batalha, comecei a desejar ardentemente o meu sofá e umas pantufas. E assim desisti de mais empreendimentos pseudo-artísticos. Mas ficou a fotografia do grupo, essa cheia de calor humano, cujo mote parecia ser: "Contra o frio e os chuviscos... desenhar, desenhar"!



8 de dezembro de 2016

CASARIO DE MIRAGAIA


Finalmente pintei o desenho da manhã do Encontro PoSk 7, que teve lugar há mais de um mês em Miragaia. Foi no dia 29 de Outubro, um sábado extemporaneamente quente para vésperas dos Santos. O plano do Encontro era desenharmos o ambiente em torno da Alfândega na parte da manhã, e à tarde o Museu dos Transportes, onde estava patente uma mostra dos carros presidenciais, que eu já mostrei aqui. E assim foi. Quando cheguei sentei-me logo ali, de costas para o enorme edifício da Alfândega, numa escadaria que dava para um pequeno largo de paleta variada e muita vida:



O desenho mostra um presépio de casas, tão desencontradas quanto harmoniosas na sua diversidade:






Uma curiosidade é que os turistas, que abundam por ali, paravam de vez em quando a observar-nos, fazendo perguntas ou, gentilmente, algum elogio. Este foi um desses momentos, apanhado ao longe pelo Abnose com o zoom do seu telemóvel, em que um simpático grupo se acercou para dar dois dedos de conversa:



E nota-se como estávamos todos deliciados ao sol daquele Verão de S. Martinho antecipado...

21 de novembro de 2016

UM PACKARD PRESIDENCIAL


Na tarde do dia 29 de Outubro, o Encontro dos PoSk previa uma visita ao Museu dos Transportes, na Alfândega. Ali fomos ver os carros dos Presidentes da República, desde o Cadillac Sixty-Two de Craveiro Lopes, passando pelo Rolls de Américo Tomás, até ao discreto Citroën de Soares. Eu fiquei-me por um belo Packard Super Eight, de 1939, que serviu a Presidência ao longo de mais de 20 anos. Resolvi sentar-me no chão (que remédio!) e lá me encarreguei de o maltratar, tanto de trás...




...como depois, de pé e sem apoio para a mão direita, de frente:


Aqui deixo as provas circunstanciais:


Éramos poucos mas trabalhadores! 😊Aqui fica também o nosso retrato triunfal, depois de umas horas na semi-obscuridade, sem cadeiras, enquanto o dia cá fora estava radioso: