O meu segundo desenho em Bruxelas foi feito em plena Grand-Place, o ex-libris da cidade, de uma beleza única. Espantei-me de não ver ali nenhuma igreja, mas vim depois a saber que esta é, justamente, uma particularidade desta praça, a de não ter qualquer monumento de oração, o que demonstra a sua natureza mercantil e administrativa. No meu enquadramento apanhei parte do imponente edifício gótico da Câmara (do séc. XV, que resistiu aos bombardeamentos do final do séc. XVII) e algumas das harmoniosas fachadas de prédios, particulares e públicos, construídos no final desse século na sequência da destruição, que são um esplêndido exemplo do barroco flamengo:
31 de agosto de 2026
A GRAND-PLACE
27 de agosto de 2026
UMA PRAÇA EM BRUXELAS
Já foi em junho que estive em Bruxelas, e tive o supremo azar de o fazer em plena onda de calor. Temperaturas de 40ºC num país habituado a verões amenos, se não mesmo frescos, não são fáceis de suportar. Os espaços interiores públicos, com exceção dos hotéis, não estão preparados para o calor. Quase nunca se encontra restaurantes e cafés com ar condicionado. Aquecimento para o inverno, sim, mas só umas míseras ventoinhas para o verão -- e com sorte. Museus e monumentos: idem aspas. Fui ao Museu Magritte e subi ao Atomium... e em nenhum deles havia AC. Enfim, isto explicará por que é que tive de me resignar a desenhar a partir do quarto do hotel. A vista para a praceta, ou Place Agora, na Rue du Marché aux Herbes, abrange a torre da Grand Place, mesmo ali ao lado (que também desenhei, mas depois):
Do lado direito, a vista estendia-se até ao edifício envidraçado (a torre OXY, na Place de Brouckère) onde, uns dias depois de regressar a casa, houve um trágico incêndio em que morreram seis pessoas:
A composição que fiz foi panorâmica, ocupando as duas páginas do caderno. Infelizmente, as cores saíram garridas em demasia. No entanto, dado o sol intenso, talvez as cores estivessem mesmo mais brilhantes:
Aqui a fotografia no local, com o esboço:
24 de agosto de 2026
MAIS UM REFLEXO NO ESPELHO
23 de agosto de 2026
MEMMO BALEEIRA
Sempre gostei da zona de Sagres para veranear. Muitos dizem-na ventosa e agreste, mas eu não me importo com um pouco de brisa e ainda menos com paisagens pouco povoadas. Na Baleeira há uma combinação perfeita: sossego, pouca gente e uma paisagem linda sobre o porto de pesca, sempre ativo, a estender-se até ao Martinhal. Já tinha estado na Pousada, mas só este ano descobri o Memmo Baleeira, e já sei que vou voltar, assim o permitam as estrelas. O hotel original -- Hotel da Baleeira -- foi construído em 1962, segundo projeto do arquiteto Jorge Ferreira Chaves. Em 2007, foi renovado integralmente e ampliado. Tentei captá-lo, no relvado imenso, espraiado sobre a arriba, discreto e branco:
No meu desenho, de página dupla, surgem as duas alas centrais, com o restaurante no meio:
Fiz o desenho com vários erros de perspectiva, mas com muito prazer, à sombra (e à brisa) do final da manhã:
8 de agosto de 2026
O MARTINHAL AO LONGE
Esta é a vista a partir do Memmo Baleeira, um hotel fantástico em Sagres. Lá ao fundo, à direita, vêem-se os ilhotes de rocha do Martinhal, até onde há sempre quem nade. Junto à praia, sobre a areia fina, quase branca, a água torna-se verde-esmeralda, límpida e tão apetecível:
5 de agosto de 2026
SOB A ÁGUA
Segunda colheita na Praia dos Beijinhos, em Leça. Desta vez, em vez de fauna, colhi flora: algas verdes e castanhas, de nomes que desconheço, e um ramo de bagos minúsculos, que ondulavam graciosamente ao sabor da maré que subia:
Ao vivo, os espécimes tinham uma cor mais intensa e lustrosa, que não consegui captar. Fora de água, claro, estas plantas são como os peixes -- e secam num instante, ficando tesas e quebradiças num abrir e fechar de olhos.
1 de agosto de 2026
NA MARÉ BAIXA
Colheita de hoje de manhã na Praia dos Beijinhos, em Leça. Não os ditos, mas um minúsculo caranguejo que já tinha entregado a alma ao criador. Trouxe-o para casa, pu-lo numa página do caderno e fui-o desenhando de várias perspectivas e em diferentes posições (de patas para o ar também, claro). O conjunto ficou assim:
A criaturinha não tinha mais de que uns dois, três centímetros, se tanto. Aqui deixo os vários momentos do meu estudo de anatomia marinha:
