16 de janeiro de 2017

UM INTENSO DESEJO


O título de hoje é a tradução de "craving", o nome do desafio "A Drawing a Day" de 15 de Janeiro. Nunca tinha feito uma aguarela assim, de doçaria e gulodices. Mas gostei de trabalhar no plano do pormenor, habituada que tenho andado ao desenho urbano em grande escala:


Que versão mais cândida do desejo haverá que a estomacal? Mas, como é sabido, o desejo esfuma-se quando consumado. Daí que me esforce por manter estas bombas calóricas no plano do apetite – e não da saciedade. Há que manter a chama acesa. 😁

15 de janeiro de 2017

NANÁ AO QUADRADO


Fiz este esboço duplo da minha gata, num blocozinho de folhas finíssimas que tinha à mão, em resposta ao desafio "Um desenho por dia", lançado pela SketchBook School. A deixa do dia 14 (ontem) era "pet" – e o meu animal de estimação, único e absoluto, é a Naná, já pintada aqui e desenhada ali. Ei-la, de novo:


 E agora a cores:




Não me parece que consiga seguir o desafio com um mínimo de assiduidade, mas há-de haver um ou outro que me apeteça tentar... Deixo aqui a lista de deixas para o mês de Janeiro:



13 de janeiro de 2017

UMA ESQUINA DO BAIRRO ALTO


Fica no Largo do Carmo e, por entre as árvores despidas, os prédios recuperados estavam lindos, a resplandecer ao sol de inverno. Este que desenhei, sob aquele céu tão azul, foi precisamente o hotel em que ficámos, numa escapadinha em família de 3 dias – o Hotel do Carmo:


Adoro estes novos hotéis em Lisboa, implantados em prédios antigos, mas respeitando a traça original, a fachada, as sacadas e os tons pastel. Há-os para todas as bolsas, desde o segmento de luxo à versão 'hostel' e dos apartamentos, mas todos primam pelo bom gosto e por projectos arquitectónicos que respeitam a identidade e a alma do local. Eu não resisti a desenhar esta perspectiva, algo difícil, mas que para variar não me saiu mal de todo:


E não resisto também a impingir dois retratos meus in loco, o da esquerda numa das sacadas do primeiro andar, que me trazem boas recordações de uma paragem invulgar nas rotinas de Janeiro:




8 de janeiro de 2017

OS 100 ANOS DA ESTAÇÃO DE S.BENTO


A minha primeira publicação de 2017 é, afinal, de 2016 – mas do último dia, pelo que ainda se reveste de alguma novidade! Trata-se do desenho que fiz, na companhia dos Porto Sketchers, na tarde do dia 31 de Dezembro, para celebrar o centenário da Estação de S. Bento (vejam aqui alguns dados históricos interessantes). Estava um dia lindo, cheio de sol... e briol. E eu, sentada no meu banco novo de tripé, mesmo em cima da perigosa curva descendente, lá me lancei àquela quantidade de informação, sempre incapaz de a resolver com poucas linhas:



A páginas tantas, já cansada, com os pés gelados e quase a ponto de atirar com o caderno a algum dos turistas que constantemente se interpunham entre nós e a Estação, dei por terminado o esboço. Como disse depois, foi a versão possível dos 100 anos de S. Bento, com 100 gatos e 100 paciência para mais... Enfim, salvou-se o sorriso, num grupo muito simpático e produtivo:


Foi uma bela maneira de encerrar o Ano Velho!

31 de dezembro de 2016

UM NU PARA FECHAR O ANO


Com o frio que está lá fora não apetece muito tirar a roupa, mas esta modelo, que não se mostra nada arrepiada, deve estar num sítio bem quentinho. Encontrei-a num site chamado "Quick Poses" para aprendizes de gatafunhices (como eu), onde algumas almas caridosas se despem para bem da arte. É o primeiro nu que aqui publico, e é um pouco inglório pois não foi feito ao vivo, mas a olhar para a fotografia. Bah! Servirá para dizer adeus ao ano velho – e fazer votos para que 2017 nos deixe mais aconchegados e menos despidos, digamos, de esperança!


16 de dezembro de 2016

A BATALHAR NA BATALHA


Ultimamente tenho andado tão preguiçosa para o desenho (e tão ocupada com coisas do trabalho) que praticamente só pego no caderno quando há encontros convocados. E este – o oitavo dos PoSk – foi ainda por cima convocado por... mim! Estava um frio gélido naquela manhã de fim de Novembro e caíam de vez em quando umas gotas impertinentes, mas como podia eu faltar? Lá fui, de barrete soviético na cabeça e bem enchouriçada. O meu plano era desenhar a fachada do Teatro S. João que se via no meu cartaz, mas resolvi-me antes pela Igreja de Stº Ildefonso e pelo largo em frente, onde desagua a Rua de Stª Catarina. O desenho foi mais uma vez pintado em casa e ficou assim:


O gigantone ali no meio não existia no esboço inicial, em que se avistam figuras sim, mas mais discretas, entre as quais o António, o Armando e a Alberta, eles também na labuta dos lápis e pincéis:


Depois do agradável almoço conjunto, que foi ali mesmo num snack-bar da Praça da Batalha, comecei a desejar ardentemente o meu sofá e umas pantufas. E assim desisti de mais empreendimentos pseudo-artísticos. Mas ficou a fotografia do grupo, essa cheia de calor humano, cujo mote parecia ser: "Contra o frio e os chuviscos... desenhar, desenhar"!



8 de dezembro de 2016

CASARIO DE MIRAGAIA


Finalmente pintei o desenho da manhã do Encontro PoSk 7, que teve lugar há mais de um mês em Miragaia. Foi no dia 29 de Outubro, um sábado extemporaneamente quente para vésperas dos Santos. O plano do Encontro era desenharmos o ambiente em torno da Alfândega na parte da manhã, e à tarde o Museu dos Transportes, onde estava patente uma mostra dos carros presidenciais, que eu já mostrei aqui. E assim foi. Quando cheguei sentei-me logo ali, de costas para o enorme edifício da Alfândega, numa escadaria que dava para um pequeno largo de paleta variada e muita vida:



O desenho mostra um presépio de casas, tão desencontradas quanto harmoniosas na sua diversidade:






Uma curiosidade é que os turistas, que abundam por ali, paravam de vez em quando a observar-nos, fazendo perguntas ou, gentilmente, algum elogio. Este foi um desses momentos, apanhado ao longe pelo Abnose com o zoom do seu telemóvel, em que um simpático grupo se acercou para dar dois dedos de conversa:



E nota-se como estávamos todos deliciados ao sol daquele Verão de S. Martinho antecipado...

21 de novembro de 2016

UM PACKARD PRESIDENCIAL


Na tarde do dia 29 de Outubro, o Encontro dos PoSk previa uma visita ao Museu dos Transportes, na Alfândega. Ali fomos ver os carros dos Presidentes da República, desde o Cadillac Sixty-Two de Craveiro Lopes, passando pelo Rolls de Américo Tomás, até ao discreto Citroën de Soares. Eu fiquei-me por um belo Packard Super Eight, de 1939, que serviu a Presidência ao longo de mais de 20 anos. Resolvi sentar-me no chão (que remédio!) e lá me encarreguei de o maltratar, tanto de trás...




...como depois, de pé e sem apoio para a mão direita, de frente:


Aqui deixo as provas circunstanciais:


Éramos poucos mas trabalhadores! 😊Aqui fica também o nosso retrato triunfal, depois de umas horas na semi-obscuridade, sem cadeiras, enquanto o dia cá fora estava radioso:




26 de outubro de 2016

UM 'OLDIE' JUNTO AO RIO


O meu segundo desenho do Encontro PoSk-6 foi feito numa agradável esplanada, em alegre converseta e com a Ponte da Arrábida logo ali. Estacionado sobre o passeio estava um carro antigo, a reluzir orgulhosamente ao sol pálido de Outono:


Era um Fiat 850 de 1968 (averiguei eu depois), vermelho vivo, coupé – uma pequena pérola muito estimada, como se ouve dizer no que toca a carros vintage. Eram para aí onze e meia da manhã quando o sol foi repentinamente engolido por um nevoeiro denso que vinha do mar. Mal tive tempo de terminar o esboço, antes de correr para a fotografia da praxe. Aqui está ele, ainda incompleto:


Foi outro belo encontro de desenho e convívio. Venham mais!

20 de outubro de 2016

ENCONTRO EM OUTUBRO


O sexto encontro dos PoSk (Porto Sketchers) foi num domingo de Outubro, numa manhã temperamental que começou com sol e acabou enevoada. Encontrámo-nos no Largo de Massarelos, ao fundo da Rua da Restauração, mesmo junto ao rio. Logo ali ao lado, fiz o meu primeiro desenho: o edifício da S.T.C.P. (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto), que data de 1915 e alberga hoje o Museu do Carro Eléctrico:



A sigla faz-me sorrir, pois era costume traduzir-se por "Somos Tratados Como Porcos", uma alusão aos desconfortos sofridos nos autocarros e eléctricos da Invicta. Aqui a versão a caneta, feita no local:


Fiz, como é meu costume, um segundo desenho – que mostrarei depois – mas agora deixo aqui a fotografia de grupo, já com folhas outonais no chão, antes da almoçarada num tasquiómetro local. Eu sou a segunda a rir da direita; o fotógrafo (Abnose) está à esquerda, em tensa pose depois das acrobacias da temporização:



7 de outubro de 2016

BB


O acrónimo bem que podia significar "Bela-entre-as-Belas", mas Brigitte Bardot cedo se fartou do rótulo. Retirou-se antes dos 40 anos, com uma espécie de "indigestão" de imagens dela própria, como haveria de dizer numa entrevista. Mas percebe-se o porquê da perseguição e da glória, olhando-se para a geometria perfeita destas feições singulares:


Hoje com 82 anos, intocados pelo bisturi, BB persevera na luta pelos direitos dos animais. Porém, outras causas menos nobres a fizeram cair recentemente em desgraça, como a de uma França limpa de islamismo através do apoio à extrema-direita. Um ícone do séc. XX e um ídolo nacional – que deu corpo ao busto da République – feito de luzes e de sombras, aqui em desenho a grafite sobre papel reciclado.

6 de outubro de 2016

AINDA ARRAIOLOS


O meu último desenho de Arraiolos, feito neste Verão abrasador para que já olhamos retrospectivamente, foi uma variação do meu tema "piscinas e guarda-sóis". A Pousada caracteriza-se por, paralelamente às belas zonas remodeladas do antigo convento, ter uma zona de quartos construída de raiz, com um projecto minimalista muito elegante. No andar térreo fica o restaurante e, mais abaixo, a piscina, onde me encontro:


Lá ao fundo, no alto da colina, o castelo e a muralha:


O que não se ouve no desenho é o ruído das cigarras, escondidas sob as ervas secas ao longo dos montes e vales, ecoando em todas as direcções.

2 de outubro de 2016

INTERIOR MONACAL


A Pousada do Convento de Arraiolos, de que já falei aqui, é das mais bonitas que conheço, de entre as pousadas históricas de Portugal – e olhem que já fui a umas tantas, fã que sou deste tipo de turismo mais recolhido e contemplativo. Fiz este desenho numa das zonas de estar, adjacente ao restaurante. Os tectos abobadados e a decoração despojada tornam o espaço muito repousante, ao mesmo tempo acolhedor e fresco:


Com um gato aqui e outro acolá, lá fui dando conta do mobiliário esparso: um sofá às riscas, um cadeirão de verga, um contador antigo, um quadro abstracto na parede. E um lindo medalhão em baixo-relevo junto ao tecto:


Lá fora, quarenta e muitos graus. Aqui dentro, frescura, silêncio e paz... Foi em Agosto.

27 de setembro de 2016

HUGH JACKMAN A PARTIR DE LEIBOVITZ


Fazer o retrato da minha filha, que mostrei aqui, fez-me recordar o quanto sempre gostei de desenhar pessoas. O que trago hoje é algo de bem diferente, feito sem linha a tinta e com mancha de aguarela em camadas sobrepostas. Trata-se da minha versão de uma fotografia lindíssima de Annie Leibovitz. O actor aparece ataviado de personagem de Les Misérables, com sombras fortes e cores intensas no vestuário e no background - que eu, receosa de não lhes fazer justiça, optei por ignorar: 


Houve duas fases na composição do retrato, uma a lápis e outra a cores:


Ok, sei que não está reconhecível em nenhuma delas, que o rosto ficou alongado demais e os olhos pequenos demais e que a distância do queixo ao ombro dá a impressão de um pescoço de girafa. Mas valeu pelo treino das sombras em aguarela, a qual pelo menos conseguiu rejuvenescê-lo um pouco, já que a lápis o infeliz parece ter mais de 70 anos...

22 de setembro de 2016

NUMA PEQUENA ILHA


La Toja é uma ilhota ao largo de El Grove, nas Rias Baixas da Galiza. Perdão, agora escreve-se "A Toxa" e "O Grove", que me desculpem os independentistas galegos. Mas desde pequena que conheço estes locais com grafia e pronúncia castelhana! Estive lá no passado fim-de-semana, com sol e uma brisa já fresca, numa pausa bem-vinda depois do retomar das rotinas académicas. É uma paisagem encantadora, que eu infelizmente não cheguei a desenhar. O único desenho que fiz foi na piscina do Gran Hotel:



Eu sei, sou uma sacrificada. E acreditam que aquela água azul turquesa estava quentinha? A piscina era aquecida, mais tépida dentro do que ao vento cá fora:


"Buenísima!", disse alguém – um imperialista, sem dúvida, porque um galego deveria ter dito: "Moito boa"!